Logística, Transporte e Embalagens

Logística – Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

Marcelo Fairbanks
7 de novembro de 2008
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    Química e Derivados, José Roberto Torres, gerente comercial, Logística - Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

    José Roberto Torres: transporte químico domina 70% dos negócios

     

    As cargas químicas quase sempre se enquadram nos carros-tanques, isotanques ou contêineres, estes dois cada vez mais usados pela sua praticidade. A Cesari mantém uma frota de 120 isotanques próprios e 150 alugados para atender aos clientes. Além de oferecer serviços adicionais, como o aquecimento dos isotanques, a empresa montou estrutura para sua limpeza e manutenção, sendo capaz de tratar 30 unidades por dia, contando com piscina para retenção de líquidos contaminados para tratamento posterior e está instalando um queimador de gases para satisfazer a norma ISO 14001 e a legislação ambiental. “Vamos ampliar a capacidade para 40 isotanques tratados por dia e prestaremos serviços para outras empresas”, afi rmou, ciente do novo módulo do Sassmaq, no qual pretende se certifi car.

    A empresa atua também com cargas complicadas como o dicloroetano, possuindo equipamento específi co. O transporte do corrosivo ácido clorídrico é feito, habitualmente, sem problemas. “Não temos casos de vazamentos nas válvulas, um ponto crítico, há doze anos”, afi rmou Torres. A empresa desenvolveu uma válvula para esse produto, feito de polipropileno reforçado com aço inox e fi bra de vidro. Transportes de cloro são feitos em equipamentos especiais, dotados de válvulas angulares feitas especialmente para esse fi m.

    José Walter Gamba, gerente-administrativo de logística externa da Cesari, informa que 80% da frota total (incluindo os cavalos mecânicos de agregados) é equipada com rastreadores que permitem saber onde está cada veículo instantaneamente. Isso aumenta a segurança do transporte, impedindo paradas não-previstas e alterações na rota sem justifi cativa prévia. “Alguns clientes acompanham on-line o trajeto das suas cargas, usando uma senha de acesso”, explicou.

    Química e Derivados, José Walter Gamba, gerente-administrativo de logística externa da Cesari, Logística - Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

    José Walter Gamba: pontualidade dos serviços fica perto de 100%

    Gamba atende aos clientes sem contrato de longo prazo, fatia que corresponde a 20% do volume transportado. Isso signifi ca lidar com quase 250 clientes diferentes por ano. “Muitas vezes esses pedidos são feitos para atender a necessidades específi cas de clientes de longo prazo, porém fora do escopo de seus contratos”, explicou. Entre as atividades do gerente estão a verifi cação de conformidades com normas ISO 9001 e 14001, Sassmaq e outras, além de avaliar a satisfação dos clientes com o serviço prestado. “Nossa pontualidade fi ca próxima de 100%”, disse.

    Em todas as suas atividades, a Cesari movimenta entre 80 mil e 100 mil t/mês de produtos. Segundo Borlenghi, o bom desempenho da economia nos últimos anos estimulou o setor logístico nacional. “O transporte de granéis líquidos, por exemplo, cresce cerca de 10% ao ano”, afi rmou. A empresa verifi ca que as operações de armazenagem estão em forte evolução, representando quase o mesmo volume que transporta. Ele atesta o interesse demonstrado pelos clientes em transferir mais serviços para os operadores.

    Diversificação – A Gafor sempre apostou na diversifi cação de segmentos atendidos, modais de transporte e nas modalidades de serviços prestados aos clientes. Atualmente, sua atuação é tão variada que pode se limitar ao simples transporte de produtos ou absorver toda a distribuição da linha completa de um cliente, incluindo a área de vendas.

    A estratégia se mostra oportuna. “O transporte químico atraiu muitos novos players e isso derrubou o preço dos fretes”, avaliou Philippe Aymard, diretor de negócios do grupo Gafor. Pioneira do Sassmaq, a empresa assiste a uma redução paulatina na relação risco/retorno no setor de transportes. “Embora alguns produtos representem um risco enorme, sempre haverá alguém disposto a transportá-lo por um preço menor”, afi rmou. Para ele, isso decorre do equilíbrio entre oferta e demanda, sem representar nenhum perigo para a sustentabilidade das empresas.

    Química e Derivados, Philippe Aymard, diretor de negócios do grupo Gafor, Logística - Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

    Philippe Aymard: diversificação de serviços gera bons

     

    Ao assumir responsabilidades abrangentes com seus clientes, aumentando a complexidade operacional, a idéia é buscar melhor remuneração e difi cultar a substituição por concorrentes. O problema é identifi car o quanto se consegue agregar em valor para que o cliente aceite pagar mais pelo serviço. “O serviço adicional precisa gerar uma economia para o contratante e, com base na redução de custos, é possível negociar uma partilha satisfatória de ganhos”, explicou. Ao mesmo tempo, a empresa se esforça para aumentar sua efi ciência e reduzir custos, ganhando competitividade.

