Máquinas – Incentivos do governo ajudam, mas a instabilidade econômica ainda gera incertezas no setor

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Uma incógnita. As vendas de máquinas e equipamentos para plástico em 2014 podem ser impulsionadas por alguns fatores positivos, como a renovação do programa de financiamento PSI/Finame, do BNDES, a desoneração da folha de pagamentos estendida à indústria do ramo e a alta do dólar verificada nos últimos tempos, o que tornou a indústria brasileira mais competitiva em relação aos importados. Tudo melhora se for combinado com um bom ritmo de consumo das famílias brasileiras.

Por outro lado, o desempenho da economia, a realização da Copa do Mundo e das eleições, o excesso de feriados no calendário e outros aspectos podem frear os negócios, contribuir para uma possível redução nos investimentos das empresas transformadoras, as principais clientes dos fabricantes do ramo. Sem falar nas dificuldades geradas pelo famigerado “custo Brasil”, motivo de queixas recorrentes de empresários de todos os setores já há algumas décadas. Na categoria se enquadram reclamações contra problemas de infraestrutura, os juros elevados praticados pelo sistema financeiro, impostos altos e outros velhos entraves relacionados à realidade brasileira.

Química e Derivados, Produção física por setores variação % acumulada no ano“Por enquanto, não temos nenhuma expectativa sobre o desempenho de nosso setor este ano”, diz Gino Paulucci Júnior, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios da Indústria do Plástico da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Para o dirigente, a dificuldade de previsão tem mais efeitos negativos do que positivos. Ele gostaria de contar com um quadro mais claro, que trouxesse maior segurança aos clientes interessados em investir em novos empreendimentos.

“Nos últimos anos temos sofrido com incertezas”, reclama. Tudo poderia ser atenuado se houvesse uma política econômica mais estável. “Temos que reconhecer que o governo não está insensível, tem se esforçado para colaborar com o desempenho do setor de bens de capital. Mas poderia ser melhor.” Para exemplificar, cita o caso do programa de financiamento criado pelo BNDES. O PSI nasceu com o objetivo de facilitar a venda de máquinas e equipamentos novos fabricados no Brasil. As empresas credenciadas no banco de fomento econômico podem comercializar seus produtos por meio de financiamentos com taxas de juros muito amigáveis. Para empresas compradoras com faturamento de até R$ 90 milhões por ano, as taxas de juros cobradas são de 4,5% ao ano. Para aquelas com faturamento superior, a porcentagem sobe para 6%.

“Essas taxas são muito boas diante das demais oferecidas no mercado e o PSI tem nos ajudado muito desde que foi implantado”, reconhece Paulucci. O problema é a forma como o programa tem sido gerido. “Ele é aplicado com prazos definidos e isso gera muita insegurança.” No ano passado, o benefício tinha término previsto para o final de 2013. Somente nos últimos dias de dezembro foi renovado e agora vale até o final de 2014. “Esse programa precisa ser perene. Pode haver algum acréscimo da taxa de juros cobrada, se o governo achar necessário, mas o fato de ele ser aplicado de forma contínua tranquilizaria fabricantes e compradores de máquinas”, defende. Outro reflexo da calmaria proporcionada pela medida é o incentivo oferecido aos fabricantes de equipamentos para que eles invistam de maneira incisiva na ampliação de suas capacidades de produção.

Química e Derivados, FATURAMENTO BRUTO MENSAL (R$ bilhões constantes*) Desoneração da folha, dólar… –Além do sistema de financiamento, outros aspectos atrapalham a decisão dos empresários de investir em novos empreendimentos. Um caso similar ao do programa PSI ocorre com o projeto de desoneração da folha de pagamento criado pelo governo federal. “Essa é outra medida com prazo definido que deveria se tornar para sempre”, ressalta.

Só para lembrar do que se trata: para as empresas que se enquadram no âmbito do programa, entre elas os fabricantes de máquinas e equipamentos e os transformadores de peças plásticas, adotou-se nova fórmula de contribuição previdenciária dos colaboradores sobre as receitas brutas das empresas, descontadas as receitas obtidas com exportação. A mudança ainda contempla a redução da carga tributária dos setores beneficiados, porque a alíquota sobre a receita bruta foi fixada em patamar inferior àquele feito antes da adoção da medida.

A cotação da moeda também é mencionada pelo dirigente da Abimaq como fator de intranquilidade. São conhecidas as dificuldades impostas aos fabricantes nacionais, em especial pela importação de injetoras. Em menor escala, os problemas atingem também os fabricantes de extrusoras e sopradoras. Os concorrentes que mais incomodam são os asiáticos, que chegam aqui com preços para lá de competitivos.

A desvalorização do real ocorrida no ano passado foi muito bem-vinda, tornou os fabricantes de equipamentos nacionais mais competitivos. “Os chineses ainda atrapalham muito, mas antes da valorização do dólar ocorrida nos últimos meses nossos preços estavam perdendo para os dos países europeus e para os Estados Unidos, o que é um absurdo. Nossos fabricantes, caso tenham cenário favorável, têm tecnologia e capacidade instalada para exportar”, lembra. Apesar do alívio, a inconstância das cotações preocupa. “É muito ruim a instabilidade do dólar, as alterações bruscas no valor da moeda de um momento para o outro.”

Paulucci também faz um lembrete para os transformadores que investem em máquinas chinesas: “Ao fazer essa opção, eles eliminam os empregos dos consumidores brasileiros, aqueles que no futuro vão comprar os produtos que eles fabricam. Estão destruindo seus próprios clientes”, adverte.

