Logística: Contêineres recuperam posição de mercado

Superada crise global, uso de contêineres recupera posição de mercado nas cargas químicas

O transporte de produtos químicos e matérias-primas em contêineres ficou mais caro e nem sempre fluiu continuamente, estimulando a busca de alternativas, durante a pandemia de Covid-19, que impactou a vida de bilhões de pessoas e de empresas ao redor do mundo nesses últimos anos.

Agora, as empresas do ramo vivem um outro momento: de estabilidade, expectativa e esperança.

Em 2022, a demanda por transporte de produtos químicos em contêineres “tem apresentado uma certa estabilidade e é compatível com os níveis pré-pandemia”, afirma Gustavo Maestri Sandri, gerente comercial do Grupo Cesari.

“Devido à escassez de contêineres marítimos enfrentada durante a pandemia, combinada com o expressivo aumento nos custos logísticos, em especial o frete marítimo, a indústria química tem cada vez mais buscado por meios eficientes para o transporte de cargas líquidas”, argumenta.

Neste contexto, “o isotank tem se apresentado como uma alternativa que possibilita o transporte de maior quantidade volumétrica de carga.

Mantendo o mesmo custo de 1 TEU transportado via marítimo, um isotank é capaz de transportar cerca de 60% mais carga do que um contêiner seco carregado com tambores, diluindo os custos de frete marítimo”, acrescenta.

Na avaliação de Lauricio Honnicke Bassi, gestor de negócios da Rentank Embalagens, o consumo de produtos químicos vem apresentando momentos de alta, bem como de baixa, o que, na ótica da empresa, mantém o mercado estável desde o início da pandemia.

Com os altos custos do plástico e dos tambores, a consulta pelos contêineres de aço inox têm crescido. Porém, esta procura está associada à ocasião dessas outras embalagens.

Logística: Contêineres recuperam posição de mercado ©QD Foto: Divulgação
Gonçalves: problemas de oferta de equipamentos acabaram

Para Henri Gonçalves, gerente da divisão Onshore da Intertank, “o negócio de produtos químicos líquidos passou por momentos difíceis, mas como os contêineres são considerados e estão incluídos como ‘serviços essenciais’ à economia, sofremos menos do que outros setores. Trabalhamos o tempo todo para servir à necessidade de armazenar produtos importados. Contornar esse problema tornou-se uma prioridade nacional. Podemos afirmar que faltaram equipamentos para atendimento de toda a demanda. Agora, passada a pandemia, a situação se normalizou e temos uma disponibilidade maior”.

Não foram poucas as queixas de importadores de matérias-primas químicas quanto à escassez de contêineres, o alto custo do frete etc.

Bassi recorda que, desde o início da pandemia, as dificuldades com a matéria-prima só aumentam:

“Está difícil encontrar matéria-prima e quando encontramos, o fornecedor não consegue atender dentro do prazo desejado. Quando se trata de fretes, há uma instabilidade de preços, devido às movimentações da economia e os impactos das alterações dos combustíveis”.

Por isso, “a Rentank vem de forma incessante trabalhando alternativas e firmando parcerias para minimizar os impactos para o cliente. Nossa embalagem, por ser retomável e sustentável, é muito afetada pelo custo do frete. Fazemos análises diariamente com o objetivo de manter nossos valores e buscar opções para realizar um atendimento com qualidade, visando o melhor resultado. A companhia não teve, no entanto, problemas de estoque para atender os pedidos com o fornecimento dos contêineres de aço inox, durante a pandemia. Porém, sabemos que o mercado sofreu e ainda sofre com a escassez do plástico e dos tambores, o que nos afeta positivamente”.

Sandri expõe: “Vínhamos com movimentações balanceadas entre rotas e entre modais. A matriz de carga, especialmente as de alto valor agregado, normalmente tem uma parte transportada por aviões em linhas comerciais, aproveitando capacidade de carga ociosa. Com milhares de aviões comerciais sem voar, um gigantesco volume de cargas deixou de ser transportado nesses aviões, e encontraram a saída no modal marítimo, o que resultou em uma procura maior e, por consequência, inflou os preços.”

Além disso, prossegue, “a principal economia do globo, os EUA, tem um apetite voraz de consumo, sem ser um fornecedor na mesma proporção. Isso resultou também em uma enxurrada de contêineres com destino aos EUA, sem que tivessem a viagem de retorno à origem com carga garantida. Resultado: havia contêineres, porém nos locais errados, o que gerou gargalos nos portos americanos e um efeito bola de neve na logística global, represando mais contêineres e inflacionando mais os preços”.

Logística: Contêineres recuperam posição de mercado ©QD Foto: Divulgação
Modelo de contêiner cúbico fabricado pela Rentank

Para mitigar este efeito, muitos movimentos improdutivos de reposicionamento de contêineres foram necessários e isso também agregou custos ao valor do frete marítimo.

Por fim, o aumento no custo do barril de petróleo também contribuiu para aumentar o custo operacional do frete, que foi repassado ao contratante.

A situação atual é, segundo o especialista, de estabilidade e, em algumas rotas, houve um pequeno recuo.

O mercado estima que, por volta de 2024, deve se formar um cenário mais próximo à normalidade, porém os valores de frete pré-pandemia parecem ser algo muito distante da realidade, mesmo no médio prazo.

A divisão – De maneira geral, o negócio de químicos pode ser dividido, para quem atua com contêineres, em três grandes grupos, como explica Sandri, da Cesari: química básica, química fina e defensivos agrícolas.

A química básica inclui produtos como soda, ácido sulfúrico e cloro; estes tendem a ter certa estabilidade nas compras.

A química fina, com itens de maior valor agregado e bens de consumo em geral, com as previsões de recessão econômica global, tende a espelhar este esfriamento.

Os defensivos agrícolas, fundamentais para o agronegócio e a preservação da safra para alimentação humana, têm mais estabilidade de fluxo e acompanham o crescimento populacional.

O agronegócio brasileiro tem, ano após ano, batido recordes de colheita em diversos produtos, ampliando o consumo dos defensivos.

“Percebemos que o mercado de químicos tem se diversificado, porém se mantém estável”, observa Bassi. Gonçalves, da Intertank, sustenta que este comércio “nunca parou de crescer; a população mundial cresce a cada dia e a necessidade do consumo vem junto”.

Ele reconhece, contudo, que “estamos numa travessia difícil nesse período de guerra entre a Rússia e a Ucrânia e essa situação afeta a atividade. Hoje há escassez de equipamentos (contêineres)”.

Sandri pondera que o setor químico é de extrema importância para a economia e altamente regulado, tanto por sua importância e sensibilidade, quanto pelos riscos à segurança que pode oferecer se operado de maneira incorreta.

Sandri: diversificação mantém o mercado químico estável ©QD Foto: Divulgação/Cesari/Lori Paula
Sandri: diversificação mantém o mercado químico estável. Foto: Divulgação/Cesari/Lori Paula

“O Grupo Cesari é reconhecido como um importante player especialista na movimentação de cargas químicas, em especial as classificadas como perigosas, e busca sempre se atualizar e ser referência na qualidade e segurança dos serviços prestados”.

Bassi ressalta que a Rentank possui um padrão de atendimento para todos os seus clientes, independente do segmento.

Como o setor químico requer um conhecimento mais característico, um profissional químico acompanha o processo.

A firma busca oferecer projetos, acessórios e soluções customizadas, incentivando testes e desenvolvendo o que a clientela deseja. É um trabalho a quatro mãos:

Logística: Contêineres recuperam posição de mercado ©QD Foto: Divulgação
Bassi: procura pelos modelos feitos de aço inox cresce

“Oferecemos os contêineres de acordo com o projeto homologado, no transporte e armazenamento do produto, e a partir disso, atuamos de forma dedicada e personalizada a cada cliente, desenvolvendo todos os artefatos que necessitam englobar a sua operação. Para completar, oferecemos a limpeza/descontaminação, recertificação, manutenção geral, além de todas as peças e acessórios para os contêineres”.

Gonçalves comenta: “Somos fabricantes dos nossos equipamentos. A política é cuidar para que não falte. Temos um estoque regulador. Até agora temos suprido a clientela com a quantidade necessária”.

Locação – O mercado de locação de contêineres possui duas categorias principais, descreve Sandri: as companhias de leasing são proprietárias de grandes frotas internacionais que atendem, principalmente, as linhas marítimas; os locadores/revendedores locais adquirem contêineres em sua maioria de companhias leasing e atendem de forma mais semelhante ao varejo.

“O custo de aquisição de um contêiner novo entre 2020 e 2021 sofreu um grande aumento, influenciado pela procura muito superior à oferta. Isto impactou o preço dos usados e, em consequência, os custos com a locação. Com o reestabelecimento do equilíbrio logístico, a tendência é que o custo de compra/locação de contêineres também recue”, assinala o executivo.

Bassi destaca que “o valor da locação é cobrado por equipamento e por diária. Isso proporciona ao cliente locar mais equipamentos em altas demandas e devolver quando as embalagens ficam ociosas, o que implica baixo investimento, já que não se faz necessário investir na compra de ativos”.

Mas adverte: “Os preços das diárias de locações vêm se elevando, devido ao forte aumento do preço do aço”.

Gonçalves explica que a Intertank “atua na locação de IBC (Intermediate Bulk Containers) fabricados totalmente de aço inox, próprios para atender cargas intermediárias entre o tambor e o granel.

Os preços são compatíveis com a procura e os valores vigentes. É notória, contudo, a evolução dos preços do aço inox mundialmente”.

Sandri diz que a fabricação de contêineres marítimos ocorre majoritariamente na China e, em termos gerais, atende à reposição e o crescimento orgânico.

“O que houve no período da pandemia foi um desequilíbrio de consumo. O aumento combinado com a redução temporária de oferta/produção em algumas unidades industriais que não puderam performar a 100% de sua capacidade resultou em um gap de abastecimento temporário”.

Bassi salienta que a Rentank está fabricando contêineres somente para a reposição da frota própria. “Entendemos que a quantidade disponível no mercado hoje ainda é suficiente para atender o setor químico”.

Os contêineres adquiriram o status de item fundamental para o comércio internacional. “É impossível imaginar um mundo sem contêineres”, costuma dizer Sandri.

E prevê: “No curto e médio prazos, pode-se pensar em uma certa estabilidade, mas no longo prazo a perspectiva é sempre de crescimento. As grandes companhias de navegação têm investido massivamente no desenvolvimento e construção de navios maiores e também mais sustentáveis para atender o comércio global”.

A gigante dinamarquesa Maersk, por exemplo, acaba de encomendar mais seis grandes navios porta-contêineres que podem navegar com metanol verde.

As embarcações serão construídas até 2025 pela Hyundai Heavy Industries (HHI) com uma capacidade nominal de aproximadamente 17.000 contêineres (TEU) e economizarão cerca de 800 mil t/ano de emissões de CO2.

“Nossos clientes estão nos procurando para descarbonizar as suas cadeias de suprimentos, e essas seis embarcações capazes de operar com metanol verde acelerarão ainda mais os esforços para oferecer transporte neutro. Uma ação global é necessária nesta década para cumprir a meta do Acordo de Paris, de limitar o aquecimento global a um aumento de temperatura de 1,5°C”, alerta Henriette Hallberg Thygesen, CEO da Fleet & Strategic Brands da Maersk.

A corporação estabeleceu uma meta de emissões zero carbono para 2040 em todo o negócio e também estabeleceu metas tangíveis de curto prazo para 2030 para garantir um progresso significativo. Isso inclui uma redução de 50% nas emissões por contêiner transportado na frota de navios oceânicos em comparação com 2020 e um princípio de encomendar apenas navios que possam operar com combustíveis verdes.

Os pedidos totalizam 19 embarcações com motores bicombustíveis capazes de operar com metanol verde.

Quando todos os 19 navios forem implantados e substituírem os navios mais antigos, eles gerarão uma economia anual de emissões de CO2 de cerca de 2,3 milhões de toneladas.

Logística: Contêineres recuperam posição de mercado ©QD Foto: Divulgação
Unidade operacional da Intertank em Jundiaí-SP

A expectativa, de acordo com Bassi, é que se “mantenham as movimentações dos grandes players que fazem uso dessas embalagens, das quais a agilidade no atendimento é crucial para o fechamento de novos negócios.

Estamos investindo na capacitação da equipe para que possamos estar preparados no atendimento das demandas”.

A ordem na Intertank é, revela Gonçalves, planejar de acordo com o momento: “Aguardamos a definição da política econômica do governo eleito para desenhar o plano diretor de investimentos”.

Tipos – Com sede em Cubatão-SP e composto por 10 empresas que atuam nos segmentos de transporte e manuseio de produtos químicos, terminais para armazenamento de produtos, beneficiamento de fertilizantes e limpeza e manutenção de contêineres, o Grupo Cesari lida com diversos tipos de contêineres.

“Considerando isotanks, atendemos todo tipo de carga líquida como inflamável, corrosivo, tóxico e não-IMO (Organização Marítima Internacional). Operamos também isotanks para gases. Quanto aos contêineres convencionais, trabalhamos com carga seca e reefers (com isolamento térmico e resfriamento) que transportam químicos em tambores ou sólidos”, resume Sandri.

E conclui: “Transportamos todas as categorias de químicos – básico, fino e agro. Atualmente, diversas estações de tratamento de água e esgoto do Brasil são abastecidas por químicos transportados pela Cesari. Os grandes players da indústria de defensivos agrícolas armazenam e transportam em nossos isotanks, assim como as indústrias de química fina mais destinadas a bens de consumo”.

Bassi relata que “as principais opções de embalagens da Rentank estão na linha rígida, que traz segurança total no transporte e armazenagem de produtos classificados comuns ou perigosos. Esses contêineres têm base de apoio para empilhamento, bocal para envase, dispositivo de segurança, abertura e fechamento rápido da tampa. Além disso, pode ser acoplado o agitador”.

“Já para os produtos sem classificação ONU, a empresa está reforçando o seu posicionamento com uma nova alternativa para armazenamento e transporte em mil litros, os contêineres Bag in Box. Uma embalagem mais econômica e que nos torna mais competitivos, pois otimiza espaço e traz muitos benefícios para a logística reversa”, arremata.

A unidade de embalagens, instalada em Jaguariúna-SP, está na praça desde 1993 e faz parte do Grupo Rentank.

A Intertank, define Gonçalves, é fabricante e locadora de contêineres tipo IBC, em aço inox, próprios para o transporte e armazenamento de produtos químicos líquidos perigosos e de risco.

São unidades móveis com capacidades variando de 500 até 5.200 litros.

Iniciou suas atividades em 1981, operando isotanks contêineres no comércio internacional brasileiro de produtos químicos.

Sediada em Jundiaí-SP, divulga que apresenta soluções em tancagem de pequeno e médio porte.

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