Meio Ambiente – Crescem os cuidados com gestão de energia

Crescem os cuidados com gestão de energia no saneamento básico

Para a grande maioria das companhias de saneamento básico, a energia é o segundo maior custo operacional, perdendo apenas – e por pouco – para a mão de obra.

Não é de se estranhar, tendo em vista a necessidade ininterrupta de bombeamento para manter as cidades abastecidas, o que requer conjuntos robustos de motobombas, principalmente para captação e elevação de água, mas também para afastamento de esgoto, todas operações que em comum têm o alto consumo de energia.

Se a energia já tem esse peso para o saneamento, uma decisão federal de 2018, tomada no fim do mandato de Michel Temer, tornou a relação com o consumo energético ainda mais crítica. Isso porque, por meio de decreto presidencial, os descontos tarifários até então concedidos a empresas de água e esgoto, serviços de irrigação e cooperativas e clientes rurais passaram a ter prazo para acabar.

A partir de 2019, portanto, pelo decreto, os descontos de 15% na tarifa de energia e de uso do sistema de distribuição para esses clientes especiais passaram a cair 20% ao ano, até serem zerados em cinco anos, em 2023. Com isso, a gestão da energia passou a ter peso ainda maior para o setor.

Nesse cenário, as empresas de saneamento, se já tinham a preocupação em encontrar meios de diminuir o consumo e reduzir o impacto das altas tarifas no custo operacional, transformaram a gestão energética em uma política estratégica, com várias ferramentas e pilares de atuação, além é claro de pessoal especialmente dedicado e especializado para implementá-las de modo contínuo.

Privados na frente

Apesar de algumas poucas companhias públicas mais bem estruturadas, a exemplo da paulista Sabesp e da paranaense Sanepar, terem iniciativas para gerir mais profissionalmente a energia consumida e adotar programas de eficiência energética, as empresas privadas de saneamento, principalmente grupos que contam com concessões em todo o país, estão adotando estratégias firmes de gestão e investindo até mesmo em autogeração de energia.



Os principais grupos privados têm estratégias semelhantes e muito dinâmicas para lidar com a energia, custo essencial para seus negócios, refletindo o perfil corporativo médio delas, a maior parte empresas de capital aberto, sob controle acionário de fundos de investimento importantes e com planos ambiciosos para o país, que depois da promulgação do marco regulatório do saneamento neste ano passou a ser atrativo para o capital privado.

De forma geral, esses grupos lidam com a gestão energética em duas frentes: na redução do consumo, com programas de eficiência energética, fazendo diagnósticos e ações corretivas e de retrofits principalmente no bombeamento, responsável por 80% a 85% do consumo total das empresas; e na otimização da aquisição da energia, ou seja, procurando maneiras de ter uma energia mais barata, seja migrando para o mercado livre de energia, quando possível, ou optando pelo autoconsumo, no modelo da geração distribuída.

É possível encontrar vários exemplos de grupos atuando dessa forma.

Para começar, vale citar a BRK Ambiental, controlada em 70% pela canadense Brookfield e considerada a maior empresa privada da área no país, com concessão em mais de cem cidades, parte delas herdada da aquisição dos negócios da Odebrecht Ambiental.

A BRK é responsável pelo saneamento para 15 milhões de pessoas em todo o país e, até 2023, planeja investir R$ 7 bilhões, depois de já ter aportado entre 2018 e 2019 cerca de R$ 23 milhões em inovação.

Segundo explica o gerente de projetos de eficiência da BRK, André Nogueira, cada uma das vinte unidades operacionais, de cada sociedade de propósito específico (SPE) formada nas várias concessões pelo país, do Rio Grande do Sul ao Tocantins, tem autonomia operacional, mas as diretrizes vêm do grupo de engenharia que define melhores práticas e padrões para a gestão energética.

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