Logística, Transporte e Embalagens

IBCs – Mais seguros e fáceis de usar, contêineres querem aposentar o uso de tambores nos produtos químicos

Denis Cardoso
14 de agosto de 2009
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    Segundo o diretor da Tankpool, o custo de um IBC de mil litros equivale ao de cinco tambores de plástico de 200 litros, sendo que, na hora da armazenagem, um contêiner ocupa um espaço menor, equivalente a um palete de 1,20 metro quadrado, enquanto os cinco tambores ocupam uma área de cerca de 1,60 metro quadrado, ou seja, uma economia de mais de 20%. O formato dos IBCs, explicou Simson, também facilita o empilhamento e o transporte das embalagens – é possível empilhar três contentores cheios em cima do palete – e sua montagem sobre paletes permite reduzir os custos com mão-de-obra para carregar e descarregar os equipamentos. Além disso, ressaltou o executivo, o sistema de válvulas de descarga característico dos contentores proporciona maior rapidez no processo de desenvase e mais segurança contra acidentes ambientais, já que os seus mangotes permitem a transferência do líquido transportado para outro recipiente sem vazamentos. Outra vantagem do uso de contêineres em relação aos tambores destacada pelo diretor da NCG-Tankpool é o menor desperdício gerado na hora do desenvase. “Os IBCs quase não retêm resíduos, diferentemente dos tambores, onde sempre fica um restinho”, comparou.

    Assim como a Vasitex, a NCG-Tankpool também foi prejudicada pelas turbulências na economia global. Segundo o diretor-executivo da NCG-Tankpool, a crise, se não fez seus clientes mudarem o modo de transportar os seus produtos, acendeu um sinal de alerta em toda a cadeia produtiva, o que provocou uma paralisia momentânea no setor de embalagens. “O mercado de vendas e de aluguel de contentores, tanto dos recuperados quanto dos novos, praticamente parou no fim do ano passado e nos primeiros meses deste ano”, informou. “No entanto, os negócios voltaram a crescer nos últimos meses, sobretudo na área de produtos reciclados”, afirmou o diretor da companhia, que é especializada em coleta e reaproveitamento de embalagens usadas.

    Segundo Simson, mesmo com a crise, o faturamento da NCG-Tankpool ainda vai crescer entre 5% e 7% este ano em relação a 2008, embora em ritmo bem abaixo da taxa de expansão de 20% a 25% registrada pelo grupo nos três últimos anos. “Não é só pela crise que teremos um percentual menor de crescimento, mas também pela própria consolidação do mercado brasileiro de contêineres depois do forte ritmo de crescimento nesses quase dez anos de existência no Brasil”, avaliou o executivo.

    De acordo com Luis Fernando Trucharte, gerente de vendas da Fustiplast do Brasil, outra grande fabricante de IBCs plásticos de mil litros, depois de uma paralisação geral do setor, os negócios com IBCs estão perto da normalidade, principalmente as operações envolvendo o mercado interno. “Falta muito pouco para chegarmos aos níveis de 2008”, disse Trucharte, que ainda vê um enorme potencial de crescimento deste tipo de embalagem no Brasil. “Na Europa, o mercado de IBCs ainda cresce a uma taxa média de 10% ao ano, enquanto as vendas anuais de tambores estão estagnadas, com tendência de queda”, comparou o gerente da companhia, que também produz os tambores plásticos de 200 litros. Na Itália, onde fica a matriz da Fustiplast, a frota de tambores sofreu uma redução de 30% nos últimos cinco anos, passando de um total de 5 milhões de unidades para os atuais 3,5 milhões.

    Química e Derivados, Kleber André Ludovico, Gerente-comercial da Rentank, IBCs

    Kleber André Ludovico: inspeções periódicas tirarão irregulares do mercado

    Com cinco mil contentores alugados no mercado brasileiro, a Rentank está entre as companhias de embalagens químicas que mais sofreram com os efeitos negativos trazidos pela crise mundial. Isso porque ela atua no ramo de IBCs metálicos, de aço inox, produto de alto valor – seu preço de mercado é de R$ 7,5 mil (produto novo), enquanto um IBC de plástico sai por cerca de R$ 500. “Antes da crise, os fabricantes não faziam tanta conta na hora de optar por determinado tipo de embalagem e levavam em consideração, no caso dos IBCs, a sua praticidade, o fato de não arrastar muitos resíduos, a facilidade de armazenagem etc. Hoje, com a economia em baixa, muitos clientes estão mais cautelosos”, afirmou Kleber André Ludovico, gerente-comercial da Rentank. Nos últimos cinco anos, a Rentank registrou crescimento de 25% a 30% ao ano no mercado de locação de IBCs, segundo Ludovico. “Neste ano, devemos empatar com 2008 ou até mesmo reduzir um pouco os nossos negócios”, previu o gerente.

    Com tradição no mercado de aluguel de IBCs, setor em que atua há dezoito anos, desde que fechou seu primeiro grande contrato na área de perfumes com a Unilever, a Rentank viu, durante a crise, sair de suas mãos pelo menos um grande projeto envolvendo seus contentores metálicos. Trata-se de um negócio firmado havia dois anos com um importante cliente baseado em São Paulo. “Esse cliente resolveu devolver os nossos IBCs utilizados especificamente nesse projeto e voltou a usar tambores com o intuito de reduzir os seus custos, que estavam muito altos, pois a operação consistia no envio dos contentores alugados por nós para uma companhia do Rio Grande do Sul, que os mandava de volta após o escoamento do produto”, explicou o executivo, sem revelar o nome do cliente. “Nesse caso específico, trazer de volta o IBC para São Paulo estava ficando mais caro do que simplesmente mandar seus produtos em tambores que podem ser descartados lá mesmo no Rio Grande do Sul.”

    No entanto, na avaliação de Ludovico, o IBC continua sendo uma embalagem bastante vantajosa para os fabricantes de produtos químicos. “Não acho que o tambor voltará a ocupar o espaço que perdeu durante todos esses anos de crescimento do mercado de contentores”, afirmou o gerente da empresa com sede em Taboão da Serra-SP e fábrica em Porto Alegre-RS. Diferentemente das companhias que operam com IBCs de plásticos, a Rentank tem seus negócios concentrados na área de locação cativa de longo prazo. “Nesse caso, toda a logística é de responsabilidade do cliente”, explicou o gerente da empresa, que mantém,porém, uma unidade de serviços de descontaminação e inspeção periódica de contentores próprios e de terceiros (metálicos e de plástico) em Taboão da Serra.



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