Equipamentos e Máquinas Industriais

Máquinas – Incentivos do governo ajudam, mas a instabilidade econômica ainda gera incertezas no setor

Jose P. Sant Anna
25 de fevereiro de 2014
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    A desvalorização do real ocorrida no ano passado foi muito bem-vinda, tornou os fabricantes de equipamentos nacionais mais competitivos. “Os chineses ainda atrapalham muito, mas antes da valorização do dólar ocorrida nos últimos meses nossos preços estavam perdendo para os dos países europeus e para os Estados Unidos, o que é um absurdo. Nossos fabricantes, caso tenham cenário favorável, têm tecnologia e capacidade instalada para exportar”, lembra. Apesar do alívio, a inconstância das cotações preocupa. “É muito ruim a instabilidade do dólar, as alterações bruscas no valor da moeda de um momento para o outro.”

    Paulucci também faz um lembrete para os transformadores que investem em máquinas chinesas: “Ao fazer essa opção, eles eliminam os empregos dos consumidores brasileiros, aqueles que no futuro vão comprar os produtos que eles fabricam. Estão destruindo seus próprios clientes”, adverte.

    Química e Derivados, Importação MENSAL US$ bilhões FOB Nota 6,5 – Uma pequena retrospectiva do desempenho do segmento de máquinas e acessórios para plástico no ano passado ajuda a entender o cenário atual. “Foi um ano de razoável para bom. De zero a dez, eu daria nota 6,5”, resume o dirigente da Abimaq. Não existem dados estatísticos sobre os resultados. De qualquer forma, é indiscutível para os participantes do setor ter obtido negócios mais promissores do que a indústria de base como um todo. De acordo com dados da Abimaq, o setor de bens de capital, na média, deve ter fechado o ano de 2013 com redução de 5% no faturamento em relação ao exercício anterior (ver box).

    Além do programa de financiamento promovido pelo BNDES, da desoneração da folha de pagamento das empresas do ramo e do aumento do dólar, já citados, Paulucci credita o desempenho positivo a dois outros fatores. “Precisamos reconhecer que o governo promoveu, ao longo dos últimos anos, o aumento do consumo interno. Com o ganho do poder aquisitivo, as pessoas das classes econômicas menos abastadas foram responsáveis por uma elevação de 90% das vendas dos mais variados bens”, lembra. Para ele, tal aumento não causou reflexos melhores no desempenho da indústria por causa das importações. “No mesmo período, a indústria nacional cresceu 13%. Criamos muitos empregos no exterior”, lamenta. De qualquer forma, o quadro tem colaborado com os investimentos do setor de transformação.

    Outro fator relevante está ligado às características dos materiais plásticos. O avanço da tecnologia, responsável pelo desenvolvimento de propriedades valiosas para as mais diversas resinas, ajuda na conquista de novos mercados. A cada dia, o plástico passa a substituir a madeira, o vidro, metais e outros materiais em diversas aplicações. “Somos privilegiados. Quando me perguntam qual a porcentagem em peso do plástico no automóvel digo que não sei, mas que no futuro será de 100%”, exemplifica.

    Luz no fim do túnel – O setor nacional de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico caminha com resultados de regulares para bons. O mesmo não ocorre com a indústria brasileira de base como um todo. “Os indicadores conjunturais apurados até outubro de 2013 sinalizam um ano pior que o anterior para a indústria de máquinas e equipamentos”, avalia Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

    Estima-se que na média o setor de bens de capital amargará faturamento cerca de 5% inferior ao ano de 2012. “Foi mais um ano de invasão de produtos importados. Em 2013 a indústria não andou de lado, andou para trás”, queixa-se o dirigente. Alguns segmentos da indústria de base, casos dos ligados ao consumo – nos quais se encaixam os equipamentos para a indústria do plástico –, e a agricultura foram bem. “Porém, os setores ligados à infraestrutura nunca atravessaram um momento tão complicado, em razão da baixa taxa de investimentos”, lembra.

    De acordo com Aubert, as medidas adotadas nos últimos anos, como a desoneração do INSS patronal na folha de pagamento, o programa PSI-Finame, a redução do IPI a zero para quase 100% das máquinas e equipamentos representados pela Abimaq, o crédito imediato do PIS/Cofins e o Reintegra, foram paliativas, incapazes de restabelecer a competitividade da indústria nacional. A indústria de base continua combalida perante os concorrentes estrangeiros e essa situação é agravada em razão das questões estruturais, tais como “custo Brasil”, juros reais exorbitantes, câmbio, alta carga tributária etc. “O Brasil é que não é competitivo.”

    O dirigente vê como uma luz no fim do túnel as recentes demonstrações do governo no sentido de desburocratizar e acelerar o programa de concessões públicas. Isso ocorreu, por exemplo, nos recentes leilões no campo de Libra (pré-sal), aeroportos do Galeão e Confins e BR-163 (MT). “Espero que esses projetos possam significar a realização e o estímulo aos investimentos, fundamentais para o crescimento do país e capazes de recolocar a nossa indústria no caminho da recuperação.”



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