Investimento e desenvolvimento – ABIPLA

Um levantamento da CNI – Confederação Nacional da Indústria apontou que a intenção de investimento da indústria permanece estável neste início de ano (57,9 pontos em janeiro) e acima da média histórica (50,8).

Esse dado se reflete também entre os fabricantes de produtos de limpeza.

Como nosso setor se baseia em planejamento de longo prazo, mesmo em meio à atual crise econômica, a expectativa é de que os associados da ABIPLA mantenham suas estratégias de crescimento para os próximos anos. E isto é ótimo para o setor e para o Brasil.

Ainda segundo a Confederação, de cada R$ 100 investidos pelas empresas brasileiras em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), R$ 69 vêm da indústria. Entre 2016 e 2019, em valores correntes, o aporte em inovação de processos e produtos cresceu 33,4%, passando de R$ 12,7 bilhões para R$ 16,9 bilhões. No terceiro lugar entre os segmentos industriais que mais investiram, está a indústria química, que engloba os fabricantes de produtos de limpeza, com soma superior a R$ 2,5 bilhões.

Claro que isso não é surpresa para os leitores da Química e Derivados.

Quem atua no setor químico, sabe como o departamento de P&D é imprescindível para as nossas atividades.

Em nosso setor, há uma busca constante pelo aperfeiçoamento dos produtos.

O trinômio tecnologia, eficiência e sustentabilidade é a base da indústria química e de saneantes no Brasil.

No entanto, lembro dos desafios conjunturais que enfrentamos no País.

Na sondagem industrial da própria CNI, em dezembro de 2021, os principais obstáculos apontados pelos empresários industriais brasileiros foram a falta ou alto custo da matéria-prima (citados por 60,6% dos entrevistados), elevada carga tributária (33,2%), demanda interna insuficiente (23,1%), falta ou alto custo de energia (22,7%) e taxa de câmbio (22,5%).

Como se nota, a pandemia ainda impacta o desenvolvimento industrial brasileiro.

No caso dos fabricantes de produtos de limpeza, embora não estejamos enfrentando falta de matéria-prima, o custo para obtenção dos insumos aumentou muito nos últimos dois anos.

Não enfrentamos problemas de demanda interna, uma vez que nossos produtos são essenciais para a saúde da população e de fácil acesso, tanto em preço quanto em disponibilidade, mas câmbio, energia e carga tributária são sérios obstáculos ao crescimento econômico do País.

Fomento

A ABIPLA é defensora da modernização do ambiente de negócios do Brasil, com regras mais claras, simplificadas e que fomentem o desenvolvimento tecnológico.

Tomando como base alguns dados do setor de saneantes, vemos, de maneira clara, os benefícios que investimento em P&D proporcionam ao País: nosso saldo de empregos nos dois anos de pandemia (2020 e 2021) é positivo.

O faturamento do setor passou de R$ 26 bilhões, em 2019, para R$ 30 bilhões, em 2020. Novas fábricas foram inauguradas nos últimos dois anos, algumas delas de médio e grande portes. Tudo isso em meio a uma das maiores crises sanitárias da história, seguida de uma resistente crise econômica no Brasil.

Estes resultados são motivo de orgulho para o nosso setor e uma prova da importância da inovação na economia.

A boa notícia é que o investimento em P&D, por parte dos fabricantes de produtos de limpeza, deve se manter nos próximos anos. A inovação é inerente ao setor e esperamos continuar participando, cada vez mais, da vida dos brasileiros com produtos eficientes, gerando empregos, desenvolvendo tecnologias e arrecadação para a economia.

Balanço de 2021

Neste sentido, a ABIPLA divulgou, recentemente, o balanço de 2021 e o resultado foi de estabilidade em relação aos níveis de produção de 2019 e de 2020. Como vínhamos crescendo em um ritmo bem superior ao PIB e à produção industrial nos últimos anos, o saldo é positivo para o nosso setor.

Vencemos desafios importantes, como a volatilidade na demanda e as dificuldades com matérias-primas no ano passado e conseguimos manter o acesso da população aos nossos produtos.

Além disso, apesar da pressão nos custos, os artigos de limpeza acumularam alta de preços bem menores que a inflação medida pelo IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, tanto que, em 2021, a cesta de produtos de limpeza fechou com alta de 6,84%, ante 13,05% da categoria Habitação (da qual os artigos de limpeza fazem parte) e 10,06% do índice geral.

Ou seja, nossa inflação foi quase a metade da registrada pela categoria da qual fazemos parte.

Como adiantamos na edição passada, nossa expectativa inicial de crescimento para este ano é de 2%, claro, a depender do que pode acontecer com câmbio, cadeia produtiva e desdobramentos eleitorais.

Mas estamos confiantes em um ano de crescimento e, claro, de muitas novidades no nosso setor!

Vamos em frente!

Química e Derivados - Desenvolvimento e otimismo no setor de produtos de limpeza ©QD Foto: istockPhoto
Paulo Engler da Abipla

Paulo Engler é diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA).

Fundada em 1976, a ABIPLA representa os fabricantes de sabões, detergentes, produtos de limpeza, polimento e inseticidas, promovendo discussões sobre competitividade, inovação, saúde pública e consumo sustentável. Seus associados representam o mercado de higiene, limpeza e saneantes do Brasil, setor que movimenta R$ 30 bilhões anuais e responde por cerca de 85 mil empregos diretos.

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