Lubrificantes – Rerrefino amplia negócios e aprimora tecnologia

Revista Química e Derivados, Óleo rerrefinado na fábrica da Lwart

Revista Química e Derivados, Silvio Fante, Lwart, óleo
Fante: processo permite obter óleo do Grupo II

Amparada por uma legislação ambiental cada dia mais rigorosa, mas também por razões econômicas capazes de justificar o reúso de insumos, a atividade do rerrefino evolui não apenas no volume de óleos por ela processado, mas também em sua estrutura tecnológica. A Lwart, maior rerrefinadora do país, inaugura ainda em meados deste ano uma unidade produtiva na cidade de Lençóis Paulista-SP, onde garante que irá gerar óleo do Grupo II, por enquanto disponível no Brasil apenas mediante importação.

Inicialmente, produzirá 150 milhões de litros por ano desse óleo (em suas duas outras unidades, a empresa pode gerar 160 milhõesde litros de óleo do Grupo I). E a qualidade de óleo do Grupo II, afirma Silvio Fante, gerente industrial da Lwart, será atestada pela conformidade com as especificações estabelecidas pela API e pela ANP.

Segundo Fante, a empresa adotará o processo da Chemical Engineering Partners, no qual o óleo a ser rerrefinado passa por reatores de hidrotratamento na presença de catalisadores, sob alta pressão e temperatura. Isso remove átomos de enxofre e nitrogênio, quebra as duplas e triplas ligações químicas entre carbonos, gerando, assim, um óleo mais puro e estável. “Há uma grande ansiedade pelo início dessa produção, a oferta regular de óleo do Grupo II é requerida pelo mercado há muito tempo, e a importação é sempre sujeita a fatores comerciais ou logísticos”, explica.

Revista Química e Derivados, Manoel Browne, Lwart, óleos básicos importados
Browne: coleta de óleos usados aumenta no Brasil

Mesmo ofertando apenas óleo básico do Grupo I, o rerrefino segue crescendo no Brasil, como indica a Tabela 1. E deve se ampliar ainda mais com a contínua edição de normas ambientais, como uma portaria assinada há pouco mais de dois meses pelos Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente, que estabelece: até 2015, o índice mínimo de coleta para rerrefino de óleos lubrificantes usados ou contaminados deve chegar a 38,5% do total disponível para esse processamento (esse índice não discrimina óleos industriais dos automotivos).

Na opinião de Manoel Browne, gerente de meio ambiente e relações institucionais da Lwart, outros fatores, além das exigências legais e das razões econômicas, hoje estimulam essa atividade: “As empresas atualmente buscam certificações, e querem atender aos requisitos da sustentabilidade”, comenta.

Revista Química e Derivados, David de Andrade, Supply, óleos hidráulicos
Andrade: planta de Tapiraí (abaixo) pode regenerar óleo para clientes

Há questões capazes de refrear essa expansão. Segundo Walter Françolin, diretor executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais (Sindirrefino), existe enorme concorrência de óleos básicos importados, muitas vezes subsidiados em seus países de origem, dificilmente rastreáveis para as estatísticas do rerrefino. “Isso inviabiliza todos os investimentos voltados à garantia do modelo de logística reversa envolvendo óleos lubrificantes usados e do desenvolvimento sustentável”, observa Françolin.

Não obstante essas ponderações, quem atua nesse mercado segue investindo. Enquanto a Lwart conclui sua nova fábrica, a empresa Supply busca licenças ambientais para, em 2013, ampliar em pelo menos 50% a capacidade de sua planta, localizada no município paulista de Tapiraí.

Nessa unidade, o rerrefino é apenas uma das áreas de atuação (e não é a maior, posição que cabe ao tratamento e ao descarte de resíduos oleosos). Mas a Supply trabalha também com a chamada ‘regeneração’ do lubrificante industrial já utilizado: a empresa retira o produto na planta de um cliente, em seguida ele é submetido a diversos processos de limpeza e correção, após esta etapa o material é readitivado e depois

Revista Química e Derivados, Supply, Planta de Tapiraí
Planta de Tapiraí

devolvido ao mesmo usuário. “Esse cliente pode então aproveitá-lo nas mesmas aplicações anteriores”, afirma David de Andrade, presidente da Supply. Basicamente, só podem ser regenerados, ele ressalva, os óleos hidráulicos, de engrenagens e os óleos de guia e barramento, além dos óleos de usinagem.

Revista Química e Derivados, Lubrificantes, Tabela, Evolução da produção de óleo rerrefinado
Tabela 1: Evolução da produção de óleo rerrefinado – Clique para ampliar

Atualmente, afirma Andrade, a regeneração de óleos gera cerca de 15% da receita da Supply. “A regeneração vem crescendo, até mesmo por causa da ISO 14000, que tem entre suas premissas os chamados três Rs da sustentabilidade: reduza, reaproveite, recicle”, pondera. “Mesmo grandes empresas se valem da regeneração, hoje mais presente na indústria metal-mecânica e na injeção de plásticos”, finaliza o presidente da Supply.

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