Logística – Oferta integrada se amplia com novos competidores

Antes de adquirir os negócios da Ultracargo, a Aqces já havia fechado um grande contrato com a Shell, para distribuição de combustíveis de aviação em oito aeroportos, dos quais cinco no Nordeste, dois no Sudeste e um no Distrito Federal. Trata-se de contrato de R$ 30 milhões ao ano e inclui, além do transporte, a gestão de abastecimento e controle dos estoques. Segundo Paolinelli, a experiência com a Shell, empresa considerada benchmarking em segurança, foi benéfica para reproduzir novos cuidados com os transportes realizados pela frota oriunda da Ultracargo. “Em comparação com a operação antiga, conseguimos reduzir pela metade os acidentes”, disse.

Também serão computados em breve como novos benefícios a renovação de frota e equipamentos para química e petroquímica em 2011, fruto de um aporte de R$ 30 milhões. Aliás, por ser gerida por um fundo de investimentos, a Aqces já conta com um planejamento de crescimento bem estruturado. Depois de começar com um faturamento de R$ 10 milhões em 2009, passar para R$ 100 milhões em 2010 (com a carteira da Ultracargo), a empresa projeta receita de R$ 250 milhões este ano, R$ 400 milhões em 2012 e, em 2015, deve chegar à marca de 1 bilhão de reais.

Paolinelli projeta esse crescimento baseado no desempenho do setor químico e petroquímico, de commodities agrícolas, do mercado de CCT e de commodities minerais para construção civil, mineração e siderurgia. Para atingir a meta, a empresa não deve medir muitos esforços, a se basear na sua postura agressiva tanto no aspecto de aquisições como de estratégia comercial. No já citado serviço de entrega de concreto, por exemplo, a Aqces partiu do zero, criando o mercado, e adquiriu 75 betoneiras para fazer a operação logística para as duas cimenteiras em obras pelo estado de São Paulo.

Integração verde – Outra empresa com a promessa de ampliar a oferta de logística integrada, depois de ter também passado por modificação sócio-estrutural, é a Getel, do grupo Ambipar. Após ter adquirido no final de 2010 todos os 168 equipamentos (entre tanques e porta-contêineres) da área de granel químico da Ouro Verde, importante transportadora com atuação entre as regiões de São Paulo, Bahia e Mercosul, a Getel pode agora incluir em ofertas para clientes químicos o extenso portfólio de serviços ambientais da controladora. Além disso, conta depois da aquisição com um total de 350 equipamentos apenas para o setor químico.

Revista Química e Derivados, Hélio Matias, diretor comercial da Getel, transporte
Matias: integração do transporte com serviços ambientais

“Vamos mostrar que muitas necessidades dos nossos clientes de transporte podem ser atendidas dentro de casa”, revelou o diretor comercial da Getel, Hélio Matias, oriundo da Ouro Verde, onde comandou as operações químicas da empresa por 15 anos na matriz em Curitiba-PR. O grupo Ambipar controla, incluindo a Getel, seis empresas, todas as demais com foco na gestão ambiental: a Ambitec, de gestão de resíduos e de serviços de mão de obra especializada; a Brasil Ambiental, de aterros para destinação final de resíduos; a Planeta Ambiental, de atendimento a emergências; a Bioland, de compostagem; e a Descarte Certo, de coleta, manipulação e reciclagem de lixo eletrônico.

Segundo Matias, o plano de estender as negociações para outras áreas do grupo é uma consequência natural que deve começar principalmente por meio da Planeta Ambiental, de atendimento a emergências. Isso porque todo transporte químico precisa por lei ser salvaguardado por uma empresa com essa finalidade. Mas após isso, por exemplo, poderá atender clientes com necessidade de dispor resíduos em aterros, que seriam transportados por caminhões da Getel para uma área da Brasil Ambiental. “Lógico que conseguiremos fazer um preço diferente, ao prestar dois serviços para a mesma empresa”, disse. Isso valeria também para qualquer outra demanda atendida pelas empresas do grupo, como a coleta de lixo eletrônico, remediação de área contaminada ou tratamento de água e efluentes.

Apesar da integração de ofertas ser um plano da Getel, o objetivo mais imediato é mostrar ao mercado sua nova estrutura. Isso é especialmente importante porque essa área de granéis químicos da Ouro Verde ficou ainda um tempo à venda, antes da decisão da Getel de comprá-la. E como esse processo foi feito às claras, com o conhecimento dos clientes, muitos migraram seus contratos para outros transportadores.

“Estamos em uma fase inicial, de reconquista de antigos clientes”, disse. Um muito importante, a Dow Química, para quem a Ouro Verde fazia 100% do transporte da cadeia de PU (TDI e poliol), começa a retomar os contratos e hoje já trabalha em regime spot com a Getel. Também as operações para a Bayer, para quem 40% dos produtos da cadeia poliuretânica eram transportados, hoje começam a ser retomadas. Um cliente importante da época da Ouro Verde hoje ainda atendido de forma integral pela Getel é a Petroquimica Rio Tercero, da Argentina, no transporte de TDI. Também a distribuição de gás da White Martins foi transferida para a nova controladora.

O negócio de embalados da Ouro Verde havia sido mantido pelos antigos donos. Mas recentemente se tornou também alvo de outra negociação. Dessa vez foi uma fusão com a América Latina Logística, a ALL, concessionária de transporte ferroviário (com malha de 22 mil km) que está investindo no modal rodoviário desde a compra da transportadora Delara há cerca de cinco anos. A fusão resultou na empresa Ritmo Logística, com faturamento de cerca de 300 milhões de reais, 700 equipamentos e 700 funcionários. As empresas apenas transferiram os ativos rodoviários de cada, sem as dívidas, e a ALL terá 65% da empresa e a Ouro Verde, 35%.

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