Química

Materiais avançados – AGC monta estrutura local para resinas, elastômeros e químicos

Marcelo Fairbanks
28 de outubro de 2015
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    A linha de elastômeros Aflas compreende copolímeros de TFE e propileno, sendo capaz de suportar temperaturas constantes de 200ºC, com resistência elevada a ácidos e álcalis fortes a quente, bem como aos solventes orgânicos. Oferece também isolamento elétrico e barreira contra permeação de gases. O Aflas é indicado para confeccionar juntas circulares e vedações, também para óleo automotivo, revestimentos de fios e cabos, e na produção de semicondutores. “A resistência do Aflas o coloca entre o Viton e o SuperViton, com preço acessível, pode suportar os gases ácidos encontrados na exploração de petróleo, uma grande mercado em potencial no Brasil”, afirmou.

    Avanços tecnológicos – A divisão química do grupo AGC derivou do processo vidreiro, com a síntese de carbonato de sódio (barrilha) em 1917. Crescendo forma integrada, a divisão química alcançou grande avanço nos fluorquímicos, com linha de produtos composta por solventes fluorados, repelentes de água/óleo, polímeros de PTFE, polímeros de ETFE e seus filmes, elastômeros fluorados, fluoretos (intermediários para síntese de agroquímicos e fármacos) e resinas de flourpolímero para revestimentos.

    O grupo AGC ampliou sua atuação mundial com a aquisição dos negócios de fluorquímicos da antiga ICI, que mantinha fábricas na Inglaterra e nos Estados Unidos. Associando esses ativos às instalações do grupo, no Japão, o grupo empresarial conquistou presença nos mercados mais relevantes do mundo.

    Hamaoui aponta que o uso mais conhecido pela população dos derivados do flúor são os revestimentos antiaderentes aplicados às panelas de cozinha. “As gerações mais antigas de PTFE liberavam pequenas quantidades de ácido perfluoroctanoico (PFOA), substância que se acumula nos tecidos humanos, mas não provoca nenhuma doença ou reação”, explicou. As gerações mais recentes dessa tecnologia não liberam PFOA.

    “Os grandes fabricantes mundiais assinaram um acordo para banir os polímeros menos evoluídos até o final de 2015”, salientou. Nos mercados dos Estados Unidos e da Europa, os produtos de concepção mais antiga já não são mais aceitos, porém na Ásia e no Brasil não existem ainda normas oficiais contra isso. “A ABNT vai emitir um aviso técnico para evitar o uso de PTFE de gerações tecnológicas mais antigas no país”, afirmou.

    Também os cuidados com o ambiente são destacados pelo grupo. “Recolhemos os gases refrigerantes HCFC-22 do mercado para que sejam processados por pirólise, dando origem ao tetrafluoretileno, o TFE”, comentou.

    Dentro da divisão química, a área de produtos básicos derivados da eletrólise de cloretos de sódio e potássio, bem como incluindo os derivados da reação de cloração do metano (clorofórmio, monômero de cloreto de vinila, solventes clorados e epicloridrina). No campo dos uretanos, ficam os polióis e seus intermediários de síntese (propilenoglicol, poli propilenoglicol e óxido de propeno).

    A linha de produtos possui aplicações diversificadas. Os fluidos fluorados Asahiklin são direcionados ao mercado eletroeletrônico, com opções para solventes de limpeza de peças de precisão, além de diluir solventes especiais e inibidores de corrosão. “Esses produtos apresentam um potencial de depleção de ozônio igual a zero e não são considerados gases que contribuem para o efeito estufa, representam um avanço muito grande em relação aos clorofluorcarbonos que eram usados antigamente”, comentou.

    A indústria eletrônica também conta com o fluorpolímero amorfo Cytop, com baixo índice de refração e baixo coeficiente de dispersão óptica, com boas propriedades de laminação, atuando como revestimento dielétrico para materiais eletrônicos, além de servir como camada antirreflexo na indústria óptica. O polímero é solúvel em solventes fluorados, sendo resistente ao fogo, com alta inércia química e repelência à agua.

    Como as resinas fluoradas possuem alto poder de repelência à água e aos óleos e gorduras, foi criada a série AsahiGuard, para proteger tecidos, tapetes, carpetes, roupas esportivas, uniformes profissionais, elaborados com materiais naturais (lã, algodão, couro) ou artificiais, mantendo-os limpos por mais tempo e ampliando sua vida útil. “A série tem boas aplicações no Brasil, em especial nos estofamentos de carros”, disse Hamaoui.

    Para aumentar a resistência de revestimentos submetidos a condições críticas, casos das torres eólicas, plataformas de petróleo, navios e pontes, por exemplo, a AGC oferece o Lumiflon. São polímeros formados pela combinação de monômeros fluorados com éster-vinílicos, que podem ser formulados em base solvente ou aquosa, ou ainda em pó. “Eles entram nas tintas como um aditivos, com dosagem de 1% do peso”, explicou Hamaoui. “Como o átomo de flúor é grande, ele protege as duplas ligações das resinas contra o ataque dos raios ultravioleta, aumentado a sua durabilidade, preservando a cor e o brilho originais, além de evitar a corrosão do substrato.” O Lumiflon foi usado, por exemplo, nas tintas aplicadas ao famoso hotel de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.



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