Tintas e Revestimentos

Levar informação completa para clientes e pintores facilita avanço das tintas

Marcelo Fairbanks
29 de setembro de 2014
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    O Sitivesp desenvolve em parceria com a rede de escolas do Senai/Sesi um programa de formação de pintores profissionais adequados ao padrão ABNT de qualidade. “A comissão imobiliária do Sitivesp apresenta as novidades que estão sendo desenvolvidas pela indústria de tintas nas 50 escolas do sistema em todo o Brasil que mantêm o curso de formação”, informou. Ele salienta que essas palestras, embora sejam ministradas por especialistas das fabricantes, não possuem caráter comercial, de modo a favorecer o aspecto institucional do mercado de tintas. “É também a tônica dos trabalhos que serão apresentados na Feitintas”, complementou.

    Na visão do sindicato, as escolas do Senai formam os pintores, enquanto a comissão do Sitivesp aproxima os alunos dos técnicos das empresas, garantido que o mercado receba profissionais bem preparados e atualizados tecnologicamente. “Pena que grande parte do pessoal formado acabe indo trabalhar com pintura industrial”, lamentou.

    Em tempos bicudos, como os atuais, o ritmo de vendas da linha imobiliária cai, exigindo que a indústria se adapte, mediante redução de custos. “Há uma tendência de as tintas intermediárias, tipo standard, manterem o preço final, mas as linhas premium e as mais populares tendem a sofrer mais”, comentou Narciso. Nesses casos, o pintor pode orientar o consumidor a comprar uma tinta mais em conta, porém de qualidade.

    Isso não se verifica no campo do “do it yourself”, no qual o consumidor pinta ele mesmo a sua casa. Sem a orientação do profissional, ele fica tentado a comprar tintas mais baratas, mesmo que isso o obrigue a perder mais tempo na tarefa. “O Senai também oferece cursos para pintores amadores”, informou. No Brasil, porém, o “do it yourself” ainda representa uma fatia pequena do mercado.

    Mercado esfriou – A expectativa do Sitivesp para os resultados de 2014 é de um ano fraco para todas as linhas de produtos, da imobiliária à industrial. “O primeiro semestre até apresentou algum crescimento, com uma queda de 15% a 20% na demanda durante o período da Copa do Mundo, seguida de uma recuperação em alguns segmentos”, avaliou o presidente do sindicato. “Há sinais de alguma recuperação no segundo semestre.”

    As linhas de pintura automotiva são mais afetadas, refletindo a queda na venda dos automóveis novos, cuja produção está em ponto morto. “Quem atua no fornecimento de tintas OEM precisa ter uma estrutura muito grande que não pode ser desmanchada a cada soluço de mercado, as empresas arcam com esses custos até que o mercado volte a comprar”, comentou. Isso também acontece na importação de insumos por parte desses produtores, operação que não pode ser interrompida abruptamente.

    A repintura automotiva é considerada mais estável que a OEM, mas também começou a dar sinais de retração a partir de julho. “O sindicato das oficinas de reparos, o Sindirepa, já apontou uma queda na procura por conserto de veículos a partir de julho”, informou.

    No caso específico das tintas em pó e para impressão gráfica, a situação é ainda pior, porque os fabricantes locais precisam enfrentar a importação crescente desses itens, além da queda de demanda. “O imposto de importação dessas tintas é idêntico ao aplicado sobre as matérias-primas, ou seja, não há nenhuma proteção ao produto local, que ainda carrega os salários elevados, eletricidade cara, água escassa e uma taxa cambial desfavorável”, criticou.

    Nem mesmo a redução temporária para 2% da alíquota do imposto de importação aplicado ao dióxido de titânio, insumo essencial ao setor, animou Narciso. “É um pleito fantástico, mas o governo não dá condições para que ele seja aproveitado por todos, muitos fabricantes não poderão aproveitar esse benefício na hora certa, sofrendo com os controles burocráticos de sempre”, avaliou. “Seria melhor para todos se o imposto caísse definitivamente para 6%, sem limitação de cotas.”



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