Lubrificantes – Aditivos buscam suprir necessidades de usuários

Óleos básicos e aditivos buscam atender exigências do mercado

A demanda no mercado brasileiro de lubrificantes acabados em 2020 é estimada pela LubeKem em cerca de 1,2 milhão de toneladas, e deste total, 65% se refere a aplicações automotivas (PCMO, HDMO, MCO, ATF, HTF, outros lubrificantes automotivos).

Os lubrificantes industriais (óleos hidráulicos, óleos de engrenagens, metalworking fluids, óleos para motores industriais, graxas, outros industriais) respondem por cerca de 35% da demanda brasileira.

Para o mercado brasileiro de aditivos para lubrificantes a LubeKem estima um volume total acima de 120 mil toneladas em 2020, incluído neste total tanto os volumes de aditivos (single components) como de óleos básicos (diluentes) utilizados nos pacotes de aditivos formulados principalmente para o mercado de lubrificantes automotivos.

Formulação de lubrificantes

Além da diferença de market share entre aplicações automotivas e industriais no mercado de lubrificantes, também são significativas as diferenças na formulação química dos produtos.

Em geral, os aditivos (inclusos os pacotes de aditivos e componentes) respondem por 10% a 25% (em volume) da formulação dos lubrificantes automotivos, e por 1% a 9% (idem) nas aplicações do mercado de lubrificantes industriais.

Química e Derivados - Lubrificantes - Aditivos buscam suprir necessidades de usuários ©QD Foto: iStockPhoto

Principais aditivos para lubrificantes

Em geral, os aditivos são compostos químicos que, ao serem adicionados aos óleos básicos lubrificantes, aumentam a qualidade do lubrificante acabado, reforçando ou acrescentando algumas características desejáveis que melhoram o seu desempenho, ou eliminando riscos de o produto final apresentar propriedades indesejáveis.

São muito os compostos utilizados no mercado de aditivos: ácidos graxos, ácidos sulfônicos, aminas, compostos de zinco, fenatos metálicos, dissulfeto de molibdênio, grafite, naftalenos alquilados, OCP, poliacrilamidas, polímeros do silicone, PIB, PMMA, salicilatos metálicos, sulfetos e fosfitos orgânicos, sulfonatos metálicos, entre outros.

Em termos de volume, três tipos principais aditivos utilizados nas formulações para o mercado de lubrificantes acabados respondem por cerca de 2/3 da demanda total: modificadores de viscosidade (MIV), dispersantes e detergentes.

Aditivos antioxidantes e antidesgate também apresentam um consumo significativo no mercado total de lubrificantes, somando cerca de 13% da demanda total nas formulações.

Os aditivos utilizados em menor volume nas formulações de lubrificantes acabados abrangem emulsionantes, biocidas, inibidores de corrosão, agentes de extrema pressão (EP), PPD (pour point depressants), antiespumantes, entre outros.

Química e Derivados - Lubrificantes - Aditivos buscam suprir necessidades de usuários ©QD Foto: iStockPhoto

Modificadores de Viscosidade – Assim como qualquer outro fluido, os lubrificantes acabados também sofrem variação de viscosidade em decorrência da alteração da temperatura ambiental. Dessa forma, o aditivo modificador de viscosidade (ou aditivo aumentador do índice de viscosidade) tem como característica o fato de que suas moléculas se distendem conforme ocorre variação da temperatura, o que garante que o lubrificante se manterá sempre íntegro e funcional.

Os aditivos modificadores de viscosidade reduzem a volatilidade do lubrificante acabado, garantindo que eles mantenham suas características em temperaturas mais altas. Sem esse tipo de aditivo, o lubrificante aplicado em um sistema que opera em temperaturas mais extremas “escorreria” e perderia suas propriedades.

Dispersantes – Os dispersantes conservam a limpeza dos motores e equipamentos, mantendo os materiais insolúveis em suspensão no óleo lubrificante acabado. Esses aditivos dispersantes são atraídos para os materiais insolúveis por forças polares (processo físico) e a sua solubilidade no óleo mantém esses materiais em suspensão. O dispersante evita o agrupamento da fuligem, ou seja, mantém a impureza de forma isolada e pequena, evitando o entupimento das galerias de óleo.

Detergentes – Assim como os dispersantes, os aditivos detergentes nos lubrificantes também são responsáveis pela limpeza dos equipamentos. Esses aditivos, em geral, são destinados à lubrificação de motores e máquinas, e evitam a formação de resíduos de carbono que podem surgir durante a combustão. O detergente atua impedindo que as impurezas do óleo sejam depositadas na placa metálica.

Antioxidantes – Como o nome diz, os aditivos antioxidantes evitam as reações de oxidação em motores e máquinas, não permitindo a oxidação e a degradação do lubrificante acabado enquanto existir o aditivo.

Antidesgaste – Os aditivos antidesgaste são indicados nas formulações de lubrificantes acabados com objetivo de prevenir o contato direto metal-metal entre as superfícies lubrificadas. Seu mecanismo de atuação é verificado pela formação de um filme protetor (adsorção física) entre as superfícies metálicas.

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Outros aditivos:

• Anticorrosivos: Os inibidores de corrosão são utilizados para prevenir o ataque dos contaminantes corrosivos do lubrificante às superfícies metálicas dos motores e equipamentos. Seu mecanismo de funcionamento é a neutralização dos materiais ácidos e formação de uma película química sobre as superfícies metálicas.

• Antiespumantes: São utilizados para prevenir e reduzir a formação de espuma estável. Age principalmente na redução da tensão interfacial ar-óleo, dificultando a formação de bolhas.

• Agentes de extrema pressão (EP): São utilizados para reduzir o desgaste das partes metálicas e funciona com a ação reativa dos reagentes de extrema pressão sobre as superfícies metálicas, sob condições de alta temperatura.

• Biocidas: São “conservantes” que atuam de diversas formas, matando os micro-organismos e inibindo o crescimento microbiano.

Emulsificantes: Permitem a formação de uma emulsão estável entre água e óleo nas quais os óleos lubrificantes mantêm as suas características e propriedades principais, e a água atua como meio de refrigeração.

• Modificadores de fricção: Diminuem o coeficiente de atrito entre as peças em movimento, reduzindo o desgaste, o consumo de energia, a geração de calor, e a ocorrência de ruídos durante o funcionamento dos motores e equipamentos.

• PPD (Pour point depressant): Reduz o ponto de fluidez do lubrificante acabado, ou seja, reduz a temperatura mínima na qual o óleo deixa de fluir, garantindo a sua fluidez em baixas temperaturas.

Principais fornecedores de aditivos

Os quatro principais fornecedores de aditivos para lubrificantes no mercado global (incluindo pacotes de aditivos e componentes) respondem por quase 80% das vendas totais: Lubrizol, Infineum, Chevron Oronite e Afton Chemical.

Lanxess e Basf também se destacam no market share global de aditivos para lubrificantes. A lista de outros fornecedores inclui: Evonik, ENI, Croda, RT Vanderbilt, Dover Chemical, Metall-Chemie, Daelim, entre outros.

No mercado de lubrificantes, os segmentos de HDMO (heavy-duty motor oil), PCMO (passenger car motor oil) e MWF (metalworking fluids) respondem por aproximadamente 80% do consumo total de aditivos.

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Principais drivers e tendências para o mercado de aditivos

O mercado de lubrificantes acabados segue em constante evolução, pressionado tanto por fatores internos do mercado brasileiro como do mercado global de lubrificantes, óleos básicos e aditivos. Ao mesmo tempo, seguirá sendo impactado direta ou indiretamente por novos desenvolvimentos e fundamentos dos mercados de energia/petróleo, combustíveis e downstream entre outros.

Os produtores de aditivos terão novos desafios nos próximos anos, mas também novas oportunidades para aumentar o valor agregado dos seus produtos tendo em vista temas como:

• Economia de combustível e aumento da eficiência energética

• Redução do TCO (Total Cost of Ownership) das formulações

• Sustentabilidade e ESG (Environmental, Social and Corporate Governance)

• Ausência de emissões de VOCs (Volatile Organic Compounds).

• Impactos do Reach (programa europeu de Registration, Evaluation, Authorization and Restriction of Chemicals) e GHS (Globally Harmonized System of Classification and Labeling of Chemicals)

• Maior complexidade das formulações de lubrificantes

• Ênfase no atendimento de novos requisitos na aplicação, serviços técnicos e na busca de soluções tailor-made

• Aumento dos intervalos de troca de lubrificantes em motores, máquinas e equipamentos

• Aumento da demanda por soluções de reciclagem e o movimento em direção à lubrificação por quantidade mínima (Minimum Quantity Lubrication ou MQL)

• Aumento da demanda por lubrificantes para operações mais severas e por aplicações fill for life (sem necessidade de reposição)

• Aumento da demanda por lubrificantes sintéticos e semissintéticos

• Aumento da demanda de biolubrificantes

• Aumento da demanda de carros elétricos

Aumento da demanda nos próximos anos

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No mercado brasileiro de lubrificantes, apesar das incertezas da retomada sustentável do crescimento e da produção industrial para os próximos anos, em especial frente ao cenário político-econômico e das eleições 2022, as perspectivas são positivas no longo prazo.

O cenário de referência da LubeKem, apresentado em eventos recentes do mercado de lubrificantes, aponta perspectivas positivas para o crescimento da demanda com a projeção de atingirmos um patamar de cerca de 1,47 milhão de toneladas até 2030.

Apesar do crescimento previsto de mercado e além dos desafios já mencionados, este cenário traz muitas preocupações no que tange ao abastecimento futuro das principais matérias-primas das formulações (óleos básicos e aditivos) de lubrificantes.

O déficit total na balança comercial brasileira do mercado de lubrificantes, que já é bastante elevado, deverá crescer com a necessidade de aumento de importações de seus principais insumos para atender a demanda futura.

O AUTOR

Química e Derivados - Lubrificantes - Aditivos buscam suprir necessidades de usuários ©QD Foto: iStockPhoto
CLÁUDIO PEREIRA DA SILVA

Cláudio Pereira da Silva é Engenheiro de Produção, formado pela Escola Politécnica da USP, e estabeleceu sua própria empresa, a LubeKem Consultoria, em 2012, após mais de 25 anos de atuação nos mercados de química e petroquímica, óleos lubrificantes, óleos básicos e óleos de processo, em empresas como ABB, Oxiteno, Arinos Química, Chimex Brasil, APPL, Grupo Inversiones Mundial e Chemlube International, nas quais ocupou cargos de responsabilidade e liderança nas áreas de compras e procurement, vendas, desenvolvimento de novos negócios e comércio exterior. A LubeKem é uma empresa brasileira de consultoria da gestão, provedora de serviços e inteligência de mercado com foco principal no Brasil e América Latina, nos mercados de (a) lubrificantes, óleos básicos e óleos de processo (b) Q&P (commodities e especialidades), (c) Arla 32 e uréia grau automotivo e (d) O&G e combustíveis, principalmente em:

• Suporte no desenvolvimento de novos negócios e estratégias, gestão de riscos, gestão de cadeia de suprimentos e desenvolvimento de oportunidades de negócios no comércio exterior

• Inteligência de mercado, pesquisas, treinamentos, apresentações em eventos nacionais e internacionais, elaboração de artigos e publicações em mídias especializadas

• Certificações de Sistema de Gestão: ISO 9001, ISO 14001, Sassmaq

• Certificações de Produto: Certificações Inmetro para Arla 32 (AdBlue/DEF)

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