Jornada de Segurança de Processos promove troca de experiências

Troca de experiências com o objetivo de promover a melhoria contínua

Evento realizado na capital paulista teve apresentações focadas na formação de profissionais, na importância do fator humano e análises de risco nas plantas.

A “1ª Jornada Segurança de Processos” organizada pela Comissão Temática de Segurança de Processo (Sepro) da Abiquim foi realizada no dia 24 de setembro, em São Paulo.

Segundo o coordenador do grupo e líder de Segurança de Processos da Dow Brasil, João Carlos Gregoris, a jornada foi inspirada em um evento realizado, desde 2016, em Bahia Blanca, na Argentina.

“Neste encontro são apresentados os equipamentos e projetos em segurança de processo do site, é feita a educação e treinamento dos profissionais e envolve outras indústrias da região, representantes de agências governamentais e universidades.

Pretendemos que a jornada seja bienal, alternando a empresa que a receberá”, explica Gregoris.

A abertura da jornada teve a participação da diretora de Operações da Dow América Latina, Teresa Keating.

Ela explicou que os profissionais envolvidos na segurança de processo devem ter como foco: “proteger pessoas e gerenciar riscos”.

Outro ponto destacado pela executiva foi a necessidade do aprimoramento constante, pelo estudo de ocorrências passadas.

“Desenvolvemos sistemas para que os casos que ocorreram em outras plantas não aconteçam nas nossas, mas é preciso ter disciplina para seguir os processos nas indústrias”, afirma.

O coordenador da Comissão Sepro, João Carlos Gregoris, explicou na apresentação “A Segurança de Processos e o Risco Tecnológico”, que a segurança é definida pela probabilidade de um evento ocorrer e a severidade do que pode acontecer.

“As empresas precisam realizar análises de riscos e criar camadas de proteção voltadas a neutralizar esses riscos. No entanto, é necessário que a sociedade, que queira os produtos e os benefícios da indústria, saiba de seus riscos e com o auxílio das empresas esteja preparada para responder em casos de emergências”.

Gregoris ainda apresentou o trabalho realizado pela empresa na apresentação “Segurança de Processos em Fornos de Sílica”, que envolveu conhecimentos de riscos da área de siderurgia.

Química e Derivados - A diretora de Operações da Dow América Latina, Teresa Keating
A diretora de Operações da Dow América Latina, Teresa Keating

Fator humano na segurança de processo

Segundo o sócio da ARrisk Consultoria, Antônio Ribeiro, que fez a apresentação “Desafios na formação de competências em Segurança de Processos nas universidades no Brasil”, as empresas precisam ter a visão de que a segurança de processo é importante para a sustentabilidade do negócio.

Ribeiro ainda destacou como o mercado norte-americano passou a investir na formação em segurança de processo nos cursos de engenharia química após o Conselho de Investigação sobre Segurança Química e Riscos dos EUA produzir, em 2009, o relatório sobre as causas do acidente no laboratório T2, que ocorreu em 2007.

Esse episódio gerou a mudança na grade curricular dos cursos de engenharia química nos Estados Unidos e desde 2012 o número de universidades que promovem o curso de segurança de processo na grade curricular tem crescido.

No Brasil, há o desafio de introduzir a segurança na grade dos cursos, além de aumentar o diálogo com o governo e as universidades. Ribeiro explica que as empresas poderiam destacar o aumento da empregabilidade dos profissionais que possuem esse conhecimento.

O gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Oxiteno, George Tonini, fez a apresentação “Bypass de Barreiras de Proteção: visão frente a fatores humanos” e afirmou que o fator humano sempre influenciará a segurança de processo.

Tonini ressaltou a importância das ações humanas quando uma barreira de contingenciamento está em bypass (é desativada por um motivo, que pode ou não ter sido intencional).

“Nesse cenário, é possível ponderar o risco do fator humano, mas é preciso que o profissional tenha as condições para executar a tarefa, avaliar se ele tem a ferramenta adequada, se tem o tempo adequado para tomar a ação necessária para interromper o desvio de processo, se caso ele falhe ele entende que falhou, se há uma indicação clara em que ponto é preciso tomar a ação”, explicou.

