Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Intermediários: Rhodia amplia produção de fenol e acetona

Quimica e Derivados
30 de julho de 2004
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    Reestruturação – Desfilando um bom português, o presidente mundial da Rhodia – que construiu parte de sua carreira no Brasil, onde chegou em 1996 e permaneceu por três anos – também teceu comentários a respeito da reestruturação global sofrida pela empresa. Clamadieu assumiu o comando em outubro de 2003, em meio à séria crise financeira. Em fins de maio de 2004, porém, foi finalizada a renegociação da dívida. Além de US$ 1,4 bilhão em novos recursos para o financiamento, o grupo necessitou de um aumento de capital próprio, de emissões de dívida de longo prazo e de um severo programa de desinvestimentos, terminado em junho. “A Rhodia tem dinheiro em caixa e condições de gerir seus compromissos financeiros até 2009, quando a dívida deverá ser reembolsada”, assegurou o executivo francês. Outra data crucial para a empresa é 2006; nesse ano, espera-se que o grupo volte a ter lucro, além de um nível de rentabilidade mais coerente com o de outras empresas de especialidades químicas.

    Química e Derivados: Rhodia: Cirillo (esq.) e Clamadieu - fenol com know-how nacional. ©QD Foto - Divulgação

    Cirillo (esq.) e Clamadieu – fenol com know-how nacional.

    O desinvestimento, de US$ 1 bilhão, retirou do portofólio negócios como os de fosfatos, vendidos para o fundo americano de private equity Bain Capital, e os de ingredientes alimentares, vendidos para a Danisco, além de outros negócios menores. Finda a reestruturação, a “nova” Rhodia terá faturamento mundial ao redor de US$ 6 bilhões, dos quais US$ 600 milhões, ou 10%, oriundos da operação brasileira.

    Tanto Clamadieu quanto Cirillo, no entanto, foram categóricos em afirmar que as transações não afetaram o tamanho do grupo no Brasil, um dos pontos fortes da Rhodia. A empresa não possui negócios relacionados a fosfatos no País e a posição em ingredientes alimentares era modesta. Além disso, conforme disse Cirillo, o balanço da Rhodia brasileira era muito melhor que o da empresa como um todo, de modo que a situação da matriz afetou, sim, a filial brasileira, mas não impediu o progresso dos investimentos produtivos.

    Também não impediu que a filial brasileira crescesse 5% em volumes no primeiro semestre de 2004, em relação ao mesmo período de 2003, alavancada por exportações próprias, mas também indiretamente pelas exportações das cadeias automobilística, têxtil e de derivados químicos. Alguns segmentos do mercado interno, segundo os executivos da Rhodia, também reagiram e apresentaram crescimento a partir do final do primeiro trimestre de 2004. O faturamento da operação brasileira em 2004, sobre o qual Cirillo não arriscou previsão numérica, deve manter-se em patamar “adequado”, mas com rentabilidade distante das mais empolgantes.

    A empresa prevê investir entre 230 milhões e 260 milhões de euros globalmente neste ano. No Brasil, que deve concentrar os investimentos do grupo nos próximos anos junto com a China, há a possibilidade de inversões em outras unidades com gargalos. Duas possibilidades já estariam sendo discutidas entre matriz e filial. A produção de fenol também poderia ser elevada para 210 ou 230 mil t/ano em alguns anos, mas as conversas, de acordo com Cirillo, são rudimentares.

    E a acetona também – As operações da Rhodia na cadeia da acetona também são exclusivas do Brasil e a atual produção, de 101 mil t anuais, excede a demanda brasileira. Mas, se a procura por acetona no mercado do Brasil não justifica produção tão alta, a demanda por seus derivados, particularmente os solventes oxigenados de largo emprego na indústria, esclarece a aparente incoerência. A partir de acetona e também de etanol, a Rhodia fabrica em Paulínia uma extensa família de derivados oxigenados, incluindo diacetona álcool, acetato de butila, isopropanol, metilisobutilcetona, metilisobutilcarbinol, etilenoglicol e acetato de etila.

    A demanda por esses produtos é tão grande que a Rhodia já anunciou investimentos de US$ 5 milhões no biênio 2004/2005 para elevar a capacidade de produção. De acordo com Mário Lindenhayn, vice-presidente da Rhodia Performance Chemicals Latin America, o investimento, focado em ampliação da capacidade e em desgargalamentos, vai elevar a produção de derivados cetônicos e acéticos, que foi de 150 mil t/ano, em 2003, para 210 mil t/ano, já em 2004, e para 260 mil t/ano, em 2005.



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