Intermediários: Rhodia amplia produção de fenol e acetona.

Além dos 85 anos de atividades no Brasil, a Rhodia comemora em 2004 a expansão de 27% da capacidade de produção da fábrica de fenol e acetona de Paulínia-SP.

O investimento de US$ 10 milhões possibilitou um salto na produção anual de fenol, de 135 mil t para 165 mil t, e a produção de acetona, subproduto do processo, foi elevada para 101 mil t.

Além do reforço de caixa que garantirá à Rhodia, a produção adicional será importante para diversas cadeias produtivas à jusante da empresa de origem francesa, única fornecedora do produto a fabricá-lo no País.

A importância do investimento também pôde ser comprovada pela presença do presidente mundial do grupo, o francês Jean-Pierre Clamadieu, na cerimônia de inauguração da nova unidade produtiva, em junho, no complexo de Paulínia.

O investimento na cadeia fenol/acetona foi motivado pela crescente demanda dos clientes, particularmente em aplicações destinadas à exportação, segundo Luis Carlos Fernandes, presidente da Rhodia Intermediários e Polímeros América do Sul.

“Acreditamos estar contribuindo, ainda que indiretamente, para o esforço brasileiro de obter divisas para a nossa economia, ajudando a alavancar as exportações em vários segmentos, sobretudo os ligados a derivados de madeira e aplicações industriais, além de toda a cadeia do nylon, em que a Rhodia tem força expressiva”, afirmou Fernandes.

No caso específico dos derivados de madeira, um setor com alto padrão de competitividade internacional, a utilização de resinas fenólicas tem registrado taxas de crescimento superiores ao PIB brasileiro, nos últimos quatro ou cinco anos.

“O investimento proporciona à Rhodia e às cadeias dela dependentes um importante efeito de escala”, avaliou o executivo. Em 2003, o mercado de fenol no Brasil, Chile e Argentina foi de 160 mil toneladas.

Em alguns meses e a despeito de investimentos adicionais, a produção da Rhodia pode crescer entre 5% e 10% e atingir 180 mil t/ano, em decorrência de ajustes de processo que tradicionalmente revelam capacidade qualificada por Fernandes como “escondida”.

A empresa é a líder na produção e comercialização de fenol e derivados em toda a América Latina, além de única produtora.

A fabricação em solo brasileiro se iniciou em 1970, com 55 mil t/ano. Nove anos depois a Rhodia dobrava a capacidade, elevada novamente em 2000 com investimentos de US$ 6 milhões em tecnologia (direcionados sobretudo a melhorias de processo).

A expansão atual, no entanto, foi diferente da última, focada em desgargalamentos, e visou basicamente aumentos de capacidade. “Nós também conseguimos melhorar os coeficientes de consumo no atual projeto, mas esse não era o principal objetivo”, disse Fernandes.

A execução do projeto de expansão, segundo o presidente da filial brasileira Walter Cirillo, foi obra da equipe técnica nacional, demorou cerca de 18 meses e ocupou horas de trabalho de cerca de 1.200 pessoas. A produção, no entanto, não foi parada.

O fenol é produzido a partir de cumeno (isopropilbenzeno) fornecido pela Unipar (a empresa também expandiu sua produção, de 190 mil t/ano para 220 mil t/ano), e cerca de 40% da produção é consumida já na fábrica de Paulínia.

A Rhodia hidrogena o fenol para produzir ciclohexanol, usado na produção de ácido adípico. O ácido reage, em meio nítrico (o ácido nítrico também é produzido na fábrica), com a hexametileno diamina (HMD), resultando no adipato de hexametileno diamina, sal orgânico que a empresa polimeriza para produzir poliamidas. Anualmente, a produção total de químicos em Paulínia chega a 650 mil t.

O fenol é nosso – O Brasil é o único país em que a Rhodia produz fenol. Por isso, todo o domínio tecnológico do grupo no segmento se concentra na subsidiária brasileira.

De acordo com Cirillo, Paulínia abriga um centro de pesquisa responsável não só pelo desenvolvimento de aplicações para produtos criados no exterior, mas também pelo aprimoramento de produtos desenvolvidos com tecnologia brasileira.

“Apesar da pequena participação no faturamento do grupo, o Brasil é, de fato, um pólo de desenvolvimento tecnológico da Rhodia”, destacou Cirillo.

“As equipes brasileiras realmente possuem um nível técnico muito bom”, confirmou Clamadieu. A Rhodia é fornecedora da cadeia calçadista no Brasil (assim como na Ásia e, em menor escala, na Europa) e a matriz decidiu, segundo ele, concentrar o desenvolvimento da tecnologia relacionada à cadeia no País.

“Há produtos em desenvolvimento em Paulínia em parceria com clientes brasileiros, e se as coisas se encaminharem bem, eles poderão ser oferecidos na Europa e na Ásia”, revelou Clamadieu.

Mas, apesar da força tecnológica da Rhodia brasileira, não é intenção do grupo, por enquanto, tornar o Brasil uma plataforma de exportação.

O foco ainda é o mercado interno e, embora as exportações da Rhodia tenham bom desempenho, é difícil vender os produtos locais em outros mercados em boas condições de competitividade, mesmo que os produtos saiam das fábricas com bom preço.

Na China, com participação no faturamente global da Rhodia (6%) menor que a brasileira, a situação é a inversa, e há grande interesse pelas oportunidades tanto em exportações quanto no mercado interno. Pesam contra o País a carga tributária sufocante, os custos financeiros exorbitantes e a burocracia arcaica.

Reestruturação – Desfilando um bom português, o presidente mundial da Rhodia – que construiu parte de sua carreira no Brasil, onde chegou em 1996 e permaneceu por três anos – também teceu comentários a respeito da reestruturação global sofrida pela empresa. Clamadieu assumiu o comando em outubro de 2003, em meio à séria crise financeira.

Em fins de maio de 2004, porém, foi finalizada a renegociação da dívida. Além de US$ 1,4 bilhão em novos recursos para o financiamento, o grupo necessitou de um aumento de capital próprio, de emissões de dívida de longo prazo e de um severo programa de desinvestimentos, terminado em junho.

“A Rhodia tem dinheiro em caixa e condições de gerir seus compromissos financeiros até 2009, quando a dívida deverá ser reembolsada”, assegurou o executivo francês.

Outra data crucial para a empresa é 2006; nesse ano, espera-se que o grupo volte a ter lucro, além de um nível de rentabilidade mais coerente com o de outras empresas de especialidades químicas.

Química e Derivados: Rhodia: Cirillo (esq.) e Clamadieu - fenol com know-how nacional. ©QD Foto - Divulgação
Cirillo (esq.) e Clamadieu – fenol com know-how nacional.

O desinvestimento, de US$ 1 bilhão, retirou do portofólio negócios como os de fosfatos, vendidos para o fundo americano de private equity Bain Capital, e os de ingredientes alimentares, vendidos para a Danisco, além de outros negócios menores.

Finda a reestruturação, a “nova” Rhodia terá faturamento mundial ao redor de US$ 6 bilhões, dos quais US$ 600 milhões, ou 10%, oriundos da operação brasileira.

Tanto Clamadieu quanto Cirillo, no entanto, foram categóricos em afirmar que as transações não afetaram o tamanho do grupo no Brasil, um dos pontos fortes da Rhodia. A empresa não possui negócios relacionados a fosfatos no País e a posição em ingredientes alimentares era modesta.

Além disso, conforme disse Cirillo, o balanço da Rhodia brasileira era muito melhor que o da empresa como um todo, de modo que a situação da matriz afetou, sim, a filial brasileira, mas não impediu o progresso dos investimentos produtivos.

Também não impediu que a filial brasileira crescesse 5% em volumes no primeiro semestre de 2004, em relação ao mesmo período de 2003, alavancada por exportações próprias, mas também indiretamente pelas exportações das cadeias automobilística, têxtil e de derivados químicos.

Alguns segmentos do mercado interno, segundo os executivos da Rhodia, também reagiram e apresentaram crescimento a partir do final do primeiro trimestre de 2004. O faturamento da operação brasileira em 2004, sobre o qual Cirillo não arriscou previsão numérica, deve manter-se em patamar “adequado”, mas com rentabilidade distante das mais empolgantes.

A empresa prevê investir entre 230 milhões e 260 milhões de euros globalmente neste ano. No Brasil, que deve concentrar os investimentos do grupo nos próximos anos junto com a China, há a possibilidade de inversões em outras unidades com gargalos.

Duas possibilidades já estariam sendo discutidas entre matriz e filial. A produção de fenol também poderia ser elevada para 210 ou 230 mil t/ano em alguns anos, mas as conversas, de acordo com Cirillo, são rudimentares.

E a acetona também – As operações da Rhodia na cadeia da acetona também são exclusivas do Brasil e a atual produção, de 101 mil t anuais, excede a demanda brasileira.

Mas, se a procura por acetona no mercado do Brasil não justifica produção tão alta, a demanda por seus derivados, particularmente os solventes oxigenados de largo emprego na indústria, esclarece a aparente incoerência.

A partir de acetona e também de etanol, a Rhodia fabrica em Paulínia uma extensa família de derivados oxigenados, incluindo diacetona álcool, acetato de butila, isopropanol, metilisobutilcetona, metilisobutilcarbinol, etilenoglicol e acetato de etila.

A demanda por esses produtos é tão grande que a Rhodia já anunciou investimentos de US$ 5 milhões no biênio 2004/2005 para elevar a capacidade de produção. De acordo com Mário Lindenhayn, vice-presidente da Rhodia Performance Chemicals Latin America, o investimento, focado em ampliação da capacidade e em desgargalamentos, vai elevar a produção de derivados cetônicos e acéticos, que foi de 150 mil t/ano, em 2003, para 210 mil t/ano, já em 2004, e para 260 mil t/ano, em 2005.

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