    O contrato mais recente nesse sentido foi fi rmado há alguns meses com o grupo sucroalcooleiro Cosan. A Gafor, que já transportava álcool, vai assumir a responsabilidade por uma grande parte do corte e transporte de cana-de-açúcar da Usina Bonfi m a partir de abril de 2009 (início da próxima safra). “Vamos assumir a operação existente, mas colocaremos novos equipamentos”, explicou Aymard, salientando que os volumes previstos são gigantescos. O plano de corte será determinado pela usina e informado para a Gafor, que terá instalações na área da usina.

    A empresa transporta álcool e combustíveis para Minas Gerais, Goiânia e Brasília, além de coletar biodiesel puro (B- 100) nos produtores para levá-lo para as bases de distribuição, onde será misturado ao diesel para formar a mistura B-3. “Ainda temos espaço para crescer no transporte de biodiesel e subprodutos, como a glicerina”, avaliou.

    O futuro do transporte de etanol estará nas dutovias, que conduzirão o combustível do interior do país para os portos. O modal rodoviário deverá fi car com a captação do álcool nos produtores e a sua condução para as portas de entrada dos grandes dutos. “Isso provocará a mudança do perfi l da frota, que se tornará mais adequada para curtas distâncias e alta produtividade”, prevê Aymard. Atualmente, as grandes carretas que descem a Serra do Mar rumo ao porto de Santos são pouco produtivas. Segundo o diretor, elas fi cam entre 14 e 16 horas paradas na fi la de descarga. O grupo empresarial tem interesse em participar do investimento e operação dos dutos, mas ainda depende de defi nições quanto ao tipo de participação que será admitida.

    Na área química, a Gafor mantém três operações exemplares de atuação abrangente. A primeira é a operação de abastecimento e escoamento de produtos (in bound e out bound) entre o porto de Santos e o sítio fabril da Basf em Guaratinguetá-SP. Trata-se de atividade crítica, na qual os atrasos podem signifi car a parada de uma linha de produção. Trafegam pelo sistema estireno, benzeno, vernizes, agroquímicos e outros.

    A Basf bancou a construção do terminal ferroviário de Guaratinguetá, etapa necessária para viabilizar economicamente o projeto que é operado pela Gafor. “O terminal lida com contêineres e é uma plataforma para novos negócios na região”, comentou Aymard, que procura mais clientes para usar a estrutura disponível. A ferrovia também leva granéis líquidos para a Basf, com enchimento dos vagões feito na União Terminais (pertencente ao grupo Ultra).

    Aymard avalia que essa ligação ferroviária apresenta dois grandes gargalos. A travessia da região metropolitana de São Paulo precisa ser feita nos curtos intervalos dos trens de passageiros, pois usa os mesmos trilhos. Isso exige elaborar um planejamento cuidadoso das operações e seu cumprimento com pontualidade. O segundo gargalo é a descida da Serra do Mar, operada pela MRS com exclusividade, com limitações inerentes ao método (cremalheira). “Como é um sistema complexo, mantemos um esquema paralelo de contingência com caminhões”, comentou.

    Ele mencionou que a demanda por fretes cresceu signifi – cativamente nos últimos meses, mesmo nas rotas paralelas às ferrovias. “Os caminhões respondem mais rápido às variações de demanda”, salientou. Mas a ferrovia pode levar mais carga, com menor custo, dependendo de estabelecer um fl uxo regular de produtos. Por isso, o modal é muito usado por minério de ferro, produtos siderúrgicos e combustíveis.

    A Gafor também assumiu a operação logística de um produtor de peróxido de hidrogênio no Espírito Santo, mantendo um funcionário dentro da fábrica para elaborar o planejamento tático da distribuição, feito com base nas informações dos estoques dos clientes que são monitorados on-line pelo produtor. “Estamos muito integrados ao processo produtivo e à demanda pelo produto”, comentou Aymard. O peróxido viaja de caminhão em isotanques que podem ser embarcados em navios nos portos de Vitória-ES ou Santos-SP, dependendo do seu destino.

    PET multimodal – Outra operação química relevante se encontra na fábrica da M&G em Ipojuca-PE. A Gafor venceu a concorrência para assumir todo o transporte entre o porto de Suape e a fábrica, nos dois sentidos (in bound e out bound). A M&G importa ácido tereftálico purifi cado (PTA) em pó do México, na média de 1,2 mil contêineres de 20 pés por mês (27,5 t cada), com o qual produz resina PET que precisa ser levada para todo o país e para exportação.



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