Lubrificantes: Óleos e graxas sofisiticados ganham espaço

São Tomé – De acordo com os fornecedores de lubrificantes especiais, a procura pelos produtos mais nobres deve continuar a crescer de forma significativa nos próximos anos. Para isso, o setor conta com a conscientização crescente do mercado das vantagens que esses produtos apresentam sobre os convencionais em várias aplicações.

Química e Derivados: Lubrificantes: Contrucci - especiais passam a competir em algumas aplicações.
Contrucci – especiais passam a competir em algumas aplicações.

“Antes os especiais eram utilizados apenas em situações críticas, caso das que ocorrem em indústrias alimentícias ou nas plantas onde os equipamentos operam em limites extremos de temperatura, sujeitos a altas rotações e vibrações, ou expostos a ataques químicos. Hoje eles já competem com os convencionais em outras aplicações – como na lubrificação de compressores de ar, turbinas ou em alguns redutores”, garante Celso Contrucci, gerente nacional de vendas da ITW Chemical.

Não por acaso, todas as empresas do setor têm investido pesado em ações de marketing junto aos clientes para alardear o retorno financeiro proporcionado a longo prazo pelas formulações mais sofisticadas. “O uso de especiais proporciona redução de 50% de reposição de óleo para manutenção dos equipamentos, economia de 6% de energia elétrica e o aumento de 30% da vida útil e de 5% da eficiência dos equipamentos”, garante Renata Campos, gerente de vendas para a América do Sul da Dow Corning, multinacional de origem norte-americana que detém a marca de lubrificantes especiais Molykote.

Convencer os clientes que esses números são reais, no entanto, não é tão simples. “Por causa do preço dos produtos, nossas equipes de venda não conseguem obter sucesso se não provarem na prática a melhora da relação do custo-benefício”, revela Rosemeire Zilse, gerente de mercado da Klüber Lubrication, outra empresa que atua só no ramo dos especiais. Por isso, o jeito é apelar para o velho e bom teste de São Tomé – fazer testes em um dos equipamentos dos clientes para demonstrar os bons resultados.

Um exemplo do que ocorre na prática é dado por Galrão, da ExxonMobil. “Posso falar com isenção, já que nossa empresa dispõe das duas alternativas, convencionais e especiais. Vários clientes testaram a troca e hoje estão muito satisfeitos com os resultados”, garante. O executivo lembra do case de um cliente, uma empresa de grande porte do ramo de celulose cujo nome prefere manter em sigilo, que deixou de usar óleo convencional para adotar o sintético em cinco compressores de ar com, cada um, pressão máxima admissível de 7 kg/cm². “De acordo com o testemunho deles, a economia proporcionada por vantagens, como estender o intervalo das trocas de óleo, reduzir as trocas de filtros e economia de energia e de mão-de-obra, ficou em torno de R$ 32 mil nos primeiros quatro meses de uso. Em um ano esse valor deve chegar aos R$ 120 mil”, conta.

Convencionais – O crescimento da vendas dos lubrificantes especiais não vai tirar a folgada liderança dos produtos convencionais, pelo menos a médio prazo. Além de já serem velhos conhecidos do mercado, eles têm como grande vantagem o preço, mesmo levando-se em conta que os compradores opcionais precisam adquirir volumes bem maiores, já que os convencionais precisam ser trocados com maior freqüência. Até as empresas produtoras dos especiais admitem que, em determinadas situações, eles são muito competitivos e dificilmente serão substituídos.

Química e Derivados: Lubrificantes: Ferreira - uso de aditivos eleva preço dos lubrificantes.
Ferreira – uso de aditivos eleva preço dos lubrificantes.

Apesar de menos nobres, os convencionais também vêm alcançando constantes evoluções. Produzidos a partir dos óleos minerais resultantes do refino do petróleo, eles são classificados, de acordo com o tipo de petróleo utilizado e do nível de tratamento que sofrem, como pertencentes aos grupos 1, 2, 3 ou 4. “Alguns fatores, como as propriedades do petróleo nacional e as características de nossas refinarias, fazem com que no Brasil só sejam produzidos óleos lubrificantes do grupo 1, que são os menos sofisticados”, informa Antonio Carlos Ferreira, consultor técnico da ChevronTexaco.

Para compensar a deficiência e atingir o avanço de desempenho esperado pelo mercado, os produtores nacionais cada vez mais se utilizam do desenvolvimento de fórmulas criadas a partir da utilização de aditivos. Estes podem ser divididos em duas grandes famílias: a dos funcionais, usados para alterar as características dos lubrificantes, como aumentar a viscosidade ou proporcionar maior resistência à oxidação, por exemplo; e os não funcionais, indicados para que os aditivos funcionais não ataquem uns aos outros, integrem as fórmulas em perfeita harmonia.

Ferreira ressalta que o ideal é criar soluções que não utilizem grandes quantidades de aditivos. “Eles são importados e custam caro, aumentam muito o preço dos produtos finais”, justifica. Pelo preço e por outros motivos, o executivo não recomenda o uso direto de aditivos por parte dos usuários. “Muitos usam aditivos para tentar resolver um vazamento, adiar o reparo necessário de determinado equipamento. Mas é grande a chance que o uso de produtos em quantidades impróprias agravem o problema”, exemplifica o consultor.

Aplicações – De acordo com as funções às quais são destinados na indústria, os lubrificantes podem ser divididos em duas linhas de produtos. Uma delas, chamada de MRO, é voltada para a manutenção e reparo dos equipamentos e outras aplicações nas quais os óleos e graxas não participam dos processos de fabricação – caso dos óleos utilizados em circuitos hidráulicos. A outra, conhecida como PP, é composta por fórmulas que atuam diretamente nas operações de fabricação de peças nos processos de usinagem, forjaria, estampagem e fundição – um dos mais usados é o óleo de corte para tornos.

Página anterior 1 2 3 4Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios