Máquinas – Indústria mecânica prevê crescer com base na demanda

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Máquinas – Indústria mecânica prevê crescer apenas com base na evolução da demanda nacional – Perspectivas 2020

As projeções anunciadas pelos dirigentes da indústria nacional de máquinas e equipamentos para este ano soam otimistas, com cautela. Uma pitada de moderação tempera esse otimismo, que ao menos por enquanto não se traduz em números muito grandiosos, mas, transformadas em realidade, tais perspectivas trarão bom alento a esse setor, que nos últimos anos teve seus negócios drasticamente reduzidos e agora aposta em maior prosperidade em decorrência não somente da economia interna mais movimentada, mas também de uma conjuntura cambial que lhe permite mais fôlego para enfrentar a concorrência dos equipamentos importados.

É importante ressaltar que, pelo segundo ano consecutivo, em 2020 o aquecimento da economia nacional deve fazer do mercado interno o grande responsável pelo incremento nos negócios da indústria nacional de máquinas e equipamentos. “As vendas internas devem elevar-se cerca de 10% e provavelmente não crescerão as exportações ”, projeta José Velloso, presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). “Com isso, o crescimento do total do setor no decorrer deste ano, relativamente a 2019, deve situar-se na faixa entre 3,5% e 4% ”, sintetiza.

Diferentemente do verificado nos dois anos anteriores, já em 2019 foi o mercado interno o propulsor da expansão do setor. Expansão não muito significativa, aliás, e na qual deve ser computada a destina,ção de recursos para recuperação e atualização de equipamentos. “Mas ressalte-se que o consumo de máquinas, que em 2018 já havia pelo menos se mantido mais estável – após uma queda de quase 50% nos cinco anos anterio,res – voltou a crescer em 2019 ”, observa o presidente-executivo da Abimaq, entidade que divulgou estudo, projetando para este ano elevação nos investimentos (ver quadro adiante) .

A crescente demanda inter,na seguirá impulsionando até a importação de máquinas e equipamentos, crê Paulo Castelo Branco, presidente-executivo da Abimei (Associação Brasileira do Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais): “Difícil prever índices, mas essa importação seguirá crescendo em 2020, as empresas precisam de tecnologia ”, argumenta.

Química e Derivados - Castelo Branco: importação avançou mesmo com dólar caro
Castelo Branco: importação avançou mesmo com dólar caro

Nem mesmo a cotação do dólar acima de R$ 4 freará essa importa,ção, diz Castelo Branco. Estudo da Abimei mostra que no decorrer de 2019 (com o dólar já valorizado) o volume de importações de bens de capital no Brasil cresceu 30%, relativamente ao ano anterior, atingindo um total de US$ 37,4 bilhões de dólares. Cresceu também nesse período em 22% a importação de bens intermediários, que somou aproximadamente US$ 128 bilhões.

Restringindo-se aos dez primei,ros meses do ano passado, o mesmo estudo da Abimei informa que, comparativamente ao mesmo período de 2018, cresceu mais acentuadamente a categoria Equipamentos de Transporte Industrial, vindo a seguir Peças e Acessórios para Bens de Capital (respectivamente, cresceram 11,6% e 6%, e movimentaram US$ 3,2 bilhões e US$ 17,8 bilhões).

Castelo Branco credita ao reaquecimento da economia nacional a parte principal do mérito por esse crescimento da importação de máquinas e equipamentos “Tanto é que ele aconteceu mesmo com um câmbio desfavorável à importação ”, pondera. “Indústria automobilística, eletroeletrônicos, indústria aero,náutica e construção civil estão entre os setores que mais contribuíram para essa expansão ”, especifica o representante da Abimei.

Válvulas e Fornos – Os negócios dos fabricantes nacionais de válvulas industriais, especificamente, devem este ano registrar aumento situa,do no patamar dos dois dígitos, projeta Rodolfo Garcia, presidente da Câmara Setorial de Válvulas Industriais (CSVI) da Abimaq. “Há boas perspectivas por demanda adicional nos setores de óleo e gás, com os leilões do pré-sal; saneamento, com o novo marco regulatório; mineração, pela retomada de investimento das mineradoras ”, detalha Garcia.

Segundo ele, em 2019, a indústria nacional de válvulas industriais registrou faturamento cerca de 10% superior ao de 2018; tal cresci,mento foi puxado pelos mercados de construção civil, saneamento, mineração, óleo e gás.

Química e Derivados - Freitas: vendas de fornos já tiveram aquecimento em 2019
Freitas: vendas de fornos já tiveram aquecimento em 2019

No setor de produção de fornos e estufas industriais o faturamento deve este ano crescer cerca de 7% sobre 2019, prevê Aparício de Freitas, presidente da Câmara Setorial da Abimaq focada nesse gênero de equipamentos. Esse segmento da indústria, ele explica, responde em ritmo mais particular ao aquecimento da demanda, pois trabalha com prazos de fabricação, instalação e operação de seus produtos da ordem média de seis meses. “Caso os investimentos re,almente se concretizem, o segundo semestre será promissor ”, pondera Freitas.

Fornos e estufas industriais, ele observa, operam em tratamento térmico, secagem, pintura, forjaria, cerâmica, refratários, alumínio, siderurgia, reatores industriais, entre outras aplicações. As atividades de tratamento térmico – como têm,pera, revenimento, recozimento e cementação, juntamente com secagem e cura, constituem os propulsores desse mercado, no qual são secundadas pelos setores siderúrgicos e petroquímicos.

Atualmente, estima Freitas, algo entre quinze e vinte empresas com,põem esse segmento da indústria nacional; esse número já foi maior, mas várias empresas encerraram sua operação durante a crise dos últimos anos. As remanescentes puderam observar no ano passado algum reaquecimento da demanda. “O crescimento começou com reformas de equipamentos e adequações às normas de segurança ou ambientais. Agora, esperamos um crescimento estrutural, motivado por impulsos econômicos e de caráter desenvolvimentista ”, ressalta o presidente da Câmara Setorial de Fornos e Estufas Industriais da Abimaq.

Química e Derivados - Garcia: crescimento das vendas de válvulas deve ser mantido
Garcia: crescimento das vendas de válvulas deve ser mantido

Competitividade global – Com o aumento da demanda, também a atual conjuntura cambial comporá o cenário no qual podem se desenvolver os negócios da indústria brasileira de máquinas e equipamentos neste ano, ressaltam os diri,gentes do setor. Caso de João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da Abimaq, que qualifica como “industrializante ” a correspondência cambial na qual um dólar custa pelo menos R$ 4. “Esse patamar de câmbio remunera melhor as exportações e confere à indústria nacional maior competitividade no mercado interno ”, justifica. “Praticamente todos os países se valem do câmbio como fator de competitividade ”, acrescenta Marchesan.

Também Garcia, do CSVI, considera essa conjuntura cambial interessante para os fabricantes nacionais. E, quando indagado sobre as discussões destinadas a abrir ainda mais a economia brasileira, responde: “Tanto a redução unilateral do imposto de importação de válvulas industriais, quanto a não aplicação do conteúdo local em projetos públicos, ou que envolvam recursos da união, certamente afetará o desenvolvimento do país; o Custo Brasil impõe aos nossos produtos um custo adicional de 30%, comparativamente aos mesmos produtos de países como a Alemanha e Estados Unidos”.

Castelo Branco, da Abimei, elogia recentes medidas de abertura da economia brasileira à concorrência internacional, entre elas, mudanças no ex-tarifário, regime que concede isenções fiscais à importação de bens de capital e alguns outros produtos sem similares nacionais e que pode reduzir em mais de 30% o valor final de uma importação. Em vigor desde o final de agosto, essas alterações incluíram a exigência de comprovação, via nota fiscal, da existência de produtos similares para que seja barrada a concessão do ex-tarifário. “Antes bastava aos fabricantes nacionais declarar que tinham produtos similares”, diz o representante da Abimei. “Nos dois meses seguintes a essa liberação, o ex-tarifário foi concedido a quase 1,3 mil pedidos de importação; isso corresponde ao total liberado nos oito meses anteriores”, finaliza.

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