Logística – Oferta integrada se amplia com novos competidores

Revista Química e Derivados, Rubén Espinoza Muñoz, gerente de engenharia da Cesari, trem
Muñoz: trem deve entrar até outubro na base da Cesari

A Ritmo deve concentrar a estratégia em commodities agrícolas, contêineres, etanol e produtos siderúrgicos, com expectativa de movimentar um volume de 10 milhões de toneladas nos próximos cinco anos e quintuplicar a receita atual em uma década. Há a expectativa de investimento de 150 milhões de reais em dois anos, financiadores da compra de mil equipamentos. O propósito principal é tornar a intermodalidade entre ferrovia e rodovia um grande negócio para a ALL, grupo logístico que em 2010 teve EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 1,3 bilhão.

Mais multimodal – Além da movimentação dos “novos” competidores, as empresas tradicionais na logística química também caminham para a multimodalidade e a integração logística, ampliando as ofertas e conquistando novos clientes com esse perfil. A Cesari, com grande central logística em Cubatão-SP, por exemplo, comemora até outubro deste ano a concretização da construção de desvio ferroviário dentro do seu site. O entroncamento, já praticamente pronto, liga com 3.200 metros de trilho de bitola mista a central da empresa com a malha ferroviária da MRS Logística.

Revista Química e Derivados, José Roberto Torres, gerente comercial da Cesari, torres
Torres: licença para ampliar tancagem em Cubatão-SP

“A licença de operação sai em outubro e a partir daí o trem pode entrar”, afirmou o gerente de engenharia da Cesari, Rubén Espinoza Muñoz. Além dos trens da MRS, o desvio em bitola mista permite a entrada de qualquer outra concessionária, como a ALL ou a Ferronorte. Um trecho que promete ser utilizado deve interligar Cubatão com outra base da Cesari em Paulínia-SP, de 80.154 m2, também em fase final de construção e com tancagem com capacidade prevista de 11.500 m3. Mas são previstas rotas férreas até o Alto Araguaia-MT, por exemplo, para o transporte de fertilizantes e gesso.

Ao lado da parada do desvio férreo na Cesari, uma área também já conta com licença prévia de instalação para 117 tanques com capacidade total para 220 mil m3, um salto e tanto para a atual base instalada de tanques de 41 mil m3. “Podemos ir montando os tanques conforme a demanda”, explicou o gerente comercial José Roberto Torres. A área de armazéns sólidos da base de Cubatão foi duplicada, de 7 mil m2 para 14 mil m2.

Revista Química e Derivados, Gafor, frota caminhão
Gafor renova frota a cada dois anos e usa telemetria (abaixo) em transporte de maior risco

Além do transporte – Outra operadora logística importante, a Gafor, também leva a integração de serviços muito a sério. Além de contar com várias operações complexas em que se responsabiliza pela logística de todo o produto do cliente, como para a cadeia do PET para a M&G, em Suape-PE, de acordo com o diretor de negócios da Gafor, Sandro Norberto, o foco da empresa é sempre oferecer algo a mais do que o transporte. “Se for para brigar apenas por preço do transporte, a gente até desiste. O nosso negócio é participar da logística do produto do cliente”, explicou.

Nesse perfil de oferta, Norberto explica que a área de engenharia da empresa participa ativamente dos negócios, buscando soluções para melhorar a carga e a descarga do produto, para tornar a operação mais ágil e segura. Um exemplo é criar sistemas de bottom load de engate rápido, para carregamento de produto pela parte inferior do caminhão, que substitui

as bocas de visita. Essas aproximações com o cliente fazem ser comum a Gafor ter operações dedicadas de recebimento de cargas dentro das fábricas, como por exemplo a realizada no site da Suzano Papel e Celulose, em Suzano-SP, onde gerencia com funcionários próprios a entrada de mais de 30 produtos químicos consumidos na unidade, vindos não só de caminhões da Gafor, como de outras empresas. Os funcionários da Gafor fazem o check-list na entrada, escoltam o caminhão com uma viatura até o ponto de descarga e engatam o mangote no tanque. “Estamos negociando para replicar a fórmula em outras fábricas da Suzano”, revelou o diretor.

Revista Química e Derivados, Gafor usa telemetria em transporte de maior risco
telemetria

No mercado de etanol, a Gafor também atua na modalidade CCT e tem um contrato grande com a Raizen (Cosan, Shell e Esso). É aíresponsável pela operação da máquina colheitadeira e tratores, e pelo transbordo de cana para caçambas até o transporte de etanol para bases de distribuição e postos de abastecimento. Uma operação também importante é o transporte e o descarregamento de gases hospitalares.Segundo Norberto, além da integração logística, um cuidado que a Gafor tem cada vez dado mais atenção é com segurança operacional e patrimonial do seu transporte de produtos perigosos. “Estamos in­vestindo muito em treinamento e em sistemas de segurança, como a telemetria”, disse. Conforme ele, a Gafor destina 100 horas por colaborador por ano, bem acima da média do mercado, de 35 horas. “Quem transporta produto perigoso, precisa estar constantemente treinado. É o único jeito de evitar acidentes”, disse.

Revista Química e Derivados, Sandro Norberto, diretor de negócios da Gafor, transporte
Norberto: ofertas vão sempre além do transporte

Mas a outra maneira de ter a operação sob controle é o gerenciamento de risco, o monitoramento via satélite dos caminhões. A Gafor possui uma central de controle em São Paulo, que opera 24 horas e tem contato permanente com todos os caminhões em circulação pelo país (a Gafor tem mais de mil motoristas e mais de três mil equipamentos, de Manaus até países do Mercosul). Um recurso mais avançado, a telemetria, está sendo empregado nas operações de maior risco, no transporte de peróxido de hidrogênio, cloro e gases.

O sistema de telemetria monitora on-line a velocidade e outros parâmetros importantes, como as freadas bruscas, angulação e até se o caminhão está abusando de “banguelas” na estrada. “Isso dá uma segurança sem igual e faz o motorista aumentar sua dedicação. Nossa ideia é expandir o uso para a maior parte da frota”, disse Norberto. Outra preocupação com esses transportes de maior risco é reservar para a operação os melhores caminhões, com câmbio automático, air bag, freio ABS e leitores de sensores de rolamento. De forma geral, aliás, a frota da Gafor é renovada a cada dois ou três anos. Uma maneira, segundo o diretor, de permitir que o trabalho da pessoa mais importante do transporte de produtos perigosos, o motorista, seja um pouco melhor.

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