Química

IYC 2011 – Ensino de Química – Cientista recomenda aprofundar conceitos

Marcelo Fairbanks
15 de abril de 2011
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    Isso só ocorre em um ambiente no qual a formação se dá por meio da pesquisa. “Não qualquer pesquisa, mas aquela voltada preferencialmente aos problemas mais prementes da sociedade, geralmente manifestados pelas organizações sociais e empresas, que são a expressão mais visível e importante da sociedade organizada”, comentou.

    O professor aponta como dificuldades o fato de o número de cientistas atuantes do Brasil ser ainda pequeno – a cidade de Boston, nos EUA, tem mais doutores em Química que o Brasil inteiro –, muito aquém das necessidades nacionais. Ele ressaltou que já foram criadas as bases para a formação de pessoal, técnicos, engenheiros, professores e para a geração de ciência e tecnologia, com a entrada em operação do sistema dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, das novas universidades, e de programas de financiamento como o Prouni, por exemplo.

    Química e Derivados, Ensino de Química, Jairton Dupont, Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

    Dupont: jovem foge da Química se desconhece a sua linguagem

    No entanto, ele observa que o país não dispõe de mestres e doutores em quantidade e qualidade (nas áreas de exatas e de engenharia, principalmente) suficientes sequer para atender à expansão do ensino superior, sem mencionar a demanda do setor não acadêmico, especialmente com o advento do pré-sal, por exemplo.

    Dupont considera singular esse momento de metamorfose, pelo qual outros países já passaram. “O Brasil necessita de gente qualificada em todos os níveis e, para fazer ciência, de técnicos, engenheiros e, claro, de doutores; entretanto, se não for mudado o marco legal para administrar a ciência e se as Universidades Federais com pós-graduação de excelência não assumirem suas responsabilidades, essa oportunidade histórica será perdida”, advertiu o pesquisador.

    O cientista ressalta que as condições estão aí para que o círculo virtuoso do avanço da economia com o avanço da ciência, tecnologia e inovação se estabeleça e se consolide, lembrando que, enquanto nos países desenvolvidos existe uma crise de vocação para as ciências e engenharias, no Brasil ainda há um exército de potenciais cientistas, sendo preciso criar um modelo de recrutamento de jovens talentos para a ciência, a exemplo do que já se faz exemplarmente no futebol e no voleibol.

    Para o professor, as Universidades Federais com tradição em pesquisa e detentoras dos programas de pós-graduação de excelência nas ciências e engenharias devem assumir seu papel preferencial e deixar de querer competir com os IFETs, novas universidades públicas, e universidades privadas que sabem muito bem como formar os técnicos, os graduados e os engenheiros que o país necessita.

    No plano pessoal, Jairton Dupont é um apaixonado pela culinária. “A relação entre a química e a culinária está presente em tudo, pois a química transforma a matéria e cozinhar é transformar”, explicou. Para o pesquisador, a única diferença entre um laboratório de pesquisa e uma cozinha está nas ferramentas analíticas que são mais complexas no processo de reconhecimento molecular. O paladar, o olfato, o tato e a visão na cozinha nos convocam muito mais a um momento intuitivo, embora seguir as receitas da reação evoque à ciência gastronômica.

    Sobre os pratos que prefere cozinhar, ele adere à corrente empírica. “Gosto muito de fazer o prato em função dos ingredientes que tenho à mão no momento, adaptando as técnicas da culinária francesa, indiana e da África do Norte aos ingredientes tipicamente brasileiros”, informou. Os pratos mais solicitados por Martha e Isabel Cristina, as duas mulheres de sua vida, são o cuscuz marroquino que, de acordo com o pesquisador, é feito com a técnica gaúcha de assado, e o escondidinho de carne de sol, um prato brasileiro preparado segundo os princípios da culinária francesa.



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    Um Comentário


    1. Concordo com o químico Dupont, com extrema certeza, em relação aos alunos que estão cada vez menos interessados pela as matérias exatas, química, matemática e física realmente é isso que acontece. Gostei muito quando ele comentou que o aluno foge da química se desconhece sua linguagem, tenho o mesmo pensamento á respeito de aprofundar conceitos.



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