Isolantes: Associação protege lãs minerais contra preconceito

Uma associação de classe recém-inaugurada no Brasil pretende intensificar o uso e tentar desmistificar alguns preconceitos a respeito das lãs minerais.

Criada oficialmente em junho de 2001, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Lãs Isolantes Minerais (Abraliso) está organizando pelo país um programa de esclarecimento, junto a possíveis clientes, sobre novas possibilidades de aplicação das lãs de rocha e de vidro.

Faz parte da estratégia explicar também a inocuidade das lãs sobre a saúde de trabalhadores e consumidores.

“O nosso interesse não é comercial, mas técnico-orientativo”, afirmou o vice-presidente da Abraliso, Roberto Luiz Correa Netto, também diretor da produtora de lã de vidro Isover Brasil, do grupo francês Saint-Gobain e uma das sócias-fundadoras da associação junto com a Rockfibras, especializada em lã de rocha.

Correa Netto acredita que a criação da Abraliso veio preencher uma lacuna no mercado brasileiro: “Embora sejam produtos consagrados e apreciados mundialmente, há muita desinformação e desconhecimento sobre eles no Brasil”, diz.

A informação mais importante que a Abraliso pretende combater é a que associa as lãs ao câncer.

Para isso, a associação se vale de um argumento considerado por Correa Netto sem direito a réplicas: em outubro de 2001 a International Agency for Research on Cancer (IARC), órgão subordinado a ONU, reclassificou as fibras minerais (lãs de vidro e de rocha) para o chamado grupo 3 de produtos, ou seja, os não-cancerígenos para os seres humanos.

Segundo ele, a reclassificação foi possível graças a 18 anos de pesquisas e visava atender acordos entre a IARC e as associações de fabricantes europeus (Eurima) e americanos (Naima).

Antes dessa reclassificação, porém, o preconceito tinha um fundamento. Isso porque o próprio IARC classificava as lãs como pertencentes ao grupo 2B, de produtos possivelmente cancerígenos.

Mas essa classificação, para os fabricantes, era muito mais em virtude da má fama de outras fibras, principalmente a de amianto.

Bastava ser fibra e mineral para já ser considerada prejudicial. Com as pesquisas, as lãs de rocha e de vidro perderam esse rótulo, enquanto as outras fibras, como a cerâmica e a de amianto, continuaram tachadas como perigosas à saúde humana.

Para chegar a essa conclusão, a IARC levou em conta uma soma de aspectos abordados pelas pesquisas. Em primeiro lugar, ficou provada a biossolubilidade das partículas inaláveis das lãs.

Isso significa que essas partículas são expelidas pelo corpo humano em um curto período de tempo.

O melhor ainda, e também levado em consideração pelo IARC para reclassificá-las no ano passado, foi o progresso conseguido pelos fabricantes para aumentar a biossolubilidade.

Química e Derivados: Isolantes: Correa - ONU reclassificou as lãs como não-cancerígenas.
Correa – ONU reclassificou as lãs como não-cancerígenas.

“Ao longo do tempo, houve uma diminuição expressiva dos dias em que as lãs permanecem no organismo”, explicou o vice-presidente da Abraliso.

No caso do produto da Isover, a lã de vidro, isso foi possível graças a alterações na composição vidreira, que fazem a permanência das fibras no ser humano ser inferior a dez dias.

Para Correa Netto, porém, os fatores mais conclusivos para a resolução da IARC se basearam nas pesquisas epidemológicas com grupos de pessoas expostas às fibras. Esses estudos, realizados por 13 anos com vários tipos de população (operários, aplicadores, consumidores finais), provaram nunca ter existido casos de câncer ligados às lãs de rocha ou de vidro.

“Juntando-se os testes de biossolubilidade realizados em cobaias, em cujos pulmões foram injetadas as fibras, com os epidemológicos, à IARC não restou outra alternativa senão reclassificar as lãs”, comemora o executivo.

Potencial de mercado – Além da questão de saúde ocupacional, a Abraliso pretende enfatizar outra frente de divulgação das lãs minerais: a de aplicações ainda novas no Brasil.

Para a associação, formada apenas pelos respectivos líderes locais dos dois segmentos, a Isover e a Rockfibras, ainda há muito a ser desenvolvido, em comparação aos mercados mais maduros, como o europeu e o norte-americano.

O exemplo mais significativo é o emprego de ambos os revestimentos em construção civil. Para essa aplicação, as mantas e placas de lãs de vidro e rocha, utilizadas em paredes, forros, pisos e coberturas, têm uma somatória de qualidades.

Em primeiro lugar, e obviamente, são isolantes térmicos, protegendo o ambiente interno tanto do frio como do calor. Mas também são eficientes isoladores acústicos e, por fim, possuem bom desempenho em caso de incêndio, porque não propagam chamas, nem emitem fumaças tóxicas e contam com tempo elevado de resistência ao fogo.

Esse perfil faz o uso em construção civil ser o mais importante mercado da lã de vidro no mundo, responsável pelo consumo de cerca de 75% da produção.

Principalmente por ser mais leve que a de rocha, a lã de vidro também começa a ser aplicada no Brasil, sobretudo como enchimento de paredes secas (dry wall), estruturas desmontáveis de gesso que substituem as de alvenaria em virtude de sua praticidade de montagem.

Não por menos, para a Isover o mercado de construção civil passou de uma participação nas vendas de 15%, em 1995, para atuais 60%.

A meta interna da Isover é chegar na média mundial de 75%. Mas também faz parte da Abraliso pretender aumentar a participação nesse setor para as lãs minerais como um todo.

Isso porque a lã de rocha, embora seja mais voltada para aplicação industrial por suportar temperaturas superiores a 500ºC  (temperatura limite para a lã de vidro), também consegue fazer negócios na área por ter praticamente os mesmos predicados da vítrea, com exceção do seu maior peso.

A intenção da Abraliso se traduz, num primeiro momento, em breve workshop com associados do Sinduscon (sindicato da indústria de construção civil) para explicar o correto uso e as vantagens das lãs minerais.

Uma outra motivação para o emprego das lãs em construção civil é a recente norma orientativa criada pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo. Preceitua a regulamentação que todas as construções no Estado paulista, para fim de obtenção do habite-se, devem seguir uma série de recomendações quanto à classificação de produtos.

Embora a norma não tenha poder de lei, e nem se refira especificamente ao uso das lãs, deve aumentar as vendas desses produtores.

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