Química e Derivados - O coordenador da Comissão Sepro, João Carlos Gregoris, e o engenheiro da Braskem, Tiago Novo
O coordenador da Comissão Sepro, João Carlos Gregoris, e o engenheiro da Braskem, Tiago Novo

Já o gerente de Segurança e Meio Ambiente da Basf, Werner Ernesto Kleiber, fez a apresentação “Parâmetros para controle de Reações Exotérmicas” e destacou a necessidade de entender como ocorrem os desvios nos processos químicos que podem afetar a reação e o que eles podem causar. Kleiber também ressaltou a necessidade de ter sistemas e procedimentos que os operadores conheçam e tenham capacidade de executar.

“Não adianta desenvolver um sistema complexo e o operador não saber o que ele tem na mão”, afirmou.

Estudos de ocorrências, parceria e tecnologia na análise de riscos

A programação da “1ª Jornada Segurança de Processos”, promovida pela Abiquim e pela empresa Dow Brasil, que recebeu o evento em sua sede administrativa na capital paulista, também destacou a importância do permanente estudo de ocorrências.

Na apresentação “A evolução da Segurança de Processo na Braskem – definições sistêmicas e abordagem específicas: exemplo do tratamento dos eventos de near miss” o engenheiro de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Braskem, Tiago do Monte Novo, explicou que foi necessário realizar um processo de alinhamento entre as equipes responsáveis pela segurança de processo do Brasil, México, Estados Unidos e Alemanha, incluindo a produção de uma análise de risco a cada quinze dias.

“Estudar os incidentes de quase acidentes para melhorar as barreiras e evitar os acidentes, conhecendo as causas e os efeitos dos acidentes menores”.

Química e Derivados - O consultor do CCPS, Alexandre Glitz
O consultor do CCPS, Alexandre Glitz

O consultor do Center for Chemical Process Safety (CCPS), Alexandre Glitz, destacou que a jornada proporciona a troca de experiências e conhecimentos dos profissionais da área, o que torna a indústria química mais segura e que o CCPS tem contribuído realizando encontros para debater o tema.

Glitz destacou que é preciso lembrar e estudar os acidentes que ocorreram nas décadas de 70 e 80. “Fiz uma apresentação para um público que não conhecia o acidente de Bhopal, na Índia, e é importante analisar as causas e consequências dessas ocorrências”.

A programação da jornada também contemplou o mercado de resseguros e a especialista de Subscrição da Gerência de Riscos de Property do Instituto de Resseguros do Brasil, Tatiana de Jesus Soares da Silva, destacou a necessidade de as empresas e seguradoras atuarem como parceiras na realização da inspeção para a confecção do relatório com as recomendações de melhoria das exposições de riscos que possuem e não possuem barreiras.

“A inspeção ajuda a aumentar a confiabilidade da operação do segurado, a seguradora não é uma auditoria. Se o risco for trabalhado para ser minimizado, é possível aumentar a cobertura por haver menor chance de sinistro”, explicou.

O diálogo com a comunidade foi destacado pelo diretor da RSE Consultoria, Américo Diniz, além de realizar uma análise quantitativa dos riscos.

“A empresa precisa dialogar com a comunidade para estabelecer uma relação de confiança, sendo necessário explicar os cenários e o papel da indústria e da comunidade em uma emergência”.

Diniz ainda destacou que a tecnologia permite a realização de análises de risco simuladas por software e o conhecimento obtido pela análise, como os potenciais riscos e como eles podem afetar a sociedade, precisa ser passada à alta direção.

O assessor técnico da Abiquim, William Matsuo, apresentou o Programa Atuação Responsável e sua relação com a Comissão Temática de Segurança de Processos da Abiquim. Destacou também a parceria com o Center for Chemical Process Safety (CCPS) na tradução dos livros de segurança de processo da entidade americana.

A Comissão Temática de Segurança de Processo da Abiquim é composta pelas empresas Arlanxeo Brasil, BASF, Braskem, Buckman, Cabot, Chevron, Cia Nitroquímica, Clariant, Cofic (Comitê de Fomento Industrial de Camaçari), Copebras, Croda do Brasil, DOW Brasil, DuPont, Ecolab, Elekeiroz, Evonik, ExxonMobil, Firmenich & Cia, Givaudan, Huntsman, Kraton, Lanxess, Mosaic, Oxiteno, Performance Speciality Products do Brasil, PPG Industrial, Produquímica, Rhodia, Solutia Brasil, The Chemours, Tronox, Umicore, Unigel, Unipar Carbocloro, Unipar Indupa, Vale Fertilizantes e Yara Brasil.

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