Manutenção : “Academia Abraman” e os horizontes da capacitação

“Academia Abraman” pode ampliar os horizontes da capacitação

A elevação da produtividade do trabalho e da própria manutenção estão entre as principais metas a serem superadas na pauta de aprendizado e melhoria contínua dos padrões de confiabilidade nas empresas.

Para especialistas e empresários, o enfrentamento desses desafios depende, de um lado, do aumento da capacitação dos profissionais que atuam na área e, de outro, da obtenção de maior domínio tanto das tecnologias como do acesso a inovações que hoje são importadas.

Mas é consenso entre os entrevistados de que as duas questões precisam ser resolvidas simultaneamente, pois não basta dispor de soluções disruptivas sem saber como colocá-las em prática, como bem diz a diretora da Dow Química, Alessandra Tostes.

Para resolver esse impasse, o consultor técnico José Carlos da Rocha Simões, da Data Engenharia, propõe que as empresas se aliem ao esforço de capacitação de mão-de-obra voltada para manutenção.

Simões justifica que “em nosso segmento, os profissionais têm um período de formação longo, devido à necessidade de serem altamente experientes”.

Por isso, ele entende que “a indústria tem o mesmo desafio de formar bem seus quadros técnicos, a fim de assimilar as novas tecnologias, para poder adquiri-las”.

Com sua vivência acadêmica e de campo, Luiz Alberto Verri, diretor da Regional São Paulo/Centro-Oeste, da Abraman, demonstra estar de acordo com o raciocínio dos entrevistados, ao afirmar que “com o uso de máquinas inteligentes, os sistemas estão exigindo qualificações cada vez mais específicas”.

Por esse motivo, segundo ele, “a entidade está atenta à evolução do mercado de trabalho e estuda a futura implantação, já no ano que vem, da Academia Abraman.

É uma iniciativa ainda em construção, mas podemos dizer que os objetivos são ambiciosos”.

A ideia se baseia nas regulamentações existentes para profissões como eletricista, mecânico e caldeireiro, as quais deram origem a cursos de formação.

Mesmo sem estágio obrigatório, quem conclui essa especialização acaba sendo admitido como “técnico” por empresas demandantes dessa mão de obra.

A intenção da Abraman, segundo Verri, é atrair pessoas que já atuam no mercado, tornando-as mais capacitadas para exercer atividades de manutenção, tais como engenheiro de confiabilidade e de planejamento, ou mesmo gerente de manutenção.

As ferramentas mais importantes das pessoas que lidam com a operação e a manutenção dos equipamentos são as habilidades e o conhecimento, observa Eduardo Chicon, coordenador Cofip ABC.

“Um funcionário com treinamento inadequado pode acabar introduzindo falhas nos equipamentos, ao invés de preveni-las. O mesmo pode ocorrer com os operadores da produção”, justifica, lembrando que “’quanto mais complexos e automatizados se tornarem os meios de produção, maiores serão os desafios para as pessoas operarem e manterem esses ativos”.

De acordo com dados da Cofip ABC, as empresas do setor estão muito focadas nas chamadas matrizes de habilidades para gerir e melhorar o processo de desenvolvimento dos funcionários.

O conceito se fundamenta na definição do nível de conhecimento de um funcionário, a partir do qual são dimensionadas as competências requeridas para uma determinada função, bem como em que grau de maturidade profissional a pessoa se encontra.

Química e Derivados - Manutenção - “Academia Abraman” pode ampliar os horizontes da capacitação ©QD Foto: Divulgação
Eduardo Chicon, coordenador Cofip ABC

Para Chicon, “o treinamento e o envolvimento dos operadores na identificação de sintomas e anomalias no chão de fábrica, além de ensinar como realizar pequenos reparos, cria valor para a empresa, pois gera e transfere conhecimento”.

Adicionalmente, segundo ele, “pode-se dizer que promove uma interdependência entre os departamentos de manutenção e produção, estimulando a disciplina”.

Ao defender a necessidade crescente da capacitação de mão-de-obra, Gilfranque Leite, da Braskem, argumenta sua preocupação tanto com base no novo cenário digital, como no da química sustentável. Guilherme Silva, da Rhodia, acrescenta que a produtividade da força de trabalho e a atualização de equipes, própria e de prestadores de serviço, ainda são gargalos para o melhor aproveitamento dos recursos.

O gap se torna mais acentuado, segundo ele, nas paradas gerais.

Além de equipes capacitadas, manutenção assertiva e eficiente implica também contar com boas parcerias com fornecedores de alta qualidade avalia Patrick Silva, da Basf, com base na constatação, semelhante à de outros entrevistados, de que, com os avanços tecnológicos, criou-se nas empresas uma dependência de equipamentos importados.

Com isso, se não houver uma política eficiente de gestão de peças sobressalentes, o risco de paradas não programadas longas aumenta por conta do elevado tempo de chegada de materiais de reposição.

Mesmo as paradas programadas estão sob esse fogo cruzado, observa Luiz Cláudio Moura, supervisor de produção da Chemours.

Tecnicamente, a dificuldade de reposição, nesse caso, recai sobre eventuais atrasos na entrega de equipamentos de processos, a maioria importada, segundo ele, devido ao baixo nível tecnológico da indústria nacional.

Adicionalmente, as importações sofrem o impacto da variação cambial, o que também é uma ameaça ao fluxo de caixa das companhias.

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