Equipamentos e Máquinas Industriais

Máquinas: Perspectivas 2009 – Queda nas encomendas anula bons efeitos conquistados com o real desvalorizado

Domingos Zaparolli
16 de janeiro de 2009
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    Anúncios de cancelamento de investimentos também se tornaram frequentes. O grupo LLX, de Eike Batista, interrompeu o projeto do Porto Brasil, no litoral paulista. A Gerdau informou que seu cronograma de investimentos de US$ 6,4 bilhões seria alterado; o grupo Votorantim paralisou a construção de uma unidade de níquel em Goiás; vários fabricantes de celulose e usinas de álcool postergaram investimentos. Só para citar alguns exemplos.
    Carlos Nogueira relata que a queda nas encomendas de bens de capital no início do ano ainda não afetou por igual todos os segmentos. Os mais prejudicados foram os fabricantes de máquinas agrícolas, máquinas-ferramenta e máquinas têxteis. Mas, segundo o executivo, a tendência é de contaminação dos negócios em outras atividades. Apenas os fabricantes de equipamentos para a indústria de petróleo e gás podem se safar da queda de encomendas. Outra preocupação do setor é o aumento da inadimplência. Em média, apenas 2% a 4% dos compradores de máquinas não honram seus compromissos em dia. Em janeiro, esse índice chegou a 14%. “Ninguém deixa de pagar porque quer. A inadimplência é fruto do aperto de crédito”, constata o executivo. A soma de tantos fatores negativos aponta para uma situação desalentadora para a manutenção do nível de emprego no setor. Em dezembro, as demissões chegaram a duas mil. Mas a previsão da Abimaq é de que a situação deve mesmo se agravar a partir de março. A projeção da associação é de dispensa de 20 mil trabalhadores em 2009.

    Enfrentar a crise – Na opinião de Carlos Nogueira, o governo vai ter de trabalhar muito e rápido para reverter esse quadro negativo. A receita da associação de como o país deve agir para reduzir o impacto da crise todo mundo conhece, de tanto que é repetida por seus diretores e também por representantes de outras associações empresariais. Os pontos-chave são: redução urgente da taxa de juros; redução da carga tributária, se possível desonerando completamente os impostos que incidem sobre a compra de bens de capital; a adoção de uma política industrial que privilegie o produtor nacional; investimentos em infraestrutura e flexibilização da legislação trabalhista. Uma medida que também está sendo reivindicada pelos fabricantes de bens de capital mecânicos é a maior disponibilidade de financiamento de capital de giro, o que permitiria às empresas do setor enfrentar o momento agudo da crise de encomendas.

    Segundo Nogueira, nas reuniões frequentes com os empresários, os representantes do governo têm se mostrado sensíveis às reivindicações. O problema, que o empresário não diz, é a distância entre a sensibilidade e a atitude concreta. Boa notícia é a alta capacidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para emprestar. Até novembro de 2008, o banco desembolsou R$ 79,9 bilhões, sendo que R$ 32,4 bilhões foram para a indústria, um total 37% acima do registrado no mesmo período de 2007, e R$ 31,3 bilhões foram destinados ao setor de infraestrutura, um crescimento de 45%. Para 2009, a expectativa do BNDES é de liberar recursos totais entre R$ 100 bilhões e R$ 110 bilhões.

    Ao mesmo tempo, a tão esperada desvalorização do real não deve gerar, pelo menos em curto prazo, um aumento das exportações de bens de capital. O motivo é simples. Os principais clientes da indústria brasileira de máquinas e equipamentos não estão comprando. Os Estados Unidos, o maior comprador, são o “epicentro” do terremoto financeiro. O México, o terceiro maior comprador em 2008, tem uma economia bastante atrelada à norte-americana. A Alemanha, a quarta compradora, também está em recessão. Os demais grandes compradores de máquinas brasileiras são países da América do Sul, como Argentina (segunda do ranking), Venezuela, Chile, Paraguai e Colômbia. Economias que dependem muito das vendas internacionais de commodities agrícolas, minerais e petrolíferas, cujos preços internacionais desabaram nos últimos meses. Em dezembro, as vendas brasileiras de bens manufaturados para a região caíram 12,4%, e as máquinas estão entre os principais itens de exportação. Além disso, Argentina e Venezuela passaram a criar entraves burocráticos para dificultar ainda mais as compras externas. Como diz Carlos Nogueira: “A desvalorização cambial foi boa. Mas veio com dois anos de atraso. Agora não há muito como aproveitar a situação e ampliar as exportações.”



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