Logística, Transporte e Embalagens

IBCs – Mais seguros e fáceis de usar, contêineres querem aposentar o uso de tambores nos produtos químicos

Denis Cardoso
14 de agosto de 2009
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    Nos corredores da Vasitex, o assunto é um só: os novos IBCs antiestáticos criados pela empresa alemã Schütz e que começaram a ser fabricados em Guarulhos. Se depender das expectativas de Luiz Francisco da Cunha, o gerente-executivo da Vasitex, a novidade será um divisor de águas para o mercado brasileiro de embalagens de produtos químicos. “Esperamos que todas as empresas que utilizam IBCs de inox e tambores de aço migrem para o nosso sistema”, disse Cunha, que falou à Química e Derivados sobre os novos contêineres.

    QD – Como se dá a operação dos IBCs antiestáticos? Eles são usados apenas uma vez, diferentemente dos IBCs metálicos. No entanto, eles podem ser reaproveitados. Explique melhor essa operação?

    Cunha – Produzimos IBCs antiestáticos e condutivos com três camadas e também os IBCs antiestáticos com barreira EVOH de seis camadas, estes direcionados para produtos que, além de serem inflamáveis ou terem baixo ponto de fulgor (<60ºC), têm sensibilidade ao oxigênio e aos gases atmosféricos, como é o caso dos produtos alimentícios. Agora, se os IBCs devem ser reaproveitados ou não, isso é uma decisão que cabe ao cliente. Na exportação, a logística reversa para reúso é impossibilitada pelos custos de frete para retorno do IBC. Porém, para o mercado interno, a nossa empresa provê o gerenciamento logístico do IBC em uso por meio do software NTS (Network Tracking System), que opera em plataforma web, ou seja, o cliente acompanha o ciclo de vida do IBC de qualquer lugar do mundo. Assim, mantemos contato com os clientes dos nossos clientes (esvaziadores dos IBCs) para que, depois de vazios, sejam coletados.

    QD – O que acontece com os IBC usados quando eles voltam para vocês?

    Cunha – Quando os IBCs retornam para nossa unidade de serviços, eles são recondicionados ou reaproveitados. No primeiro caso, os contentores são higienizados por lavagem química, retestados e recertificados. Na segunda hipótese, trocamos todas as partes em contato com o produto anteriormente envasado (recipiente plástico, válvula e tampa) por outras peças novas, reaproveitando apenas as grades em perfeito estado de conservação. Em ambas as situações, há uma garantia de segurança ambiental, pois alguns IBCs usados são reciclados, transformando-os em matéria-prima plástica para a produção de tambores ou bombonas para uso industrial.

    QD – Com a nova tecnologia de contêineres químicos, a Vasitex pretende ganhar mercado sobre qual
    tipo de IBC? Metálicos ou de plástico?

    Cunha – A característica antiestática dos IBCs Schütz-Vasitex permite que produtos inflamáveis – de baixo ponto de fulgor, ou que são cheios ou esvaziados em zonas EX 1 e 2 (grau de inflamabilidade e explosividade do ambiente) – sejam utilizados no lugar de embalagens metálicas, normalmente usadas nestas aplicações, pois a característica do aço permite que a eletricidade estática gerada durante o processo de enchimento ou transporte da embalagem seja descarregada pela sua própria parede. Agora, a tecnologia desenvolvida por nós também permite que tal efeito ocorra, pois a camada antiestática externa evita a geração de estática. Por isso, esperamos que todos os produtos que utilizam IBCs de inox e tambores de aço migrem para o nosso sistema, pois, como citado, oferecemos soluções para que a embalagem pós-uso não seja inadequadamente descartada e descontaminada, de forma que coloque em risco todos os envolvidos em seu ciclo de vida, perante a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). É bom lembrar também que os IBCs de inox oferecidos ao mercado em forma de aluguel não têm as mesmas soluções integradas para retorno e para serem reutilizados são lavados sob risco de contaminar o novo produto a ser envasado. Pela tecnologia Schütz-Vasitex, passa-se a ter sempre uma nova embalagem em cada envase, pois todas as partes em contato com o produto são trocadas por outras novas.

    QD – Quais são as principais vantagens dos IBCs antiestáticos?

    Cunha – Além de serem tecnicamente tão eficazes quanto as embalagens de aço em aplicações com produtos inflamáveis ou de baixo ponto de fulgor (<60ºC), os IBCs antiestáticos proporcionam os seguintes benefícios: evitam gastos com manutenção no reúso (reparos, troca de guarnições); evitam gastos com aluguel de frota (o custo deixa de ser variável para se tornar fixo, único, sobre cada mil litros de produto entregue); evitam custos com lavagem e descontaminação dos IBCs usados; e risco zero de contaminação, em razão das partes em contato com os produtos serem sempre novas.
    QD – Com a introdução dessa tecnologia de IBCs no Brasil, o Sr. acredita que outras empresas vão seguir o caminho da Vasitex e também lançá-la no país?

    Química e Derivados, Luiz Francisco da Cunha, Gerente-executivo da Vasitex, IBCs

    Luiz Francisco da Cunha: tecnologia de seis camadas substitui contêineres de aço

    Cunha – Existem outros fabricantes de IBCs no Brasil com possibilidade de adquirir equipamentos que permitam produzir IBCs com camada antiestática. Porém, somente a Schütz fabrica IBCs com seis camadas e, no Brasil, apenas a nossa empresa oferece soluções completas e integradas de logística, além da fabricação. Não basta produzir. É preciso ter infraestrutura, tecnologia e software para gerenciar a frota de IBCs em uso, malha logística para coletá-los depois de usados em todo o território nacional, licenciamento ambiental e certificações para descontaminá-los, reciclá-los e transformá-los em matéria-prima. Somente assim, evitam-se riscos ambientais inerentes ao ciclo de vida de uma embalagem industrial. Somente a tecnologia não seria suficiente para atender a todas as necessidades dos fabricantes de produtos industriais líquidos.



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