Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Lubrificantes – Apelo ambiental impulsiona uso de óleos de fontes renováveis

Antonio C. Santomauro
15 de março de 2012
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    Agora, outro desafio se coloca para essa indústria: “É preciso encontrar matérias-primas renováveis com a mesma performance das demais”, destaca Rosimeire Zilse, gerente de vendas e marketing da operação brasileira da multinacional de origem alemã Klüber (do grupo Freudenberg).

    A própria Klüber lançou um lubrificante destinado à indústria naval composto por um óleo de origem 100% renovável, de origem não revelada pela gerente. “Ele é altamente adesivo, com excelente resistência à água, protegendo cabos de aço e engrenagens abertas da corrosão e do sal”, explicou Rosimeire. Brevemente, a Klüber colocará no mercado outro lubrificante “de origem totalmente renovável e biodegradável”, agora para engrenagens abertas e moinhos utilizados na mineração e na produção de cimento.

    Revista Química e Derivados, Rosimeire Zilse, Klüber, Freudenberg, matérias-primas renováveis

    Rosimeire: linha terá produto biodegradável

    A ITW Chemical, atuante no campo dos lubrificantes industriais com a marca Rocol, também amplia sua oferta de lubrificantes verdes. Recentemente, lançou um óleo de base vegetal para substituir o óleo mineral na parte hidráulica de equipamentos agrícolas, por exemplo, nas colheitadeiras de cana, que exigem lubrificantes capazes de suportar elevadas temperaturas e em regime de trabalho de 24 horas em cada um dos dias da safra. A ITW atende tal demanda com um produto que combina óleos extraídos de vegetais – como girassol e soja – com ésteres e aditivos.

    Óleos vegetais, explica Ricardo Neves, supervisor técnico da ITW Chemical, têm maior resistência térmica e, por isso, permitem ampliar significativamente o intervalo entre trocas do lubrificante dos equipamentos agrícolas: “Normalmente, a relubrificação de uma colheitadeira de cana é feita a cada oito horas, mas já conseguimos prolongar isso para até quinze dias”, ele detalha. “E, caso haja o rompimento de uma das mangueiras da colheitadeira, com o óleo vegetal não há contaminação do solo”, complementa Mário João Gazeta, diretor de operações da ITW Chemical, cujo portfólio inclui lubrificantes com bases de origem renovável também para uso em cabos de aço.

    A ITW desenvolveu também a linha Rocol Foodlube Extreme, fundamentada em polialfaolefinas e ésteres, capaz de ampliar o intervalo entre trocas nas peletizadoras de rações para alimentação animal. “Essa aplicação encontra temperatura constante de 140ºC, e a graxa comum vai embora rapidamente. Com nosso produto, o intervalo de lubrificação, antes situado entre seis e oito horas, chega até a setenta horas”, compara Neves. “Temos outro produto que inclui um pacote antidesgaste, antioxidante e de lubricidade para combater o micropitting (desgaste do metal), especialmente em engrenagens”, acrescenta o supervisor técnico da ITW.

    Novos horizontes – Há hoje na indústria de lubrificantes, como informa Rosimeire Zilse, da Klüber, uma demanda crescente por materiais autolubrificantes, nos quais um tipo de politetrafluoretileno (PTFE), ou um silicone, recobre os componentes a serem lubrificados, dispensando assim o uso de óleo ou graxa. Tecnicamente denominado coaching, tal solução ainda é majoritariamente empregada em componentes de automóveis e eletrodomésticos da linha branca. Mas ganha espaço também em equipamentos produtivos. “A indústria alimentícia já busca esteiras e correntes dotadas de coaching”, menciona a gerente da Klüber.

    Ela cita a geração de energia eólica e a indústria naval como segmentos de mercado que, embora por enquanto ainda pouco significativos, ampliam o uso de lubrificantes industriais. E afirma ser crescente no Brasil, ao menos no segmento dos sintéticos, a demanda por lubrificantes industriais: “E nós esperamos um 2012 melhor que 2011, aquecido especialmente em segmentos como indústria cimenteira e siderurgia”, projeta Rosimeire.

    Gazeta, da ITW, também prevê um desempenho comercial melhor no decorrer deste ano. Sua empresa amplia os negócios em setores como produção agrícola, indústria papeleira e transportes (especialmente ferrovias). “Desenvolvemos uma linha de graxas para trilhos de trens à base de óleos vegetais e ésteres”, especifica.

    A ITW, conta Gazeta, estruturou comitês globais para atuar com foco muito específico em segmentos como lubrificantes atóxicos, cabos de aço, limpadores e desengraxantes, energia eólica, entre outros. “Com exceção da indústria aeroespacial, o Brasil tem presença marcante em todos esses comitês”, comenta.

    O Brasil segue atraindo a atenção dos grandes players globais desse setor. É o caso da alemã Avia-Bantleon, que inicia em abril uma parceria comercial com a Lubrisint (antiga Lubriquim, nome agora reservado apenas a uma marca dessa empresa), com a intenção de participar de forma mais incisiva no mercado local.

    De acordo com Vinícius de Medeiros, diretor técnico e comercial da Avia-Lubrisint, além da tecnologia, a intenção é trazer ao Brasil produtos fabricados no exterior pela parceira internacional, com forte presença em segmentos de óleos hidráulicos, óleos de corte de alto rendimento e óleos protetivos, entre outros. Ao mesmo tempo, isso permitirá à Lubrisint colocar em outros países suas graxas, especialmente as aplicadas na indústria alimentícia. “Ainda neste ano, fabricaremos aqui e venderemos com a marca Avia algumas bases sintéticas, como polialfaolefinas e ésteres”, conta Medeiros.

     



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