Química

IYC 2011 – Ensino de Química – Cursos de todos os níveis devem ir além da formação científica

Marcelo Fairbanks
15 de abril de 2011
    -(reset)+

    Química e Derivados, Édina Marta Uzelin, SENAI Mario Amato São Bernardo do Campo-SP

    Édina: curso técnico integrado era melhor

    Na nova regulamentação, os ingressantes no curso profissionalizante precisam estar frequentando o ensino médio regular ou já tê-lo cumprido. “Sofremos, portanto, com as deficiências do ensino médio, exigindo retomar os conceitos básicos quando necessários, tomando parte do tempo das disciplinas”, criticou Édina. A cada ano, cerca de 90 técnicos completam sua formação na escola, com três semestres letivos e um de estágio obrigatório.

    A estruturação do curso técnico em Química da Escola Senai Mario Amato foi feita com base na regulamentação profissional e também pelas necessidades das indústrias, levantadas mediante pesquisas. “Procuramos saber quais habilidades as indústrias estão buscando e incluir o máximo de conhecimento possível na formação, incluindo microbiologia e operações unitárias”, explicou. “Mas as demandas específicas não entram no curso de Química, mas podem levar à criação de cursos complementares.”

    A Escola Mario Amato possui instalações dotadas de equipamentos e instrumentos atualizados, desde cromatógrafos e espectrômetros até instalações semi-industriais para operações unitárias e para processos de galvanoplastia. Todos os efluentes dos laboratórios são encaminhados para estação de tratamento da própria escola. Além das instalações didáticas, o complexo de São Bernardo do Campo conta com laboratórios para a prestação de serviços para interessados. Ao todo, são sete os laboratórios da escola acreditados pelo Inmetro, um deles voltado especificamente para a área de tintas e vernizes, no qual foram desenvolvidas as normas mínimas de qualidade patrocinadas pela Abrafati e convertidas em normas ABNT.

    Édina observa que há poucos cursos técnicos de Química à disposição dos interessados. “É um curso caro, exige bons professores, laboratórios e equipamentos sofisticados, sem mencionar que vários reagentes usados têm uso controlado e exigem licenças, tudo isso é custo”, considerou. A chegada de cursos superiores de curta duração (de três anos) em áreas tecnológicas não chegou a afetar a procura pelo curso técnico da Escola Senai Mario Amato, segundo Édina. As vagas continuam sendo muito disputadas a cada ano. Além do curso técnico em Química, a escola mantém outros cursos profissionalizantes, em plásticos e cerâmica, e também cursos superiores e de pós-graduação.

    Atrair os jovens – O futuro da Química depende da capacidade de atrair jovens interessados na ciência e de oferecer respostas às demandas mais urgentes da sociedade, entre elas o controle da poluição ambiental. Como observou o professor Hans Viertler, “a Química só avança quando há um problema para resolver, daí a importância de manter uma ligação com o mundo real, as indústrias e a comunidade”.

    O interesse pela Química muitas vezes é despertado por fatos singelos, ainda na infância. Viertler nasceu na Áustria, onde viveu e estudou até o que seriam hoje as séries altas do ensino fundamental. “No primeiro ano ginasial, o professor misturou limalha de ferro com ácido clorídrico, liberando hidrogênio que ele fez explodir com uma chama”, comentou. Em seguida o professor misturou ferro e enxofre, sem nenhum resultado. Mas a mistura foi aquecida, até emanar o cheiro forte e característico dos gases sulfurosos. “Foi uma experiência bobinha, mas capaz de convencer os alunos de que ali houve transformações químicas; criou essa consciência nas nossas cabeças”, enfatizou. Esse primeiro contato foi reforçado com a leitura de um livro sobre polímeros, despertando em Viertler a paixão pela Química que o acompanhou pela vida toda.

    De forma semelhante, até o segundo ano do ensino médio Luciana Oliveira de Lellis pretendia se tornar uma engenheira civil, seguindo o exemplo paterno. “Meu colégio oferecia aulas opcionais de laboratório químico no período da tarde e lá acabei me interessando por um projeto de pesquisa sobre reciclagem de materiais, com enfoque ambiental”, comentou. “Depois disso, decidi estudar Química.”

    Um dos motivos para a criação do Ano Internacional da Química é exatamente recuperar entre os jovens a imagem da ciência como forma de transformar para melhor o mundo. Cabe a todos os profissionais e aos professores da área proporcionar experiências como as mencionadas acima.

     



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *