Variedades e Curiosidades

Marina Mattar, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Abiquim.

Quimica e Derivados
24 de julho de 2019
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    2) Isso significa que a responsabilidade pela redução do aquecimento global é da indústria?

    De forma alguma. Pelo contrário, esta é uma responsabilidade compartilhada entre indústria, a sociedade e o governo. A indústria automobilística, por exemplo, com o apoio da indústria química, há muitos anos vem desenvolvendo carros que emitem menos, oferecendo ao mercado não somente modelos híbridos como os veículos totalmente elétricos e soluções que viabilizam a criação de veículos mais leves, que consomem menos combustível. Os governos podem, por exemplo, aumentar a eletrificação dos meios de transportes e a sociedade pode adotar uma postura de consumo consciente, com reaproveitamento das sobras e resíduos, com melhor aproveitamento dos recursos naturais.

    3) Você acredita que o Brasil conseguirá cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris?

    As metas autoestabelecidas pelo Brasil são bastante ambiciosas, entretanto elas têm como base pontos que o Brasil realmente precisa atacar para melhorar a condição de vida da população, como o sistema de transporte e o desmatamento. Aqui um aspecto importante: muitos culpam os agricultores pelo desmatamento, o que não tem qualquer base na realidade, os agricultores são os maiores interessados em manter a qualidade de suas terras porque somente com boa terra ele poderá anualmente ganhar o sustento de sua família.

    4) Qual o impacto da saída dos Estados Unidos do acordo de Paris?

    Enorme, como tudo que envolve os Estados Unidos. Todos os países do mundo entraram em compasso de espera com receio de adotar medidas que diminuíssem a sua competitividade no comércio internacional.

    Apesar disso, as grandes empresas americanas continuam firmemente comprometidas em reduzir suas emissões adequando as suas atividades ao cenário da economia de baixo carbono.

    5) Quando o Brasil adotará um conceito de precificação de carbono?

    Como mencionei, a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris colocou o mundo em compasso de espera sobre o assunto.

    O Brasil é um país que emite muito pouco e o governo brasileiro tem explorado com cautela, junto com o Banco Mundial, as diferentes alternativas de instrumentos de precificação de carbono com o objetivo de identificar o instrumento que mais se adequa à realidade brasileira. Adicionalmente, a indústria já vem adotando voluntariamente medidas para reduzir suas emissões, inclusive implementando práticas de precificação de carbono interna. É muito importante que os esforços históricos dessas empresas sejam considerados na definição desse novo instrumento.

    Devemos olhar com cautela o que está acontecendo no mundo e a CPLC é um importante fórum para isso.

    Provavelmente, a melhor alternativa seja nos juntarmos a algum mercado que já esteja funcionando bem em termos internacionais, para onde poderemos exportar os nossos créditos de carbono.

    Creio que se o Brasil conduzir bem o assunto, com permanente diálogo entre governo, empresários e sociedade, a competitividade das indústrias brasileiras crescerá com a economia de baixo carbono, beneficiando o meio ambiente, a economia e sociedade. Vale lembrar que não há sustentabilidade sem competitividade.



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    Um Comentário


    1. ALESSANDRO GIUSEPPE LOBERTO COSTA

      Bom dia,
      Antes de assinar gostaria de saber se tem como, ou onde poderia ver um exemplar da revista.



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