Têxtil

Insumos caros e concorrência de importados tiram fôlego do setor

Quimica e Derivados
7 de março de 2019
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    Desafios de mercado – Mesmo com todo parque fabril instalado no país, com empresas grandes e verticalizadas que produzem do fio à confecção, o mercado brasileiro recebe um grande volume de importações têxteis. Segundo Fernando Pimentel, em 2018 houve um crescimento de 5,7% no volume de importados, atingindo mais de 1,4 milhão de toneladas. As exportações,  por sua vez tiveram queda de 1,2%. “Na verdade, começamos o ano bem e, até abril, as empresas estavam relativamente satisfeitas. Mas a greve dos caminhoneiros mudou totalmente o panorama. A retomada do crescimento foi lenta, com emprego de baixa qualidade, e isso também não motivou o consumidor. Diferentemente de 2017, quando o nosso varejo cresceu 7,6%, o consumidor não ficou de bem com o produto têxtil em 2018”.

    Com relação ao consumo, o Fernando Pimentel reconhece que o setor “sofreu bastante com as importações”, especialmente a partir do primeiro trimestre do ano, que depois arrefeceram pela estagnação do varejo. Por isso, ele acredita que o ritmo de retomada da produção não será tão rápido. “Há estoques do que foi importado além da nossa capacidade de consumo e esses produtos deverão ficar nas prateleiras até por volta de março de 2019”.

    O presidente da Abit disse ainda que houve um aumento de 11,18% (de janeiro a novembro de 2018) na compra de máquinas e equipamentos para o setor têxtil, somando US$ 404 milhões. Mas esses investimentos foram basicamente voltados pra flexibilização da produção, sustentabilidade e reposição de máquinas que já não tinham mais condições de operar.

    Informalidade e exportação – A Abit estima que pelo menos 35% do comércio de produtos têxteis e vestuário tem algum grau de informalidade no Brasil. O cálculo do PIB informal no país, feito pela Fundação Getúlio Vargas, cresceu no ano passado para 17% do PIB formal, o que é uma característica de países em desenvolvimento, mas no Brasil, segundo Pimentel, “isso é uma epidemia, que sufoca o comércio legal”. Segundo ele, o mercado ilícito passa também por uma outra questão que é o contrabando. “Nossa equipe identificou, em São Paulo, um aumento de produtos ofertados com preços muito abaixo do que seria o mínimo razoável. Portanto, é uma cadeia de ilegalidade que se expande e que não encontra no poder público uma capacidade de ação”, reclama, acrescentando que o combate aos produtos ilegais não passa só pela repressão policial, mas principalmente, por cortar os vínculos destes “importadores” com os grandes fornecedores do varejo para que a concorrência não seja tão predatória.

    Com relação às oportunidades dos produtos têxteis brasileiros no mercado externo, Fernando Pimentel reconhece que o Brasil não faz parte da cadeia global de suprimentos têxteis. “Temos um megamercado, por isso a produção é basicamente voltada para o consumo interno. Estamos entre os cinco maiores produtores mundiais de têxteis e ocupamos a 8ª posição como maior mercado consumidor do mundo, mas somos pequenos na cadeia global, já que só 4% da nossa produção é exportada”.

    Expectativas – Em meados de novembro, a Abit realizou uma pesquisa entre os associados e empreendedores do setor têxtil para saber qual é a expectativa com o novo governo. O levantamento mostrou uma visão otimista, com mais de 65% das respostas, todavia Pimentel alerta que isso pode mudar caso o presidente Bolsonaro não consiga realizar as reformas como a da Previdência e a Tributária, as mais aguardadas pelos empresários. Sobre medidas que as empresas pretendem adotar em 2019, 86,11% dos entrevistados disseram que planejam desenvolver os recursos humanos existentes nas empresas, 65,74% pretendem ampliar os investimentos e 60,91% afirmaram que irão contratar pessoal. Apenas 17,27% disseram que vão reduzir o número de colaboradores e 6,36% admitem fechar unidades. “A questão da capacitação profissional visa melhorar a produtividade que no Brasil está estagnada. Numa retomada forte da economia, as empresas que estão preparadas terão ganhos de produtividade, fundamental para o crescimento sustentável da indústria”, diz o dirigente, acrescentando: “Espero que Brasil se reencontre de maneira mais harmônica e siga o rumo do crescimento e desenvolvimento de que o país tanto precisa”.

    Química têxtil – Com crescimento de 6% ao ano projetado pelo relatório da Research and Markets, uma das maiores consultorias de pesquisa e análises do mundo, o mercado de corantes têxteis, hoje estimado em US$ 7,5 bilhões deverá atingir US$ 9,82 bilhões em 2022, impulsionado pela expansão da demanda por artigos têxteis e de vestuário, sobretudo nos países emergentes. Por outro lado, os regulamentos ambientais rigorosos deverão restringir a produção de corantes, impactando os preços na indústria manufatureira dos países produtores, entre eles o Brasil.

    Química e Derivados, Pimentel: Brasil é o oitavo mercado têxtil do mundo

    Pimentel: Brasil é o oitavo mercado têxtil do mundo

    De acordo com os pesquisadores, é provável que o consumo de corantes cresça a taxas mais baixas na China, devido ao aumento dos custos da mão-de-obra e as exigências ambientais, que resultaram no fechamento de muitas fábricas. Nos últimos 30 anos, a China se tornou o maior produtor de têxteis do mundo, respondendo por quase 55% do consumo total mundial de fibras e agora representa de 40% a 45% do consumo mundial de corantes. De acordo com as previsões, o consumo de corantes provavelmente continuará aumentando no Paquistão, Vietnã e Bangladesh. O Paquistão é hoje um dos maiores produtores de denim do mundo, com grande demanda por tinturas de índigo.



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