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ISO 14000: Novo texto será definido em julho

Jose P. Sant Anna
25 de maio de 2003
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    A questão da imagem ganha importância junto aos exportadores, uma vez que a opinião pública de muitos países desenvolvidos faz com que neles as leis se tornem muito rígidas em relação aos processos industriais poluentes. Cajazeira cita um recente estudo assinado pelo Banco Mundial para reforçar a tese de que em várias regiões do planeta há uma crescente tendência de importação de produtos fabricados a partir de plantas que adotem medidas de preservação da natureza.

    Química e Derivados: ISO: Prestes - norma traz muitas vantagens para companhias.

    Prestes – norma traz muitas vantagens para companhias.

    Alguns outros benefícios da adoção da norma não passam desapercebidos em uma análise mais cuidadosa. Com o certificado na mão, por exemplo, as companhias ficam mais protegidas das ações dos órgãos fiscalizadores ligados aos níveis de governo municipal, estadual e federal, cujo rigor cresce dia a dia. “É incalculável o prejuízo institucional e econômico de uma empresa condenada a paralisar sua produção por um determinado período por ter sido flagrada ferindo a legislação ambiental”, ressalta Prestes. Como trabalham em um regime que proporciona maior controle sobre os riscos de acidentes, as corporações credenciadas também encontram maiores facilidades para obter financiamento e contratam seguradoras a preços mais competitivos. “Não se pode esquecer a grande receptividade da comunidade onde as plantas estão instaladas e dos funcionários, que de maneira espontânea se sentem muito mais motivados”, acrescenta o diretor.

    Todos esses aspectos são potencializados ou não de acordo com o setor no qual a companhia opera. Nesse aspecto, as indústrias química e petroquímica surgem como maiores interessadas. “É um segmento onde os riscos de danos ambientais são mais críticos e a opinião pública fica mais atenta. É diferente, por exemplo, dos casos da indústria eletrônica, que pode se preocupar mais com a adoção de medidas que garantam a qualidade de seus produtos. Ou da construção civil, mais sujeita a acidentes e que por isso procura seguir de perto os procedimentos destinados para a garantia da segurança e saúde do trabalho”, ressalta Hugo Pacheco, gerente técnico e de certificação do Bureau Veritas.

    Cerca de 170 empresas do ramo químico e petroquímico no Brasil já contam com o certificado, número equivalente a 32% do universo das companhias certificadas, de acordo com os dados registrados pelo Inmetro. “Em termos de número de empresas pode parecer pouco, uma vez que o País conta com de 5 mil a 6 mil companhias ligadas ao setor. Mas realizamos uma pesquisa junto as cem maiores empresas do ramo químico e petroquímico no Brasil, que respondem por cerca de 90% do faturamento deste segmento, e todas já seguem ou estão em processo de adoção da norma”, revela Pacheco.

    Química e Derivados: ISO: grafico_iso03.

    Avião – Nem todos são defensores ardorosos da ISO 14001 para a gestão dos processos ambientais das empresas. Alguns críticos lembram que ela apenas controla o conhecimento que uma empresa tem da gestão de uma política de proteção ambiental, não controla dados como a emissão de poluentes ou o investimento no combate à prevenção de acidentes. Para quem apoia a tese, os vários acidentes graves provocados por descuidos de corporações certificadas são uma prova de sua pouca eficiência.

    O argumento não é aceito pelos especialistas. Prestes admite que a norma não garante o desempenho do sistema de gestão ambiental de uma empresa, se resume à instrução ao usuário de como gerenciar um processo industrial dentro de condições favoráveis à eliminação de riscos. Mas acha que esse aspecto já é dos mais elogiáveis. Para justificar seu ponto de vista, utiliza uma metáfora. É impossível eliminar todos os riscos de acidente de uma aeronave em pleno vôo. Mas quanto mais um avião é mantido por uma equipe de manutenção bem preparada, maiores as chances das viagens serem tranqüilas.

    Pacheco cita outro aspecto que considera essencial. “As normas prevêem as atitudes que as empresas devem tomar quando ocorrem acidentes, elas ficam preparadas para adotarem planos de ação capazes de reduzirem os impactos provocados”, ressalta. Ou seja, no caso da necessidade de um pouso forçado, é bem melhor contar com um piloto e uma equipe de bordo experientes e treinados do que com novatos.

    O conceito de “melhoria contínua” previsto na ISO 14000 é outro aspecto exaltado pelos seus defensores. É preciso obsevar que o texto não faz exigências sobre os investimentos que serão destinados ao aperfeiçoamento da gestão do controle ambiental. Dessa forma, duas empresas concorrentes que obtenham o certificado no mesmo dia, daqui a três anos podem estar em estágios muito diferentes. De acordo com suas prioridades e da disponibilidade de recursos, por exemplo, uma pode investir R$ 3 milhões por ano em sua planta em um projeto de preservação da natureza, enquanto outra pode investir apenas R$ 30 mil. “Mesmo que em níveis diferenciados, é impossível negar que haja um constante progresso na gestão do controle ambiental”, reforça Pacheco.

    Outro defensor do texto, Cajazeira mostra-se otimista em relação ao futuro. Para ele, considerando-se que mais de 36 mil empresas de todo o mundo já contam com sistemas de gestão baseados na norma, é de se esperar que o desempenho ambiental do planeta tenda a melhorar. Ele reconhece que o quadro atual é preocupante e justifica a sensação sentida pelas pessoas de que a proteção à natureza não tem evoluído de maneira satisfatória. Mas aponta o livro The Skeptical Environmentalist (“O Ambientalista Cético”, lançado no Brasil pela editora Campus), escrito pelo professor dinamarques Bjorn Lomborg, para justificar sua opinião. “Baseado em fatos, e não em mitos, o autor demostra que houve, nos últimos anos, uma melhora em praticamente todos os indicadores ambientais mensuráveis”, garante.



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