Logística, Transporte e Embalagens

Logística – Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

Marcelo Fairbanks
7 de novembro de 2008
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    “O projeto inicial da fábrica de Ipojuca era voltado mais para a exportação do PET do que para o abastecimento nacional, situação que se inverteu por razões de mercado”, explicouJosé Eduardo Sartor, gerente de logística da M&G. Os planos iniciais previam que 90% da produção seria enviada para o porto, mas, atualmente, a distribuição de cargas entre os modais marítimo e rodoviário é equivalente (50%-50%). Ele informou que há oferta de fretes rodoviários no sentido Nordeste-Sudeste com preços interessantes, por se tratar de retorno dos veículos. Atualmente, a empresa mantém oito transportadoras nesse trajeto, todas certifi cadas no Sassmaq.

    O uso da navegação de cabotagem exigiu elaborar um sistema complexo para levar a resina plástica aos clientes. “Montamos um sistema com a Gafor, a Aliança Navegação e a Ultracargo que funciona muito bem e com custos adequados”, afi rmou Sartor. A Gafor responde pela perna rodoviária da fábrica ao porto. De lá, a responsabilidade passa para a Aliança, que se encarrega de levar o produto até o porto de Santos e de lá até o terminal intermodal de Paulínia- SP (TIP) por ferrovia (da ALL). Do TIP até os grandes clientes, a entrega é feita pela Ultracargo, que emprega equipamentos específi cos, como carretas com sistema pneumático de descarga e inclinação por pistão. Esse tipo de transporte é feito em contêineres com proteção interna (liner).

    “Atendemos os pequenos clientes a partir do TIP, mas, nesse caso, a resina sai da fábrica em big bags e viaja em caminhões”, explicou Sartor. “Ninguém põe a mão na resina, pois tudo é feito com equipamentos.”

    Os clientes situados no entorno da fábrica são abastecidos pela Gafor, que usa carretas dedicadas e equipadas para esse fi m. Sartor comenta que essas entregas apresentam um custo equivalente a 0,5% do valor da resina transportada. Em comparação, o custo de transporte até São Paulo é dez vezes maior (ou 5% do valor da resina). “Temos por meta usar mais a cabotagem, evitando trafegar pelas estradas ruins do interior do país”, afi rmou. Atualmente, no caso das entregas porta a porta, a cabotagem acaba custando mais caro que o caminhão. Para reduzir o custo, Sartor pretende usar contêineres de 40 pés carregados com big bags. “Suape é um bom porto, com calado adequado e operação moderna, mas sofre com o baixo fl uxo de cargas, o que nos obriga a devolver alguns contêineres vazios”, disse. A M&G e a Gafor desenvolveram um trabalho para remoção do liner usado, que é prensado e enviado para uma empresa especializada em reciclagem situada em Conchal-SP.

    “A região de Suape, ao contrário de Camaçari-BA, um pólo petroquímico já estabelecido, não contava com transportadores especializados, nem com uma estrutura de apoio ao transporte químico”, afi rmou Sartor. Entre as exigências, estava prevista a instalação de uma fi lial local, com a incumbência de apoiar a qualifi cação de transportadores locais. “A Gafor cumpriu bem todas as determinações”, disse. “Abrimos uma fi lial em Ipojuca com certifi cação ISO 9001 e Sassmaq para acompanhar as exigências da M&G e apoiar as empresas locais”, comentou Aymard.

    Avanço no Mercosul – A Gafor pretende ampliar sua atuação regional, especialmente no âmbito do Mercosul. O plano foi reforçado com a compra da DM Logística, considerada a transportadora rodoviária mais ativa nas rotas para o Chile, a Argentina e o Uruguai. “Ainda estamos terminando a integração das companhias, mas seremos líderes regionais”, comentou Aymard. Segundo informou, a DM apresentava grande diversifi cação de segmentos atendidos, incluindo autopeças, alimentos e químicos.

    Além disso, a Gafor ganhou a concorrência para distribuir solventes da marca Esso na Argentina, atividade que desenvolve no Brasil. Essas operações justifi cam investimentos em suporte operacional nos principais trajetos.

    A Gafor também atua em duas situações de integração profunda com clientes, chegando a desenvolver atividade fabril. A fabricante de papéis auto-adesivos Arconvert contratou a empresa para produzir e distribuir seus produtos no Brasil, usando sua marca e tecnologia. Também a unidade de solventes da Esso transferiu para a Gafor toda a sua distribuição de produtos. Em ambos os casos foi preciso abrir subsidiárias dedicadas. “Não dá para dizer que isso constitui uma tendência de mercado. Trata-se de duas boas oportunidades que foram aproveitadas”, explicou Aymard.

    O diretor de negócio considera mais provável ampliar o portfólio de serviços logísticos oferecidos, a exemplo do que faz para um grande produtor de celulose. “Fazemos toda a logística de suporte ao plantio das fl orestas com armazenagem de insumos e ferramentas, logística reversa para resíduos e outros itens necessários”, explicou. Para o futuro próximo, ele prevê uma redução da atividade econômica, com duração e intensidade ainda impossíveis de estimar. “Começa a faltar dinheiro no mercado e o que estiver disponível terá custo elevado”, afi rmou.

    Terminais em alta – Nascida como transportadora rodoviária especializada em produtos perigosos, a Ultracargo tem atualmente a operação de terminais como atividade principal. “Cerca de 65% da receita da empresa é obtida nos terminais portuários e no interior do país”, afi rmou Ricardo Marcos Garvizu Flores, diretor de desenvolvimento e projetos.

