Logística, Transporte e Embalagens

Logística: Investimentos crescerão, mas ficarão abaixo do necessário para modernizar o país – Perspectivas 2018

Quimica e Derivados
13 de março de 2018
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    Para o setor químico em específico, 2018 deverá ser um ano importante em logística. Não porque há obras relevantes prometidas para sanar os muitos gargalos sofridos pela movimentação anual de 145,92 milhões de toneladas de produtos químicos em território nacional – a maior parte (entre 80% e 90%) via modal rodoviário. Isso até mesmo porque em um ano seria impossível resolver pelo menos parte dos problemas do setor nessa área, que demandam ações na maioria das vezes de longo prazo.

    Química e Derivados, Logística: Investimentos crescerão, mas ficarão abaixo do necessário para modernizar o país - Perspectivas 2018

    A importância do ano, na verdade, tem a ver com ação setorial, liderada pela Abiquim e em conjunto com o governo federal, cuja grande expectativa é começar a dar um rumo fundamentado para enfrentar questões que há muito tiram a competitividade da indústria apenas por conta das falhas estruturais do país em logística de cargas químicas. Trata-se da Agenda Estratégica de Logística, um amplo e aprofundado estudo desenvolvido pela Abiquim e pela consultoria Leggio, a pedido do próprio governo, por meio de acordo de cooperação técnica com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que reuniu de forma qualitativa e quantitativa 72 pleitos do setor em logística.

    Química e Derivados, Andréa: cargas químicas devem usar mais ferrovias e dutos

    Andréa: cargas químicas devem usar mais ferrovias e dutos

    Entregue ao Ministério dos Transportes em novembro de 2017 por membros da Frente Parlamentar da Química e da Abiquim, neste ano, segundo revelou a diretora de assuntos técnicos da Abiquim, Andréa Carla Cunha, a ação envolverá um corpo-a-corpo com governos estaduais, principalmente os mais envolvidos com o setor – São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. “Vamos trabalhar para que eles incluam os pleitos do estudo em suas agendas de governo”, diz Andréa.

    Segundo ela, de forma detalhada e especificando sugestões e problemas, o pano de fundo da agenda é fomentar a multimodalidade do setor, usando como benchmark a experiência dos Estados Unidos, assim como o Brasil um país continental e com indústria química importante. E aí as sugestões levam a um mesmo caminho: fazer o país seguir o modelo americano, no qual grandes distâncias, acima de 2 mil km, usam modais com alta capacidade de carga, no caso americano a ferrovia, restringindo o modal rodoviário a distâncias inferiores.

    No Brasil, segundo o estudo, 81% da carga química transportada acima de 2 mil km usa caminhões e o restante navegação de cabotagem. Já nos Estados Unidos, nessas distâncias, o modal rodoviário responde por 43,1%, a ferrovia por 54,2%, as hidrovias e a cabotagem por 2,2% e 0,6%, dutos. O predomínio do modal rodoviário no Brasil, aliás, abrange todas as distâncias, por exemplo entre 1.500 e 2.000 km os caminhões chegam a atender 97% dos transportes.

    Pela proposta da Agenda, que usa pleitos detalhados (citando locais das intervenções inclusive), o país partiria para uma estratégia de privilegiar a navegação de cabotagem em primeiro lugar e depois as ferrovias para atender os transportes de média e principalmente longa distância. As vantagens, explica o coordenador-executivo da comissão temática de logística da Abiquim, Rodrigo Falato, seriam inquestionáveis. “Não somos contra os caminhões, fundamentais na matriz, é só uma questão de usar o modal mais seguro e viável economicamente para o perfil do percurso”, diz. Falato cita o fato de que uma barcaça equivale a 15 vagões e a 58 carretas. “Isso significa muito menos risco no transporte e dá economia de escala.”

    Dentre os 72 pleitos, a Abiquim considera cinco deles os mais importantes: 1) fomento à criação de rotas de navegação de cabotagem para granel líquido; 2) aprofundamento do canal de acesso e calados de atracação do Porto de Santos e Aratu; 3) aumento da oferta de terminais portuários dedicados a granéis líquidos no litoral do Brasil; 4) compatibilidade da infraestrutura existente das diferentes malhas ferroviárias; e 5) ampliação da infraestrutura de carga e descarga para acesso ferroviário ao Porto de Aratu. “São todas ações implementadas ou induzidas em sua maioria pelo governo federal”, diz Andréa.

    Na quantificação da Agenda, caso os 72 pleitos sejam implementados, a matriz nacional de transporte de químicos seria totalmente invertida. A mudança mais nítida seria para transportes acima de 2.000 km: a cabotagem e hidrovias responderiam por 67%, enquanto o modal rodoviário cairia para 31% e a ferrovia iria para 2%. As ferrovias nesse cenário cresceriam mais nos fretes entre 1.500 e 2 mil km, com 43% (e 22% ferrovia e 35% rodovia). Um “bônus” com a adoção das medidas seria a economia de combustível, que segundo o estudo seria de 818 mil m³ ao ano, com potencial de mitigação de CO2 de 2,14 milhões de t/ano.



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