Logística, Transporte e Embalagens

Logística – Ferrovias sem Sassmaq e falta de unidade fiscal afetam interligação de modais

Marcelo Furtado
25 de agosto de 2007
    -(reset)+

    Química e Derivados, Logística - Ferrovias sem Sassmaq e falta de unidade fiscal afetam interligação de modais

    Logística da Katoen Natie na Suzano: operação de armazém, envasamento e de carregamento a granel

    Na fábrica, cerca de 50 funcionários da Gafor se encarregam de manipular e controlar o estoque também do PET pronto. Estes, em uma relação de 50/50, são envasados em big-bags de 1.200 kg e em outros liners para preencherem novos contêineres. Depois disso, seguem para o Porto de Suape, de onde são embarcados em navios de cabotagem para o Sudeste, Manaus ou em navios de longo curso para exportação. Já a outra matéria-prima importante para o PET, o monoetileno glicol (MEG), vem da Oxiteno da Bahia via caminhão em operação não vinculada à Gafor.

    Plataforma logística – A entrada da Gafor nas operações logísticas complexas é apenas um exemplo do potencial desse mercado. Se esse foi o caminho natural da empresa, que antes se concentrava apenas no transporte de cargas, há competidores que já tornaram este o seu principal negócio faz algum tempo. A ponto de até mesmo começarem a dar mostras de fazer o caminho contrário. Isto é: depois de muito se concentrarem nas operações logísticas internas do cliente, notam a necessidade de realizar também transporte para fora das unidades, planejando a aquisição de caminhões ou buscando outras alternativas possíveis de modais.

    Este parece ser o caso da Katoen Natie, empresa de origem belga responsável pela logística interna de cerca de 60% de todas as resinas plásticas produzidas no Brasil, volume próximo a 3,5 milhões de t/ano, atendendo clientes como Braskem, Solvay, Suzano, Basell e Rio Polímeros, em várias unidades e com pessoal próprio responsável por todo o controle de envasamento/carregamento granelizado e armazenagem. Com esse mercado já consolidado, novas demandas dos clientes incluiriam, por exclusão, a necessidade de contar com frota própria de caminhões ou aproveitar outros modais, tendo em vista que seus principais concorrentes são oriundos da área de transporte e apenas há pouco tempo entraram na logística integrada. Não por menos, o presidente da Katoen Natie, Benoit Somers, confessa planejar “comprar em breve caminhões para necessidades específicas de clientes”.

    Mas o que consolidou o trabalho da Katoen Natie há pouco mais de vinte anos no mundo, quando diversificou sua atuação para além da atividade portuária na Antuérpia, e de dez anos para cá no Brasil, foi realmente a operação terceirizada de logística, com foco principal na química e na petroquímica. E isso se deveu à sua relação com um grande grupo petroquímico produtor de resinas plásticas, a Solvay, também belga, responsável não só por sua entrada nesse tipo de logística como por sua internacionalização. “Quem fez a Katoen Natie sair da Bélgica foi a Solvay, primeiro para operar na França e também para mais tarde, há cerca de dez anos, ser a responsável pela logística da sua unidade de polietilenos em Santo André-SP”, explicou o gerente de desenvolvimento de negócios, Luc Mertens.

    Química e Derivados, Benoit Somers, Presidente da Katoen Natie, Logística - Ferrovias sem Sassmaq e falta de unidade fiscal afetam interligação de modais

    Somers movimenta 60% das resinas do Brasil

    Para Somers, o crescimento relativamente rápido da empresa, hoje presente em 22 países, se deveu a um novo conceito desenvolvido para atender à necessidade da Solvay. “Na época, a empresa chegou à conclusão de que a única maneira de se diferenciar comercialmente de seus concorrentes era por meio de uma nova logística. Em tecnologia de resinas, todos estavam no mesmo patamar”, explicou o dirigente. Daí surgiu a demanda por terceirizar, ganhando pontos na acirrada concorrência com redução de custos operacionais na logística do produto.

    Um projeto da equipe de engenharia da Katoen, então, contemplou um novo sistema de silos para armazenagem das resinas. O segredo principal aí foi reduzir a diversidade de silos para armazenar as resinas conforme o formato de suas embalagens, prática comum até então que dividia as operações para sacos de 25 kg, big-bags de 1 t ou em caminhão a granel para 25 toneladas. “Criamos um único silo para todos, onde antes precisava de um para cada tipo de embalagem”, disse Luc Mertens. Isso foi possível, segundo ele, com a elevação dos silos em cinco metros, para que caminhões pudessem entrar por baixo deles e serem engatados para carregamento nos mesmos silos onde, na parte de cima, máquinas especiais de envase embalavam os sacos e os big-bags.

    A “sacada” de engenharia, em primeiro lugar, atendeu as fábricas da Solvay na Bélgica e depois correu o mundo. Hoje, segundo revela o presidente Somers, tornou-se o conceito ideal da logística de resinas. “Uma plataforma dessas, no mínimo, representa um ganho de 20% no custo operacional da empresa”, completou. A estimativa é de que tenham sido projetadas, em regime de EPC (engineering, procurement and construction), por volta de 45 dessas plataformas logísticas apenas pela Katoen Natie e mais outras dezenas por outras empresas que seguiram o novo conceito.

    Química e Derivados, Luc Mertens, Gerente de desenvolvimento de negócios, Logística - Ferrovias sem Sassmaq e falta de unidade fiscal afetam interligação de modais

    Mertens: único silo para os enchimentos

    No Brasil, a empresa conta com cerca de 25 contratos de serviços logísticos, nos quais normalmente se encarrega por período predeterminado (prorrogável) pela movimentação, controle de estoque, homogeneização e embalagem/carregamento de produtos acabados, tudo isso com a possibilidade de agregar projetos de engenharia turn-key com a construção de equipamentos, como silos e armazéns. No conceito ampliado com construção de sistemas, e operação on-site, há instalações na Riopol, em Duque de Caxias-RJ, na Basell, em Pindamonhangaba-SP, e na Suzano Petroquímica,em Mauá-SP. Nesta última, onde são produzidas 400 mil t/ano de polipropileno (PP), há desde 2003 24 novos silos com capacidade para 250 t de resinas cada, todos eles dispostos para possibilitar o carregamento de caminhões e o envase de sacarias. Numa espécie de túnel abaixo dos silos, os caminhões estacionam para serem engatados e carregados com resina a granel. Já no “andar de cima” da plataforma, duas máquinas envasadoras FFS, manipuladas facilmente por um sistema de colchões de ar, embora pesem 7 t cada, preenchendo sacos de 25 kg e big-bags de 1 tonelada.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *