Limpeza: Feira ressalta nacionalização de produtos

A 14ª Higiexpo – Feira de Produtos e Serviços para Higiene, Limpeza e Conservação Ambiental reuniu 7 mil pessoas, entre os dias 10 e 12 de setembro, no Expo Center Norte – São Paulo. Promovido pela Associação Brasileira do Mercado Institucional de Limpeza (Abralimp), o evento registrou aumento de público de 20% em relação à edição anterior. De acordo com o diretor de marketing da Abralimp Renato Ticoulat, esse aumento reflete incrementos na feira. O número de expositores cresceu 14% e o espaço, 5%, em relação ao ano passado. Essa edição contou com 75 expositores, em uma área de 2.500 m².

Esses números também traduzem o tamanho do setor. O faturamento do mercado institucional de limpeza gira em torno de R$ 18 bilhões ao ano. Dados da associação apontam o setor como o segundo maior empregador do País.

Química e Derivados: Limpeza: Ticoulat - insumo local ganhou qualidade.
Ticoulat – insumo local ganhou qualidade.

São cerca de 500 mil vagas em 4,5 mil empresas, além de 800 mil empregos oferecidos por companhias complementares, como as de dedetização e jardinagem, entre outras. Considerada a maior feira do mercado de limpeza institucional da América Latina, a Higiexpo apresentou como destaque a soberania da produção nacional frente aos importados. Na avaliação de Ticoulat, os equipamentos e produtos químicos de fabricação local foram maioria nos estandes, por conta da alta qualidade e dos baixos preços, se comparados aos estrangeiros.

“A feira mostrou muita novidade fabricada no País. Como tendência, percebo a substituição do importado pelo nacional.”, afirmou. Prova desse prognóstico se deu no estande da Alfa, de Campinas-SP, onde a lavadora automática de piso Brava Alfamat ride-on foi destaque. Na opinião de Sandro Haim, representante da empresa, entre os vários equipamentos de limpeza profissional expostos, a máquina se sobressaiu por ser nacional. De acordo com ele, as principais vantagens dão conta das facilidades de financiamento, manutenção e assistência técnica. Com operador a bordo, o modelo lava e seca, ao mesmo tempo, até 5.100 m² de piso por hora e possui sistema de troca de bateria capaz de operar em até 3 minutos. Também baseado no mote de ser nacional, o responsável pelo departamento comercial da Certec, de São Paulo-SP, Wilson de Paula Dias Junior enfatizou os benefícios das enceradeiras da marca. Na sua opinião, em função da necessidade cada vez maior de redução de custos, o fabricante brasileiro tem vantagens frente aos concorrentes estrangeiros. Na opinião dele, no entanto, apesar de precisar economizar, o industrial não pode abrir mão da alta eficiência do maquinário. Por isso, a empresa apostou na linha High Speed.
De fabricação local, o modelo atinge a velocidade de 2 mil rpm.

A italiana Dulevo, líder no mercado europeu de varredeiras industriais, levou à feira o modelo 120 elite. O principal incremento da varredeira traduz a atual necessidade de as indústrias assumirem uma postura responsável quanto à emissão de poluentes no ambiente. O modelo possui sistema de filtragem diferenciado, com o qual a máquina absorve todo o tipo de poeira, lançando ar limpo ao meio. Além disso, o filtro é confeccionado em tecido lavável, permitindo sua reutilização. “O modelo elimina grandes quantidades de sujeira sem emitir pó. Após a escovação, o pó é aspirado e filtrado”, afirmou o gerente da Dulevo Jorge Alberto Liria. De acordo com ele, hoje é inadmissível obrigar uma pessoa a ter contato com o pó industrial, pois sabe-se que este faz mal à saúde.

“A política atual não aceita máquinas socialmente incorretas”, comentou. Na sua opinião, no País a questão ainda não é vista com tanta seriedade quanto na Europa, mas as indústrias brasileiras estão se movimentando no sentido de preservar o meio ambiente e, sobretudo, a saúde do funcionário. Liria também falou de outro destaque da marca, a 5000 Veloce. Trata-se de modelo destinado para a limpeza de vias públicas. Com a capacidade de alcançar a velocidade de 70 km por hora, a máquina também conta com motor ecológico, pois este baseia-se nas normas européias Euro 3. Ou seja, as emissões de partículas nocivas são mínimas. “É um motor praticamente limpo”, completou.

Alto desempenho – Líder mundial em sistemas de limpeza, a Kärcher, de Paulínia-SP, destacou, por sua vez, o lançamento da lavadora de alta pressão de água quente, a HD 801 E. A máquina opera com boiler elétrico para o aquecimento da água, tornando-se indicada para o uso em locais onde não é permitida a emissão de gases de combustão, como as indústrias química e alimentícia. Com potência de aquecimento de 24 kW e motor de 5,6 kW, o modelo atua com vazão de 300 litros a 750 litros por hora. Outros destaques no estande ficaram por conta da lavadora e secadora de piso BD 90/140 e da varredeira Km 100/100 R. Os dois equipamentos são de alta performance, o primeiro limpa 3.600 m² por hora, enquanto o segundo varre até 8 mil m² por hora.

A Consenso, de São Bernardo do Campo-SP, firmou parceria, em julho deste ano, com a norte-americana Tennant, uma das líderes mundiais na fabricação de lavadoras e varredeiras industriais. O resultado desse compromisso pôde ser comprovado na Higiexpo, com a apresentação das lavadoras de piso 5400 e 5680. As duas máquinas se diferenciam por contar com o sistema Fast. Essa tecnologia, de acordo com Carlos Daniel Piotto, responsável pelo departamento comercial da Consenso, reduz em até 70% o consumo de água e 90% o de detergente. “É um sistema de lavagem através de espuma. O ar comprimido junto a um detergente da marca formam milhões de microbolhas, gerando uma redução do desperdício”, explicou. Para Piotto, formulações com dois litros de detergente convencional promovem a lavagem de área de até 7 mil m², enquanto o sistema Fast lava até 90 mil m². O modelo 5400 apresenta produtividade de cerca de 2.900 m² por hora e atua com faixa de limpeza de 610 mm, enquanto a 5680 opera a 3 mil m² por hora, em faixa de limpeza de 800 mm. De acordo com Piotto, devido à alta produtividade, os equipamentos permitem economia de 30% no tempo de utilização, em relação às máquinas convencionais.

Novos conceitos – A inovação se traduziu no estande da Prolim, de Taubaté–SP, em produtos e conceitos. De acordo com o gerente de marketing Sérgio Eduardo Borges Merlo, a Prolim propôs aos visitantes um novo conceito de higienização. Trata-se do Sistema Extra Plus, o qual se baseia na utilização de bag in box para o armazenamento dos produtos de limpeza. “É uma evolução da embalagem”, Merlo comentou. O bag in box apresenta como benefício, frente sobretudo às tradicionais bombonas, facilidades de diluição e a segurança, por se tratar de embalagem selada, protegendo o produto de contaminação até o consumo final. A nova proposta inclui também a vantagem de a embalagem ser 100% reciclável, reduzindo em 90%, segundo o fabricante, o volume de descarte. “Precisamos proteger o meio ambiente”, ressaltou Benedito Rolim Saullo, representante da empresa. A Prolim também divulgou durante o evento o programa higienização de mãos. De acordo com Saullo, a idéia é fazer uma análise da planta da empresa contratante e a partir daí, direcionar o uso correto de cada produto, de acordo com a área. O programa inclui treinamento do usuário e tratamento específico para cada tipo de sujidade. Ou seja, há uma linha de produtos adequada a ramos distintos de atividade, como industrial, hospitalar e automotiva, entre outros.

Tendo como desafio a otimização dos gastos, a Insert Química, de Diadema-SP, apostou na economia. Na opinião do diretor técnico Julio Cesar Mármore, os fabricantes têm de oferecer ao mercado produtos capazes de minimizar o uso de água nas soluções. Para tanto, atua com formulações de detergentes nas quais há redução da tensão superficial e, por conseqüência, da geração de espumas. No portfólio há diversas linhas de produtos com esse princípio, segmentados nos ramos de higiene de pisos, de cozinha, têxtil e geral.

Estar em sintonia com o cliente é palavra de ordem no setor. Na avaliação de Domingos Pereira, da Econ, de Guarulhos-SP, o mercado institucional de limpeza preza muito mais o serviço do que o produto em si. Por isso, oferecer produtos de qualidade é pré-requisito e não um diferencial das empresas. Ao encontro dessa proposta, Pereira apontou a necessidade do fabricante oferecer condições do industrial para otimizar os custos e o tempo dedicado à limpeza.

Diante dessa realidade, Pereira destacou outra tendência: a fabricação de produtos concentrados. “A opção de economizar, sem perder em qualidade, complementa a necessidade de agregar valor, por meio do serviço”, disse. Para refletir essa condição, a Econ apresentou lançamentos para os segmentos de lavanderias, cozinhas, tratamento de piso e limpeza em geral. Um exemplo dos novos produtos ficou por conta da linha Vercom, composta por detergentes e desinfetantes super concentrados, capazes de produzir 100 litros de solução a partir de 1 litro do produto.

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