Isolamento térmico: Mistura de lãs substitui revestimento tradicional

A TecnoMag Engenharia, constituída em abril, já tem sonhos de gente grande.

A empresa aposta no bom potencial dos revestimentos removíveis e reutilizáveis, com misturas baseadas principalmente em lãs de vidro, para alavancar o crescimento e implantar uma novidade no mercado.

“Trata-se de um novo conceito em isolamento térmico removível e reutilizável”, explica com entusiasmo o engenheiro Antonio Carlos Brevilieri, assessor técnico da TecnoMag e responsável direto pelos estudos e pesquisas de mercado desenvolvidos há 4 anos que indicam a viabilidade do projeto, sempre onde haja necessidade de manutenção periódica dos equipamentos.

Com sede em São Caetano do Sul-SP, a empresa garante estar em condições de fornecer um produto que custa cerca de duas vezes mais do que o isolamento térmico tradicional, mas pode ter uma vida útil de aproximadamente cinco anos, dependendo da forma de manipulação do produto e das condições de intempérie a que for submetido.

“O custo-benefício é enorme”, afirma Brevilieri.

Num segmento de mercado em que os produtos são feitos sob encomenda e cada caso precisa ser planejado particularmente, a empresa recém-nascida já está elaborando ofertas para a Petroquímica União (revestimento de dutos dos fornos de queima de nafta) e para a Alcoa (27 válvulas).

Materiais de teste serão providenciados para a comprovação das vantagens do produto. Além disso, a TecnoMag se prepara para qualificar-se como fornecedora da Petrobrás. O produto em si já foi aprovado pela estatal, em 2000, quando Brevilieri atuava na Panambra, ex-detentora da tecnologia.

O que chamou a atenção desse inquieto engenheiro é que, enquanto nos outros países já está difundida a técnica dos revestimentos removíveis e reutilizáveis, no Brasil é comum a manutenção em equipamentos, linhas, dutos, válvulas e instrumentos exigir a remoção completa do isolamento térmico.

Quando isso acontece, “sempre existe a necessidade da recolocação no local da intervenção, de novo revestimento isolante”, pondera.

Isso implica uma demora durante o período de retirada do isolamento existente e outra, maior ainda, para a reconstrução do novo isolamento.

Química e Derivados: Isolamento: Brevilieri - técnica ainda não é utilizada no Brasil.
Brevilieri – técnica ainda não é utilizada no Brasil.

“O custo dessas atuações é alto, pois envolve material novo, mão-de-obra qualificada e tempo”, diz o engenheiro que, observando essa realidade, chegou à conclusão de que o desenvolvimento, no Brasil, de um sistema que permita ganho de tempo e economia de materiais tem tudo para obter grande aceitação no mercado.

As mantas removíveis/reutilizáveis são consideradas fáceis de manipular, não necessitando de mão-de-obra especializada.

Dependendo do número de intervenções necessárias, o produto tem um retorno em menos de um ano.

Como não existe descarte de material, não se produzem poeiras ou qualquer sujeira (fator positivo para as indústrias alimentícias) e os custos administrativos de compra e de operação passam a não existir.

As mantas também podem reduzir o nível de ruído em até 25 decibéis.

Vestimenta feita sob medida para cada equipamento, o produto é composto, basicamente, de três partes: a que fica em contato direto com o equipamento a ser revestido, com a superfície cuja temperatura se quer preservar; a parte intermediária, ou isolamento térmico propriamente dito, que garante não haver perda de temperatura pelo equipamento; e a parte exterior, exposta ao meio ambiente.

A espessura do isolamento vai depender, obviamente, das características do processo onde será utilizado. Outros materiais que também fazem parte do revestimento devem ser igualmente bem especificados: linhas para as costuras, presilhas para fechamento, cordas de fechamento, acessórios para fechamento e para manter a estrutura.

As mantas podem ser confeccionadas com os seguintes materiais: lã de vidro recoberta com silicone, resistente a produtos químicos; lã de vidro aluminizada, resistente a óleo; lã de vidro recoberta com teflon, resistente a raios UV e produtos químicos; tecido de lã de vidro; tela de aço inox; e tela de aço inconel.

Os produtos são projetados considerando a especificidade térmica, a configuração do equipamento e o meio em que está inserido. Os produtos concorrentes são feitos, principalmente, à base de silicato de cálcio e materiais fibrosos (cerâmica e vidro).

De acordo com as pesquisas de Brevilieri, esses revestimentos podem ser aplicados em válvulas, bombas, trocadores de calor, exaustores, manifoldes, linhas de vapor, linhas de gás, turbinas, instrumentos medidores e indicadores, portas de visita, isolamento térmico, isolamento acústico, proteção pessoal, proteção contra fogo, cortinas de fogo, revestimentos especiais, revestimentos isolantes criogênicos e juntas de dilatação.

Os produtos podem ser desenvolvidos para utilizações especiais e condições de temperatura que variem de -60°C até cerca de 1.000° C.

O nicho de mercado do produto abrange vários setores industriais: química e petroquímica, energia, energia nuclear, fertilizantes, siderurgia, metalurgia, cimento, vidro, papel e celulose, alimentício, cítrico, sucroalcooleiro e automobilístico, além de incineradores e hospitais.

Brevilieri calcula que esses produtos terão praticamente 50% de componentes importados (os tecidos, basicamente).

Há uma empresa, a Indaco, de São Paulo, que já fabrica tecidos resistentes a altas temperaturas.

A estratégia da TecnoMag compreende a terceirização, inicialmente, da costura.

A montagem dos produtos será feita totalmente na unidade de São Caetano do Sul.

O engenheiro também tem outro motivo para comemorar: em apenas um mês de vida, a empresa recebeu quatro consultas.

“É um número significativo”, diz. A TecnoMag também se dedica à manutenção de refratários.

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