Lubrificantes: Óleos e graxas sofisiticados ganham espaço

Um nicho particular da linha MRO é formado pelos lubrificantes conhecidos como Food Grade, utilizados pelas indústrias alimentícia, de bebidas, farmacêutica e de cosméticos. Como sofrem o risco de entrar em contato com produtos consumidos por seres humanos, eles são produzidos dentro de condições muito rigorosas. Em suas fórmulas, devem ser utilizadas apenas matérias-primas permitidas pela entidade norte-americana Food and Drug Administration (FDA). Antes de irem ao mercado, são avaliados para ver se atendem às normas idealizadas por instituições especializadas, caso, por exemplo, da alemã National Science Foundation (NSF) e registradas pelo Ministério da Agricultura.

Química e Derivados: Lubrificantes: Renata - Dow Corning não pensa em produzir lubrificantes no País.
Renata – Dow Corning não pensa em produzir lubrificantes no País.

Sob medida – Para atuar de maneira satisfatória em um mercado cada vez mais sofisticado, as empresas fornecedoras de lubrificantes, tanto os de especiais quanto os de convencionais, investem como nunca na montagem de times de vendas formados por técnicos especializados. Essas equipes trabalham sob encomenda. Elas avaliam e recomendam as melhores opções de produtos para cada tipo de aplicação, além de se responsabilizarem pela análise do desempenho dos óleos indicados durante seu uso e das instruções necessárias para que a manutenção dos equipamentos ocorra sem sobressaltos.

“Fazendo uma comparação grosseira, as empresas não podem fazer como muitos motoristas, que transferem a responsabilidade da escolha do óleo que vai colocar em seu carro para os frentistas dos postos de gasolina. A venda de lubrificantes é um assunto para engenheiros”, avalia Ferreira, da ChevronTexaco.

A importância da operação é reforçada por Renata, da Dow Corning. Para justificar sua opinião, ela cita uma pesquisa realizada nos Estados Unidos que calcula os prejuízos causados pela má lubrificação de componentes mecânicos naquele país em um valor equivalente a de 6% a 7% do PIB norte-americano. “Mesmo em um país com tecnologia bastante avançada, bilhões de dólares são perdidos pela adoção de medidas de lubrificação equivocadas”, enfatiza.

A especialização também é uma preocupação das empresas revendedoras de lubrificantes, que ocupam papel de destaque nesse mercado. É o que ocorre, por exemplo, com a Ipiranga Química, que comercializa não só os produtos fabricados pelo grupo petroquímico Ipiranga, a quem pertence, mas os de várias outras marcas, algumas das quais internacionais que representam no Brasil com exclusividade.

De acordo com Almir Ribeiro, gerente da unidade de negócios de formulados da empresa, o objetivo principal é vender soluções. O executivo ressalta que, nas aplicações mais complexas, caso seja necessário, os compradores podem contar com os serviços de consultoria dos centros de pesquisa ligados ao grupo Ipiranga.

Linhas completas – Todos os fornecedores de lubrificantes convencionais contam com amplas linhas de produtos dirigidas às mais diversas aplicações industriais. No segmento, é forte a presença das grandes marcas de petróleo, as mesmas que comercializam combustíveis e óleos lubrificantes para veículos automotores – caso da Petrobras, Texaco, Esso e Shell, entre outros nomes bastante conhecidos dos consumidores nacionais.

A ChevronTexaco produz no País cerca de 500 itens com a marca Texaco e comercializa outros 2 mil fabricados pela multinacional em suas plantas internacionais. A grande maioria dos produtos vendidos aqui são convencionais, apesar da empresa também importar, quando necessário, algumas fórmulas especiais, inclusive desenvolvidas a partir de bases sintéticas.

Química e Derivados: Lubrificantes: Adami - clientes querem concentrar as compras em único fornecedor.
Adami – clientes querem concentrar as compras em único fornecedor.

“Estamos no Brasil desde 1915 e nos encontramos entre as marcas líderes no segmento de lubrificantes industriais”, orgulha-se Ferreira. A empresa atende a todos os segmentos, apesar de dar prioridade a alguns setores que considera mais promissores. “Entre os nossos focos principais encontram-se as montadoras, indústrias de autopeças e usinas de açúcar e álcool. No momento estamos iniciando um trabalho no sentido de aumentar nossa participação dentro das fábricas de papel e celulose”, informa o consultor.

A ExxonMobil também conta com centenas de itens, voltados para as mais diversas aplicações em plantas de todos os segmentos da economia. O grupo petrolífero utiliza a marca Esso para seus produtos convencionais e a marca Mobil para os especiais, entre os quais os sintéticos, que nos últimos tempos vêm merecendo especial atenção do departamento de marketing da empresa.

Carros-chefes – A existência de empresas especializadas é uma característica marcante dos fornecedores dos óleos e graxas chamados de especiais. Todas de origem internacional, elas atuam no Brasil vendendo produtos importados ou produzidos por aqui a partir de componentes importados. Entre os produtos que comercializam para fins industriais, os carros-chefes são os do nicho Food Grade. A explicação para isso é simples. Mais do que nunca, os clientes ligados aos setores alimentício, de bebidas, farmacêutico e de cosméticos têm seus processos de fabricação controlados por normas rígidas, principalmente os exportadores.

A Klüber é uma empresa de origem alemã presente em cinqüenta países e com 14 fábricas instaladas em todo o mundo, uma delas no município de Barueri-SP. “Adotamos a filosofia de produção globalizada. Os produtos que fabricamos aqui são distribuídos em vários países e os que importamos são fabricados em plantas específicas”, explica a gerente Rosemeire.

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