Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Lubrificantes: Óleos e graxas sofisiticados ganham espaço

Jose P. Sant Anna
25 de novembro de 2003
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    Indústria valoriza os produtos com fórmulas inovadoras, que oferecem relação custo-benefício mais vantajosa e não agridem tanto o meio ambiente

    Química e Derivados: Lubrificantes: . O mercado nacional de lubrificantes voltados para a indústria vive o início de um processo de transformação, seguindo os passos das tendências verificadas nos países do primeiro mundo há alguns anos. Ainda que de forma incipiente, os óleos e graxas utilizados nos mais variados equipamentos instalados nas fábricas brasileiras estão ganhando importância estratégica, deixando de serem vistos como produtos secundários dentro das fábricas.

    Interesses econômicos de fornecedores e clientes ajudam a explicar a valorização. Os fabricantes de lubrificantes, interessados em vender formulações com maior valor agregado e obrigados a oferecer produtos que atendam às necessidades das máquinas modernas, que por serem compactas e produtivas trabalham em condições extremas de desgaste, investem pesadas somas para desenvolver produtos inovadores. Os responsáveis pelas indústrias, por sua vez, aproveitam a multiplicação de opções na hora da compra e passam a prestar atenção nas vantagens operacionais e na relação custo-benefício compensadora dos produtos mais sofisticados.

    Não deve ser esquecido um outro quesito também muito importante para a constante evolução do mercado de lubrificantes. Trata-se da crescente cobrança da sociedade por práticas industriais que preservem o meio ambiente. Os defensores da natureza cobram o desenvolvimento de óleos e graxas com vida mais longa, o que diminui consideravelmente o descarte dos produtos já utilizados. Eles também forçam a redução ou abandono do uso de substâncias consideradas nocivas nos produtos desenvolvidos – caso do boro, cloro, metais pesados, fenóis, cresóis, aminas, biocidas e outros produtos muito usados nas fórmulas do passado e que estão sendo descartados.

    Os fluidos comercializados no formato de aerossóis, muito úteis em determinadas aplicações, hoje já não contam mais em suas embalagens com os gases clorofluorcarbonicos (CFCs), condenados pelos danos causados à camada de ozônio. O gás foi substituído pelo dióxido de carbono (CO2) ou pelo propano-butano, selecionados de acordo com a necessidade. As pressões dos ecologistas influem até no projeto das embalagens dos lubrificantes, hoje mais reutilizadas ou recicladas.

    A multiplicação de opções de fórmulas passou a ser tema de discussão nos escalões de engenharia mais altos das indústrias de ponta, preocupadas em encontrar o produto mais adequado aos seus problemas. As empresas mais avançadas, inclusive, já estão instalando sistemas de lubrificação automatizados que, por meio de comandos eletrônicos, distribuem óleos e graxas nos locais estratégicos dos equipamentos.

    Química e Derivados: Lubrificantes: Galrão - sintéticos têm entre 1% e 1,5% do mercado.

    Galrão – sintéticos têm entre 1% e 1,5% do mercado.

    Especiais – O aumento mais significativo das vendas em todo o mundo ocorre no nicho dos chamados lubrificantes industriais especiais, mesmo levando-se em conta seus preços bem mais elevados em relação aos convencionais – em especial no Brasil, onde a grande maioria dos produtos disponíveis são importados e os poucos produzidos no País contam com matérias-primas importadas.

    Não existem números precisos sobre o mercado de lubrificantes especiais, mas as empresas do ramo estimam que hoje eles representam 10% do mercado brasileiro de lubrificantes industriais, calculado entre 1 milhão a 1,5 milhão de barris anuais. A produção total de óleos combustíveis no País, de acordo com a Agência Nacional do petróleo (ANP), ficou na casa dos 4,8 milhões de barris em 2002, valor que inclui os óleos utilizados para a lubrificação da frota de veículos e bem próximo do esperado para 2003.

    Entre os especiais, os lubrificantes mais nobres são os sintéticos, produzidos a partir de poliglicóis, óleos de silicone, ésteres, polialfaolefinas e substâncias fluoradas. Eles têm boa lubricidade, vida útil muito longa – chegam a durar oito vezes mais do que os convencionais –, maior resistência à degradação e à carbonização e suportam bem melhor os ataques químicos, inclusive de solventes. Em compensação, são os mais caros. Seus preços chegam a ser, em casos extremos, cerca de quinze vezes maiores do que os convencionais e, por conseqüência, os menos vendidos.

    “Acredito que eles representam entre 1% e 1,5% das vendas de lubrificantes industriais no Brasil”, avalia Galeno Galrão, gerente de vendas industriais da ExxonMobil, multinacional que comercializa os lubrificantes das marcas Esso e Mobil.

    Química e Derivados: Lubrificantes: Gazeta - semi-sintético é opção boa e de menor custo.

    Gazeta – semi-sintético é opção boa e de menor custo.

    Com preços menos salgados, os lubrificantes minerais especiais são derivados do refino de petróleo por tratamentos diferenciados em laboratórios, e recebem aditivos especialmente desenvolvidos para as funções às quais são indicados. Os minerais especiais apresentam alta lubricidade, mas são mais suscetíveis à degradação pela temperatura do que os sintéticos.

    Já os especiais semi-sintéticos são fabricados por meio da mistura dos sintéticos (de 20% a 30% da fórmula) com os minerais (de 70% a 80%). “É uma solução intermediária, que resulta em produtos muito bons com custos mais acessíveis do que os sintéticos”, explica Mario Gazeta, gerente de operações industriais da ITW Chemical, multinacional de origem inglesa que produz e vende no Brasil os lubrificantes industriais especiais da marca Rocol.

    Com a vantagem de serem biodegradáveis e de apresentarem boa lubricidade, os especiais produzidos a partir de ésteres vegetais prometem fazer muito sucesso no futuro, quando forem desenvolvidas fórmulas que tornem suas vidas úteis mais longas e resistentes às elevadas temperaturas. Por enquanto ainda são muito pouco utilizados.


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