Instrumentação: Endress+Hauser inaugura fábrica no BR

A transnacional de origem suíça Endress+Hauser reafirmou sua confiança no mercado sul-americano de instrumentos de medição e controle de fluidos ao inaugurar, dia 8 de novembro, sua fábrica em Itatiba-SP.

Fruto de investimentos de mais de € 8 milhões de recursos próprios na aquisição do imóvel, reforma e adequação das estruturas e aquisição dos equipamentos necessários, a fábrica brasileira ocupa 4,3 mil m² de um terreno de 18 mil m² de área total, capaz de abrigar ampliações futuras.

O portfólio de produtos da Endress+Hauser compreende mais de 2 mil itens, que podem ser fornecidos em milhões de variações para atender às necessidades específicas dos clientes. A fabricação local permitirá atender a essas demandas diferenciadas com mais facilidade e rapidez.

A fábrica de Itatiba monta medidores de nível, vazão e pressão usando componentes trazidos de suas unidades de produção globais, situadas principalmente na Suíça e na Alemanha.

A empresa mantém fábricas regionais, como a brasileira, nos Estados Unidos, Índia e China, estratégia adotada para facilitar operações logísticas, reduzir riscos de variações cambiais e atender melhor os clientes internacionais, e ao mesmo tempo protegendo as linhas de produção europeias.

Antes de Itatiba, a Endress+Hauser abastecia o mercado brasileiro com medidores trazidos prontos dos Estados Unidos.

A área de medidores de vazão produz em Itatiba os tipos magnéticos, vórtices e os mássicos por efeito Coriolis.

Química e Derivados, Instrumentação: Endress+Hauser inaugura fábrica no BR

“Trazemos do exterior os componentes, mas no futuro teremos fornecedores locais para diversos itens”, comentou Gustavo Lemos, gerente geral de produção dos medidores de vazão da Endress+Hauser.

Ele salienta que os produtos feitos no Brasil têm a mesma qualidade dos fabricados em todas as unidades da companhia, uma das líderes de mercado.

Os medidores de vazão por ultrassom seguem sendo importados, porque a escala de demanda ainda é considerada baixa para justificar a produção local. “Acreditamos que poderemos iniciar a fabricação desses medidores no final de 2014”, disse Lemos.

Segundo Carlos Behrends, diretor executivo da Endress+Hauser no Brasil e responsável pela área comercial, cerca de 40% do mercado da empresa no país está relacionado ao setor de alimentos e bebidas, mas as aplicações químicas ganham importância, especialmente pela implantação da fábrica de ácido acrílico e derivados da Basf, em Camaçari-BA, um de seus maiores clientes.

A empresa não atuava no setor de óleo e gás no Brasil, mas começou a disputá-lo ao contar com produção local.

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“Estamos na Refinaria do Nordeste, em Pernambuco, mediante parceria com a Invensys”, comentou.

Aproximadamente 40% das vendas da subsidiária local são atendidas por produtos fabricados no país, percentual que deverá subir para 70% em poucos meses. Lemos informou que a fabricação local de medidores de vazão já supre 62% dos pedidos.

Mesmo com a importação de peças, a nacionalização dos medidores está aumentando. “Nos medidores tipo Coriolis, a nacionalização já está em 40%, e vai crescer”, disse Lemos.

Ele explicou que é difícil estabelecer uma rede de fornecedores de componentes, pois as especificações são muito rígidas para que se alcance a precisão desejada.

“Os tubos dos Coriolis, por exemplo, são feitos de ligas metálicas com tântalo, para que não sofram interferências indevidas das condições do ambiente”, afirmou.

Rogério Jeronymo, gerente geral de produção de dispositivos de nível e pressão, comentou que os medidores de temperatura não estão entre as prioridades da fábrica de Itatiba e devem ser importados por mais tempo.

“São produtos cuja tecnologia não é muito sofisticada e a concorrência é acirrada por aqui, então ainda não vale a pena nacionalizar”, justificou.

Ele explicou que o projeto de Itatiba envolveu a participação de especialistas da companhia no Brasil, Suíça e Alemanha, com intensa troca de informações.

Além disso, a equipe comercial do Brasil, comandada por Behrends, apoiou com entusiasmo a ideia de contar com produção local e abrigou em suas dependências, no bairro de Moema, na capital paulista, o time do projeto.

Embora a cerimônia de inauguração só tenha sido realizada em novembro, a fábrica está em operação desde 29 de março, obtendo nos meses seguintes as certificações ISO 9000, ABNT e outras.

“Já produzimos cerca de mil medidores de vazão e mais de três mil de pressão e nível aqui em Itatiba e atendemos 98,9% dos pedidos dentro do prazo”, comentou Lemos. “Fábrica local é exatamente para isso.”

Behrends recordou que o investimento começou a se materializar em dezembro de 2011, com a compra do terreno que continha um prédio inacabado.

Depois de passar 2012 em reformas e adaptando as instalações, foi possível iniciar a produção em 2013, com a perspectiva de fechar o ano com faturamento de R$ 130 milhões. Em 2003, quando assumiu a operação local, o faturamento era nove vezes menor.

Além de produzir os medidores, a unidade de Itatiba também prestará serviços de calibração nas linhas de vazão, pressão e temperatura. Além disso, a empresa estuda os processos produtivos dos clientes para identificar os consumos de vapor e energia e propor modificações em mediação e controle que permitam reduzir custos.

Quanto ao fato de estar em curso uma consolidação de fornecedores de medidores com os grandes fabricantes de sistemas de controle e automação de processos, Behrends não acredita que essas uniões sejam muito bem-sucedidas a longo prazo e podem até ser revertidas no futuro.

“Geralmente, quem é bom de controle não é bom em medição; nós somos especialistas nisso, concentramos nossos esforços para criar novos produtos e atender melhor os clientes”, comentou.

A fábrica de Itatiba montará medidores de pressão até 60 bar, com a previsão de chegar a 160 bar em 2014.

No setor de vazão, a bancada de calibração está certificada com 0,05% de incerteza, para diâmetros de 3/8 a 6 polegadas, com tanque de reserva de 7 mil litros, podendo provocar fluxos de 0,036 a 100 m³/h.

Todos os medidores usam apenas aço 316L, com aparelho de soldagem orbital TIG desenvolvido pela Endress+Hauser, com programação de operação desenvolvida na matriz e que não pode ser alterada regionalmente, para garantir que a qualidade da solda seja uniforme em todo o mundo.

Empresa familiar – Presente à cerimônia, Klaus Endress, presidente (CEO) da empresa, comentou ser antigo o desejo de participar do mercado local de medidores. Em 1982, foi estabelecido um acordo de representação comercial com a Brumark, mantido até 1991.

“Os medidores foram incluídos na lista de produtos de informática sujeitos a uma lei de reserva de mercado que passou a nos taxar com impostos na faixa de 50%, inviabilizando importações”, comentou.

Mais tarde, a representação passou para a Samson, que manteve os negócios com a marca de 1998 até 2003, quando a Endress+Hauser decidiu tocar o negócio por conta própria, sob o comando de Behrends.

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A Endress+Hauser foi fundada em 1953, mas a família Hauser se retirou do controle, que foi assumido integralmente pelos Endress.

“O quadro de acionistas está crescendo, já somos mais de 60 pessoas”, disse Klaus, filho do fundador.

A companhia está presente em mais de 50 países, tem acima de 10 mil colaboradores e obteve faturamento global de € 1,7 bilhão em 2012. “A companhia vai muito bem, os acionistas não têm interesse em vender”, salientou.

Klaus Endress explicou que a companhia percebeu logo a necessidade de se expandir para outros mercados, a fim de ficar imune às volatilidades regionais.

“Notamos que Alemanha, Estados Unidos e Japão tinham suas normas próprias para medidores, com abordagens diferentes sobre aspectos de segurança, além de constituírem mercados importantes”, comentou.

“Portanto, precisávamos estar presentes nesses países para podermos nos adequar aos requerimentos específicos de cada mercado.”

O fato de o Brasil também possuir um sistema estabelecido de normas técnicas foi determinante para a escolha do local para abrigar uma fábrica da companhia, além do tamanho do seu mercado, como explicou Endress.

“Não levamos nossas fábricas para locais que tenham apenas mão de obra barata, isso não é relevante para o nosso negócio”, disse.

A parte científica das operações, que estuda novos métodos de medição e desenvolve tecnologia básica, está sediada na Alemanha.

De lá a informação se propaga pelas subsidiárias, que fazem o desenvolvimento das aplicações adequadas aos seus mercados. “A produção precisa ficar bem perto dos clientes”, salientou.

O aparecimento de fontes não convencionais de petróleo e gás natural nos Estados Unidos, a exemplo do shale gas, poderá intensificar investimentos na atividade industrial desse país.

“Nas últimas décadas, muitas empresas de vários segmentos econômicos transferiram a sua capacidade produtiva para a Ásia, que apresentou forte crescimento; agora deve ser o momento de voltar a investir nos Estados Unidos”, comentou. No entanto, isso não deverá afetar os planos de negócios da empresa.

“Estamos muito bem localizados nos Estados Unidos, com uma fábrica bem no meio do país, que pode atender com facilidade todo o território, e temos uma área de desenvolvimento de tecnologia muito importante e um setor comercial bem forte naquele país”, salientou.

Como a empresa possui um modelo que centraliza a produção de itens críticos dos medidores, mas descentraliza as atividades de montagem, é possível acompanhar a evolução de diferentes mercados com facilidade. “Acreditamos na Europa Central como um lugar propício para atividades de alta tecnologia”, concluiu.

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