Logística, Transporte e Embalagens

Logística – Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

Marcelo Fairbanks
7 de novembro de 2008
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    Desafio do álcool – Antes de a crise do subprime entulhar o noticiário econômico com tintas sombrias, a idéia dominante era transformar o Brasil no maior fornecedor de combustíveis “verdes” do planeta, com ênfase no etanol de cana-de-açúcar. Nos últimos anos, novas destilarias surgiram, aumentando a oferta do combustível. Falava-se em exportar dentro de alguns anos, 10 milhões de m³ de etanol a cada doze meses, o triplo do volume atual. Levar todo esse álcool até os portos, estocá-lo e embarcá-lo nos navios sem que isso leve toda a estrutura logística nacional ao colapso constitui um grande desafi o.

    A Cesari, conhecida empresa de transportes para o setor químico, vê nesses problemas uma excelente oportunidade de investimento. Com sua base principal instalada estrategicamente em Cubatão-SP, onde opera com granéis líquidos, sólidos, contêineres, isotanques e produtos embalados, recebendo a média de 900 caminhões por mês, a empresa pretende promover a integração entre modais marítimo, ferroviário e rodoviário.

    A empresa fi naliza um terminal portuário com um berço de atracação que será ligado por dutos até a base 1, cuja tancagem de 41 mil m³ já tem um projeto de ampliação ambicioso, adicionando 270 mil m³ de capacidade para apoiar a exportação de etanol, embora também possa estocar outros produtos. O local, hoje atendido por caminhões, terá em breve um ramal ferroviário próprio com três trilhos, para receber vagões das operadoras MRS e ALL (duas bitolas diferentes). Caso obtenha logo a licença ambiental para atravessar um riacho, o ramal poderá entrar em operação até o fi nal deste ano.

    Em outubro, foi inaugurado o terminal logístico construído em parceria entre a Cesari e a Solvay em Santo André- SP, na beirada da descida da Serra do Mar. Em área da empresa química belga, cedida em comodato por trinta anos, foram instalados tanques para armazenar 18 milhões de litros de soda, hipoclorito de sódio e ácido clorídrico, baias para carga e descarga de caminhões e um sistema de gerenciamento operacional por controlador lógico programável, tudo dentro de normas e certifi cações setoriais. “Esses produtos saem da fábrica da Solvay por dutos diretamente para o terminal, e nós faremos a armazenagem, expedição e acompanhamento da entrega para eles”, explicou Heber Spina Borlenghi, diretor da Cesari.

    Química e Derivados, Heber Spina Borlenghi, diretor da Cesari, Logística - Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

    Heber Spina Borlenghi: investimentos visam a apoiar a exportação do etanol

    Ele salientou que o terminal (chamado de base 4) foi construído dentro de todos os requisitos ambientais da Solvay, que está na localidade há quase cem anos. Eventuais vazamentos ou derramamentos, além dos vapores coletados nos tanques e nas operações, são captados, neutralizados ou devolvidos para a fábrica para reprocessamento. A companhia química desativou sua tancagem própria para esses itens. Segundo o diretor, está sendo construído neste terminal um tanque para 5 mil m³ para receber o etanol que será produzido pela Copersucar para alimentar a produção de polietileno “verde” da Solvay. Essa área é servida por linha férrea da MRS. O projeto completo, a ser implementado ao longo dos anos, prevê capacidade total de armazenamento de 81 mil m³.

    Em terreno próprio e confrontante ao da Solvay, onde já possui um armazém para sólidos e carga seca, com estação ferroviária cativa, a Cesari pretende construir uma instalação para recebimento de líquidos trazidos por trem, ou por dutos, com tanques para transferência e uma estação de interligação com a base 1, situada a apenas três quilômetros de distância e a quase quinhentos metros de diferença de altitude. A interligação será feita por um poliduto próprio, já projetado. “A estrutura servirá para escoar a produção de etanol para exportação, mas poderemos lidar com outros produtos líquidos, até mesmo no sentido inverso”, comentou Borlenghi.

    Química e Derivados, Cesari gerenciará o terminal de soda-cloro para a Solvay, Logística - Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

    Cesari gerenciará o terminal de soda-cloro para a Solvay

    A base 2, também em Cubatão, porém próxima da Rodovia Piaçaguera, opera com granéis sólidos e embalados para um único cliente. Além disso, a empresa prepara uma estrutura logística completa em Alto Araguaia-MT.

    “O transporte químico é a origem da Cesari e ainda representa 70% dos negócios”, comentou o gerente-comercial José Roberto Torres. A abertura do leque de modais e segmentos de mercado atendidos permitirá oferecer alternativas de custos e prazos para os clientes, além de aproveitar sinergias e diluir riscos. “Porém cada produto tem suas particularidades que precisam ser respeitadas”, advertiu. Os transportes para o Mercosul são feitos preferencialmente por navios.



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