    Química e Derivados, Ricardo Marcos Garvizu Flores, diretor de desenvolvimento e projetos, Logística - Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

    Ricardo Marcos Garvizu Flores: viagens entre terminais proporcionam maior eficiênica

    Ele explicou que a mudança de perfi l começou na década de oitenta, durante a reestruturação do pólo petroquímico de Camaçari. O grupo Ultra previu que a atividade química fi caria cada vez mais ligada ao comércio exterior e, por isso, demandaria mais instalações adequadas para estocagem. O grupo arrematou então a Tequimar, com instalações no porto de Aratu-BA, hoje capaz de armazenar 180,5 mil m³. Em 2008, em nova rodada de reestruturação setorial, a Ultracargo comprou a União Terminais, pertencente à holding Unipar, conquistando espaço privilegiado no porto do Caju- RJ e mais que duplicando sua capacidade de armazenamento em Santos (tinha 115 mil m³ no terminal intermodal – TIS e recebeu 121 mil m³). “A União contava com um parque de tanques de capacidades variadas, com boas linhas de píer, que oferecem grande fl exibilidade operacional”, explicou Flores. Em Santos, a Ultracargo detém área para expandir em 20% sua tancagem.

    Com a União veio um terminal para 17 mil m³ no Caju, porto pequeno, porém estratégico. Essa região portuária está muito congestionada, mas ainda é inviável investir em Sepetiba-RJ, segundo comentou o diretor. Por isso, a empresa estuda ampliar as instalações do Caju. “Temos uma boa área de engenharia para projetar novos terminais e ampliações”, afi rmou.

    Em Suape, a empresa ergueu tancagem para 48,5 mil m³, tendo em vista o forte crescimento regional. Há projeto de ampliação do calado do porto para 18 metros, permitindo maior utilização, além de incentivar o investimento em terminais para químicos e outros.

    No interior do país, a empresa conta com 8,6 mil m³ de tancagem em Paulínia, dentro do TIP. A expectativa de crescimento desse terminal está ligada ao fl uxo de etanol, pois a ferrovia demonstra pouco interesse em carregar produtos químicos. “A ALL declarou ter interesse em levar um milhão de m³ de etanol para Santos durante 2009, um volume recorde”, comentou. A tancagem do TIP é considerada de giro de produtos, com alta movimentação, que pode chegar a seis vezes a capacidade estática.

    Também o terminal de combustíveis de Montes Claros- MG tem essa característica, girando de cinco a seis vezes por mês os 4,4 mil m³ de capacidade de seus tanques. “Esse terminal é independente das distribuidoras e recebe produtos vindos de Betim-MG por ferrovia”, explicou. Flores apontou para o movimento de consolidação na área de terminais de carga, formando grandes grupos capitalizados e tecnicamente capazes para investir em novos projetos. Ao mesmo tempo, o fortalecimento dos terminais evidenciou que a efi ciência da frota de veículos da Ultracargo aumenta quando prioriza a movimentação entre terminais, especialmente entre portos e interior. “Passamos a operar em menor número de rotas, com melhor estrutura de apoio, usando equipamentos cada vez maiores e adequados para essas transferências”, informou. A transportadora possui estrutura própria de atendimento a emergências e toda a frota, própria ou de agregados, é rastreada.

    Outras empresas do grupo, como a Oxiteno e a rede de postos Ipiranga, são clientes da Ultracargo, sem nenhuma vantagem. “Tanto que operamos mais no in bound da Oxiteno, no qual conseguimos agregar mais valor, do que na entrega dos produtos”, comentou.

    A empresa começou a atuar com granéis sólidos há dez anos. Atualmente, possui 121 equipamentos para transporte voltados, principalmente, para resinas termoplásticas. Também conta com equipamentos dedicados para transportar catalisadores para refi no de petróleo, vendidos no Brasil e na Argentina. Recentemente, a empresa ingressou no transporte de alimentos, como farinha de trigo e açúcar.

    Em geral, o transporte de granéis sólidos é feito com vantagem em contêineres com liner, o que facilita o uso posterior. “Os contêineres podem ser usados em todos os modais, podem ser empilhados e deixam os caminhões livres para rodar mais”, explicou.

    No ramo dos sólidos, a Ultracargo também opera com produtos embalados, podendo assumir a operação de acondicionamento nos tipos mais adequados aos modais de transporte e ao interesse dos contratantes. A companhia oferece armazéns próprios para sólidos em Tatuí-SP (rodoferroviário), Camaçari, Suape e Mauá-SP. Neste lugar possui armazém com áreas separadas para produtos químicos e para insumos farmacêuticos e cosméticos, cujas atividades começaram em julho deste ano.

    Em abril de 2007, com a compra da Petrolog, a Ultracargo ingressou nas atividades de logística interna (in house), modalidade na qual gerencia todas as movimentações dentro das fábricas dos clientes, até a embalagem e expedição dos produtos. Esse serviço está sendo aplicado em Paulínia-SP, em uma nova produtora de polipropileno. Para esse cliente, a empresa também transporta o propeno obtido na refi naria de São José dos Campos-SP, operação para a qual contribuiu a experiência de décadas com GLP. A empresa possui um terminal específi co para receber esse gás no porto de Santos.



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