Logística – Oferta integrada se amplia com novos competidores

O outro trunfo para fechar a integração logística na Elog é a aposta na multimodalidade, em específico com a integração dos ecopátios com ferrovias. De acordo com Omar Passos, será feito em primeiro lugar um desvio no trilho da MRS Logística que passa na frente do Ecopátio Cubatão, que poderá transferir isotanques em vagões para outros terminais interligados ou para o Ecopátio Viracopos, em Indaiatuba, onde uma ferrovia da ALL, de bitola mista, passa por dentro de sua área imensa de 1.800.000 mil m2. “Mesmo com a ferrovia passando dentro de nosso terreno, precisaremos fazer um desvio da linha-tronco, criando uma estação de carga e descarga”, explicou.

O diretor da Elog acredita que as concessionárias de ferrovias têm interesse no mercado químico, em um primeiro lugar no fluxo de contêineres de carga seca. Na sua opinião, as negociações para esse transporte devem envolver principalmente clientes com grandes volumes planejados de transferência de carga, com capacidade de geração de escala e sem urgência. A indústria automobilística, eletrônica, ou algumas químicas da região de Campinas, poderiam ser clientes dessa rota férrea Cubatão-Indaiatuba. “É um modal complementar e não concorrente ao rodoviário. Quando o cliente precisar da carga rápido e em volume baixo, o caminhão vai ser sempre imbatível”, disse. Aliás, o Ecopátio Cubatão também centralizará as operações rodoviárias da Elog, que conta com Sassmaq e os outros registros para transporte químico.

Novo e experiente – A oferta de logística integrada também deve ser reforçada no Brasil nos próximos anos em razão da formação de uma outra empresa: a Aqces Logística, fundada no final de 2009 pelo fundo gestor de investimentos Green Capital e que estreou no ramo químico e petroquímico depois de adquirir, em março de 2010, a Ultracargo. A compra do braço logístico do grupo Ultra, por R$ 82 milhões, envolveu a armazenagem de sólidos, o transporte rodoviário e a logística interna em bases operacionais de Camaçari-BA e Mauá-SP, além de 12 filiais e cinco armazéns por todo o país e uma equipe de 650 pessoas. O terminal de granéis líquidos Tequimar, da Ultracargo, não entrou na negociação e continua sendo do grupo Ultra.

“Somos novos, mas já entramos no mercado com a longa experiência acumulada da Ultracargo. E o propósito é levar essa operação já consolidada ao nível mais alto possível de prestação de serviço”, disse o diretor-presidente da Aqces, Alysson Paolinelli. A estratégia denominada pelo executivo como de excelência operacional se resume principalmente à tentativa de se envolver ao máximo com o cliente, se possível não só na armazenagem e no controle do seu estoque como também na produção, para assim obter ganhos na logística do produto. “É mais fácil conseguir ganhos, para o cliente e para a Aqces, em outras etapas da cadeia produtiva do que precisar reduzir o preço do frete, cujas margens são muito apertadas”, explicou Paolinelli, profissional com experiência em grandes empresas de logística, como ALL e MRS.

Para elucidar sua linha de raciocínio, ele cita caso ocorrido no transporte de concreto que a Aqces realiza para duas grandes empresas do ramo, Cimpor e Camargo Corrêa. Para uma delas, Paolinelli afirma que foi feita uma análise para verificar qual era o maior custo na operação de entrega de concreto em obras civis. Foi descoberto, então, que a regulação da quantidade de concreto nos caminhões betoneiras era o fator encarecedor da operação. “Passamos a treinar os motoristas para que eles fizessem a dosagem correta de água na hora da entrega nas obras e isso economizou muito do cimento colocado nos caminhões para a entrega”, disse. Com esse ganho, a Aqces não precisou negociar reduções no preço do frete, o que está cada vez mais difícil com todos os custos fixos do transporte de cargas.

Revista Química e Derivados, Alysson Paolinelli, diretor-presidente da Aqces, produção
Paolinelli: envolvimento com produção de cliente

Esse tipo de oferta que envolve mais interação com a operação do cliente vai ser reproduzido em boa parte dos 85 clientes químicos e petroquímicos herdados da Ultracargo. “Estamos para ampliar o escopo do nosso serviço em empresas como Votorantim Metais, Braskem e M&G”, revelou Paolinelli. “Não queremos ser apenas uma transportadora”, disse. Isso porque também a Aqces, além de atuar no transporte com cerca de 850 equipamentos, tem já metade de seu faturamento oriundo em operações dedicadas de serviços. Trata-se de contratos de longo prazo, com gerenciamento de ativos para a operação. Um exemplo são os contratos de CCT (corte, colheita e transporte) para a indústria sucroalcooleira ou operações e transporte de toras para a indústria de papel e celulose.

Em um cliente químico, Paolinelli cita já um caso de agregação de serviço que resultou em ganhos. Ao assumir a carga e descarga da empresa, e criar uma rotina de 24 horas de trabalho, foi possível diminuir o número de equipamentos (carretas e cavalos mecânicos) utilizados para a operação de transporte, de 32 para 23, transportando o mesmo volume de produto. “O cliente só tinha estrutura para operar em dois turnos”, disse.

Ao controlar a armazenagem, a carga e a descarga dos equipamentos para o cliente, o presidente da Aqces acredita que pode maximizar o desempenho da operação logística e evitar aquilo que considera o grande patinho feio do transporte de cargas: o pagamento de estadia. “Isso encarece a operação de uma maneira evitável”, afirma. Com o controle nas mãos do operador logístico, os equipamentos só são usados quando necessários e ganham destino para outras operações, em outros clientes, quando possivelmente parados. “É um ganho para os dois lados.”

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