Química e Derivados, Importação MENSAL US$ bilhões FOB Nota 6,5 – Uma pequena retrospectiva do desempenho do segmento de máquinas e acessórios para plástico no ano passado ajuda a entender o cenário atual. “Foi um ano de razoável para bom. De zero a dez, eu daria nota 6,5”, resume o dirigente da Abimaq. Não existem dados estatísticos sobre os resultados. De qualquer forma, é indiscutível para os participantes do setor ter obtido negócios mais promissores do que a indústria de base como um todo. De acordo com dados da Abimaq, o setor de bens de capital, na média, deve ter fechado o ano de 2013 com redução de 5% no faturamento em relação ao exercício anterior (ver box).

Além do programa de financiamento promovido pelo BNDES, da desoneração da folha de pagamento das empresas do ramo e do aumento do dólar, já citados, Paulucci credita o desempenho positivo a dois outros fatores. “Precisamos reconhecer que o governo promoveu, ao longo dos últimos anos, o aumento do consumo interno. Com o ganho do poder aquisitivo, as pessoas das classes econômicas menos abastadas foram responsáveis por uma elevação de 90% das vendas dos mais variados bens”, lembra. Para ele, tal aumento não causou reflexos melhores no desempenho da indústria por causa das importações. “No mesmo período, a indústria nacional cresceu 13%. Criamos muitos empregos no exterior”, lamenta. De qualquer forma, o quadro tem colaborado com os investimentos do setor de transformação.

Outro fator relevante está ligado às características dos materiais plásticos. O avanço da tecnologia, responsável pelo desenvolvimento de propriedades valiosas para as mais diversas resinas, ajuda na conquista de novos mercados. A cada dia, o plástico passa a substituir a madeira, o vidro, metais e outros materiais em diversas aplicações. “Somos privilegiados. Quando me perguntam qual a porcentagem em peso do plástico no automóvel digo que não sei, mas que no futuro será de 100%”, exemplifica.

Luz no fim do túnel – O setor nacional de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico caminha com resultados de regulares para bons. O mesmo não ocorre com a indústria brasileira de base como um todo. “Os indicadores conjunturais apurados até outubro de 2013 sinalizam um ano pior que o anterior para a indústria de máquinas e equipamentos”, avalia Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Estima-se que na média o setor de bens de capital amargará faturamento cerca de 5% inferior ao ano de 2012. “Foi mais um ano de invasão de produtos importados. Em 2013 a indústria não andou de lado, andou para trás”, queixa-se o dirigente. Alguns segmentos da indústria de base, casos dos ligados ao consumo – nos quais se encaixam os equipamentos para a indústria do plástico –, e a agricultura foram bem. “Porém, os setores ligados à infraestrutura nunca atravessaram um momento tão complicado, em razão da baixa taxa de investimentos”, lembra.

De acordo com Aubert, as medidas adotadas nos últimos anos, como a desoneração do INSS patronal na folha de pagamento, o programa PSI-Finame, a redução do IPI a zero para quase 100% das máquinas e equipamentos representados pela Abimaq, o crédito imediato do PIS/Cofins e o Reintegra, foram paliativas, incapazes de restabelecer a competitividade da indústria nacional. A indústria de base continua combalida perante os concorrentes estrangeiros e essa situação é agravada em razão das questões estruturais, tais como “custo Brasil”, juros reais exorbitantes, câmbio, alta carga tributária etc. “O Brasil é que não é competitivo.”

O dirigente vê como uma luz no fim do túnel as recentes demonstrações do governo no sentido de desburocratizar e acelerar o programa de concessões públicas. Isso ocorreu, por exemplo, nos recentes leilões no campo de Libra (pré-sal), aeroportos do Galeão e Confins e BR-163 (MT). “Espero que esses projetos possam significar a realização e o estímulo aos investimentos, fundamentais para o crescimento do país e capazes de recolocar a nossa indústria no caminho da recuperação.”

Química e Derivados, Exportação MENSAL US$ bilhões FOBNúmeros – De acordo com informações prestadas pela Abimaq, o setor apresentou, no período de janeiro a outubro de 2013, faturamento de R$ 66,95 bilhões, número 5% inferior ao apresentado no mesmo período do ano passado. Depois de um início de ano muito negativo, as vendas passaram a se recuperar a partir de maio. Apesar da curva ascendente, será difícil constatar recuperação quando for fechado o resultado total do ano. Se o faturamento caiu, a taxa de produção física subiu 5,8%. O número mostra o aperto das margens de lucro da indústria nacional, necessário para enfrentar a concorrência dos importados.

O consumo aparente foi de R$ 102,49 bilhões, número 6,9% superior ao do mesmo período do ano anterior. Considerando-se a desvalorização cambial, a taxa de crescimento caiu para 1,4%. As importações nos dez primeiros meses do ano foram de US$ 2,95 bilhões, 6,9% do registrado no mesmo período de 2012. Os Estados Unidos lideram entre os países fornecedores, com 25% do total. Em segundo lugar aparece a China, com 16,9%. Uma ressalva: em 2007, a China respondia por 8,2%, menos da metade do número atual. As exportações no período chegaram a US$ 10,11 bilhões, 11,9% a menos do que no ano anterior. A América Latina corresponde a quase 40% das vendas, seguida pelos Estados Unidos, com 21%.

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