Levar informação completa para clientes e pintores facilita avanço das tintas

Química e Derivados, Levar informação completa para clientes e pintores facilita avanço das tintas
A Feira da Indústria de Tintas – Feitintas será realizada de 10 a 13 de setembro, no Imigrantes Exhibition & Convention Center, localizado no começo da Rodovia dos Imigrantes, na zona sul de São Paulo. Promovida pelo Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp) e organizada pela Cipa Fiera Milano, neste ano a feira se destacará pela melhor definição do escopo, enfocando o produto final (tintas e vernizes) e suas aplicações, incluindo equipamentos e sistemas de pintura.

Química e Derivados, Narciso: oportunidades para a pequena e média indústria
Narciso: oportunidades para a pequena e média indústria

A mudança de conceito – ainda não totalmente assimilada pelo setor – e a crise econômica contribuíram para o pequeno número de expositores, mas essa participação tende a crescer nas futuras edições. “Este ano, realmente, foi difícil angariar expositores, mas quem reservou seu espaço está otimista porque encontrará excelentes oportunidades de negócios mediante o aumento da exposição junto a um público com poder de compra ou de decisão”, afirmou Narciso Moreira Preto, presidente do Sitivesp e também diretor da Arpol Red Spot. “Em duas ou três edições da feira, esse conceito já estará bem sedimentado, e trará excelentes resultados para todo o setor.”

Narciso salientou a importância da extensa programação técnica para arrebanhar um número grande, porém seleto, de visitantes. “Tivemos um trabalho enorme para programar eventos paralelos para atrair ao ambiente da feira os profissionais que tomam a decisão da compra da tinta, ou a influenciam de forma determinante”, comentou. Essa categoria de visitantes inclui decoradores, arquitetos e, como não poderia deixar de ser, pintores profissionais.

Segundo o presidente do Sitivesp, apenas grandes nomes, reconhecidos em suas especialidades, tem o poder de levar para suas palestras o público desejado pela organização – e também pelos expositores. “Foi feito um grande investimento da nossa parte e também das empresas participantes para levar especialistas para as palestras técnicas”, comentou.

Nesse ponto, a parceria com a Cipa Fiera Milano se mostrou muito proveitosa. Segundo Narciso, como a parceira tem uma posição muito forte na Itália, com laços com a Anver – Associação Italiana das Empresas de Pintura Industrial, que é especialista em equipamentos de aplicação, uma tecnologia ainda nova no Brasil, foi possível trazer para a Feitintas o especialista Mario Bison, que proferirá palestra sobre as tendências de cores mais recentes. “A definição das novas paletas de cores começa sempre pela Europa, essa palestra nos permitirá acelerar a transferência de informações para a nossa indústria”, comentou.

Narciso vê no encontro da indústria de tintas uma possibilidade única de atualização tecnológica para todo o setor. Ele admite, no entanto, que as grandes companhias de alcance mundial possuem seus mecanismos próprios de transferência de conhecimento. “Mas as pequenas e médias empresas do setor precisam muito dessas informações e, também, de palestras e seminários de formação, apresentando novidades em sistemas de aplicação e novos produtos finais”, afirmou. Além disso, também os revendedores de tintas e vernizes se beneficiam, pela possibilidade de conhecer melhor os produtos que comercializam.

Ele comentou que, durante muitos anos, enquanto vigorou o controle oficial férreo das importações de insumos, o setor de tintas passou por uma acomodação e ficou tecnologicamente defasado em relação aos demais países. “O programa setorial da qualidade obrigou o setor a se atualizar rapidamente; hoje temos tintas de alto desempenho e com um bom perfil ambiental”, afirmou.

Elo fundamental – O maior “cabo eleitoral” de uma determinada marca de tinta imobiliária ainda é o profissional da pintura, que por vezes também é ouvido na escolha das coras e sobre o uso de texturas. Quanto mais informação esse profissional receber – entre treinamento e divulgação de novidades – melhor para a indústria, pois ele ajudará a ampliar a utilização de materiais de melhor qualidade e a adotar inovações. “Sem dúvida, o pintor auxilia muito a convencer o mercado na hora da compra das tintas”, disse o presidente do Sitivesp. “E pintor profissional não gosta de tinta ruim, que tem baixo poder de cobertura, exigindo maior número de demãos, ocupando um tempo que ele poderia usar para atender mais clientes e fazer mais dinheiro.”

Narciso Preto identifica um grande mercado de trabalho para pintores da linha imobiliária, profissionais que hoje conseguem uma remuneração muito boa pelos seus serviços. “Era uma categoria profissional estigmatizada e pouco valorizada no Brasil, mas que hoje ganhou respeito e consegue atrair grande número de jovens para as atividades de formação”, afirmou.

O Sitivesp desenvolve em parceria com a rede de escolas do Senai/Sesi um programa de formação de pintores profissionais adequados ao padrão ABNT de qualidade. “A comissão imobiliária do Sitivesp apresenta as novidades que estão sendo desenvolvidas pela indústria de tintas nas 50 escolas do sistema em todo o Brasil que mantêm o curso de formação”, informou. Ele salienta que essas palestras, embora sejam ministradas por especialistas das fabricantes, não possuem caráter comercial, de modo a favorecer o aspecto institucional do mercado de tintas. “É também a tônica dos trabalhos que serão apresentados na Feitintas”, complementou.

Na visão do sindicato, as escolas do Senai formam os pintores, enquanto a comissão do Sitivesp aproxima os alunos dos técnicos das empresas, garantido que o mercado receba profissionais bem preparados e atualizados tecnologicamente. “Pena que grande parte do pessoal formado acabe indo trabalhar com pintura industrial”, lamentou.

Em tempos bicudos, como os atuais, o ritmo de vendas da linha imobiliária cai, exigindo que a indústria se adapte, mediante redução de custos. “Há uma tendência de as tintas intermediárias, tipo standard, manterem o preço final, mas as linhas premium e as mais populares tendem a sofrer mais”, comentou Narciso. Nesses casos, o pintor pode orientar o consumidor a comprar uma tinta mais em conta, porém de qualidade.

Isso não se verifica no campo do “do it yourself”, no qual o consumidor pinta ele mesmo a sua casa. Sem a orientação do profissional, ele fica tentado a comprar tintas mais baratas, mesmo que isso o obrigue a perder mais tempo na tarefa. “O Senai também oferece cursos para pintores amadores”, informou. No Brasil, porém, o “do it yourself” ainda representa uma fatia pequena do mercado.

Mercado esfriou – A expectativa do Sitivesp para os resultados de 2014 é de um ano fraco para todas as linhas de produtos, da imobiliária à industrial. “O primeiro semestre até apresentou algum crescimento, com uma queda de 15% a 20% na demanda durante o período da Copa do Mundo, seguida de uma recuperação em alguns segmentos”, avaliou o presidente do sindicato. “Há sinais de alguma recuperação no segundo semestre.”

As linhas de pintura automotiva são mais afetadas, refletindo a queda na venda dos automóveis novos, cuja produção está em ponto morto. “Quem atua no fornecimento de tintas OEM precisa ter uma estrutura muito grande que não pode ser desmanchada a cada soluço de mercado, as empresas arcam com esses custos até que o mercado volte a comprar”, comentou. Isso também acontece na importação de insumos por parte desses produtores, operação que não pode ser interrompida abruptamente.

A repintura automotiva é considerada mais estável que a OEM, mas também começou a dar sinais de retração a partir de julho. “O sindicato das oficinas de reparos, o Sindirepa, já apontou uma queda na procura por conserto de veículos a partir de julho”, informou.

No caso específico das tintas em pó e para impressão gráfica, a situação é ainda pior, porque os fabricantes locais precisam enfrentar a importação crescente desses itens, além da queda de demanda. “O imposto de importação dessas tintas é idêntico ao aplicado sobre as matérias-primas, ou seja, não há nenhuma proteção ao produto local, que ainda carrega os salários elevados, eletricidade cara, água escassa e uma taxa cambial desfavorável”, criticou.

Nem mesmo a redução temporária para 2% da alíquota do imposto de importação aplicado ao dióxido de titânio, insumo essencial ao setor, animou Narciso. “É um pleito fantástico, mas o governo não dá condições para que ele seja aproveitado por todos, muitos fabricantes não poderão aproveitar esse benefício na hora certa, sofrendo com os controles burocráticos de sempre”, avaliou. “Seria melhor para todos se o imposto caísse definitivamente para 6%, sem limitação de cotas.”

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