Laboratório e Análises

Laboratório: Rede metrológica unifica padrões no Rio Grande do Sul

Fernando C. de Castro
5 de dezembro de 2004
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    Em 9 de dezembro de 2004, quatro funcionários da área laboratorial da Copesul, a central de matériasprimas do Pólo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul, levaram cinco horas para colocar 104 litros de nafta, benzeno e étér metil terbutílico (MTBE), separados em igual número de recipientes plásticos. Posteriormente eles acomodaram os produtos em 13 caixas de papelão. Cada uma dessas recebeu quatro frascos com nafta, dois de benzeno e mais dois com MTBE, todas de um mesmo lote e portanto com a mesma formulação.

    As caixas foram então remetidas cada uma a 13 laboratórios previamente credenciados em ensaios e análises com essas substâncias. Comandou a empreitada o coordenador temático da Rede MetrológicaRS, Daniel Homrich. Com isso foi dada a largada para o Programa Interlaboratorial em Produtos Petroquímicos em Triunfo.

    Química e Derivados: Laboratório: Equipe da Copesul participou da fase piloto. ©QD Foto - Fernando de Castro

    Equipe da Copesul participou da fase piloto.

    O laboratório da própria Copesul foi incluído no grupo. O objetivo do programa é conferir proficiência, unificar padrões e resultados das formulações produzidas pela Copesul, com base nas normas ABNT, ISO 9000, ISO 9001, 14000 e 17025.

    As empresas que participaram do programa, sorteadas, estão identificadas por números e senhas previamente distribuídas, sendo reservado o anonimato. Portanto, a rede metrológica não ficará sabendo a quem pertence os resultados, a menos que frascos de densidade em nafta; de compostos oxigenados, curva de destilação, cloretos orgânicos e cor em nafta; de cor e composição em MTBE de teor de água, composição e compostos nitrogenados em Benzeno. “Essa é a fase piloto. Gradativamente todos os produtos da Copesul entrarão no sistema interlaboratorial”, antecipou Maria Inês Fürhr, da área de planejamento e gerenciamento logístico da empresa. Ela reconhece a ocorrência de eventuais resultados incoerentes entre os laboratórios da Copesul e de outras unidades externas, muitas vezes obrigando à realização das novas baterias para tirar dúvidas.

    “No momento em que estivermos unificados economizaremos dinheiro com ensaios muitas vezes desnecessários”, opinou a executiva. “Se o laboratório A está com seu sistema perfeito e o meu também, e os resultados coincidirem, não há porque solicitar contraprova. Este é um programa intimamente ligado com o controle de qualidade do que eu comprei e do que eu irei vender”, finalizou Maria Inês.

    A Rede MetrológicaRS criou a primeira rede interlaboratorial em 1997 para padronizar a análise da água potável consumida no estado. Começaram com 20. Atualmente 58 laboratórios estão habilitados, isto porque quando todos trocam informações fica bem mais fácil de corrigir as falhas e qualificar a bateria de análises. Atualmente, há uma rede interlaboratorial para os combustíveis (gasolina e diesel) estocados nas distribuidoras como forma de conhecer a qualidade do produto vendido ao consumidor final.

    Uma das principais preocupações da rede é a temática ambiental. As substâncias provenientes da atividade industrial devem estar cada vez mais livres de metais pesados, dioxinas, nitrosaminas, entre outras composições consideradas deletérias à saúde humana, em particular, e ao ambiente natural de maneira geral. Na rede interlaboratorial da água e dos combustíveis ocorreu uma sintonia perfeita com relação a essas exigências.

    Na filosofia da rede, as empresas incorporadas aos programas interlaboratoriais precisam necessariamente superar as diferenças comerciais e de concorrência porque todas prestam o mesmo tipo de serviço e necessitam produzir resultados coerentes para formulações exatamente iguais. Afinal de contas, as normas nacionais e internacionais estão aí para enquadrar a todos sem exceção. Quem sair da linha provavelmente terá vida curta no mercado.

    Entidade independente – A Rede Metrológica do Rio Grande do Sul é uma associação técnica independente com sede na federação das indústrias do estado (Furgs), fundada em 1992. Em 2000 adquiriu proficiência na produção de relatórios e análises em meio ambiente. O organismo tem reconhecimento e competência na execução de auditorias em laboratórios voltados a ensaios de produtos como os especializados na calibração de equipamentos interessados em adquirir as normas da ABNT, receber auditorias do Inmetro e se credenciar para as normas internacionais ISO 9000, 14000 e 17025.

    Organização não governamental de cunho técnicocientífico, a Rede MetrológicaRS atua ainda como articuladora na prestação de serviços qualificados para o aprimoramento tecnológico da indústria gaúcha, além de organizar e promover atividades voltadas à divulgação da Cultura Metrológica nas mais diversas áreas, em todo o Estado. O coordenador da instituição, Daniel Homrich, destaca o caráter independente da Rede por não se relacionar com laboratórios de compradores ou de vendedores dos serviços. Conforme diz, o trabalho da instituição vem ganhando importância na mesma proporção em que as indústrias gaúchas vêm compreendendo o papel da metrologia na elevação da qualidade e produtividade.



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