Meio Ambiente (água, ar e solo)

Inovações tecnológicas e debates sobre política de saneamento básico

Marcelo Furtado
28 de novembro de 2018
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    Outra apresentação interessante de membranas de ultrafiltração de fibra oca foi da alemã Inge, empresa do grupo Basf e representada com exclusividade no Brasil pela Puri Azul, OEM de São Paulo que projeta os skids com os módulos e membranas da Inge. A tecnologia da empresa, adquirida pela Basf em 2011, tem diferenciais em comparação com outras similares. A fibra oca conta com sete capilares em uma estrutura semelhante a uma colmeia de abelhas que torna sua estrutura estável com alta durabilidade e risco minimizado de ruptura, filtrando a água de sólidos em suspensão e micro-organismos em poros de 20 nanômetros.

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    Denominada Multibore, a membrana é disponível em capilares de 0,9 mm de diâmetro ou mais espessa, com 1,5 mm de diâmetro, a depender do nível de contaminação da água bruta. Os sistemas são fornecidos em módulos da própria empresa, com possibilidade de uso de até 2 mil fibras por módulo, que podem ser projetados tanto para pequenas vazões domésticas até os de grande porte para indústria ou estações de potabilização.

    Embora o mercado esteja um pouco retraído para investimentos, a Puri Azul conseguiu fornecer a tecnologia para várias plantas no Brasil, principalmente na indústria, caso da Karina Plásticos, da indústria de autopeças Dayco, Chimica Baruel, TetraPak, entre outras. Faz parte dos fornecimentos os módulos de ultrafiltração dizzer, de 8 polegadas, para o mercado horizontal de reposição. Isso permite que os integradores e operadores de sistemas melhorem o desempenho e a confiabilidade de suas plantas de tratamento de água, mantendo os vasos de pressão existentes, sem precisar ajustar o sistema instalado à tecnologia da Inge.

    Ainda no mundo das membranas, a Lanxess marcou presença com sua linha Lewabrane de elementos de osmose reversa, produzida em sua fábrica em Bitterfeld, na Alemanha. Tradicional no segmento de resinas de troca iônica, tecnologia teoricamente adversária das membranas em sistemas de desmineralização de água, a Lanxess, segundo seu responsável por vendas técnicas, Johan Lopez, tem conseguido em atuar também com força na reposição de unidades de osmose reversa existentes no país. Recentemente, a empresa venceu concorrência para fornecer 800 membranas na Refinaria de Paulínia (Replan), da Petrobras.

    A Lanxess, por ser a principal fornecedora de resinas de troca iônica, tem a vantagem de combinar fornecimentos dos dois sistemas de dessalinização e desmineralização de água. Isso porque, além de haver plantas das duas tecnologias por todo o país, é muito comum se utilizar, em grandes unidades de osmose reversa para desmineralização de água para caldeiras, colunas de polimento misto de troca iônica no final do tratamento, para aumentar a capacidade de remoção de sais do sistema. “Mais do que concorrentes, as tecnologias são complementares”, diz Lopez.

    Havia ainda mais estandes onde as membranas eram destaque e em empresas desconhecidas no Brasil A chinesa Vontron Membrane Technology, que produz por ano 30 milhões de metros quadrados de membranas de osmose reversa, nanofiltração e ultrafiltração, estava em busca de representantes para ingressar no mercado brasileiro. A empresa tem linha completa de membranas tubulares de 4 e 8 polegadas, incluindo versões de osmose com alta resistência ao fouling e a oxidantes fortes como o cloro.

    Outra chinesa, a Membrane Solutions, também apareceu pela primeira vez para prospectar negócios com OEMs e clientes finais e, possivelmente, conseguir representação local, para sua linha de módulos de osmose reversa, ultra, nano e microfiltração, além de sistemas de MBR (biorreatores a membranas). Segundo o engenheiro de vendas da empresa, Jim Wang, a empresa pode criar soluções customizadas para qualquer tipo aplicação, incluindo os esquemas de processo com pré e pós-tratamento. Também a francesa Polymen Membrane Manufacturer estava à procura de representantes para suas membranas de micro e ultrafiltração de fibra oca.

    Cloro in situ – Outras tecnologias, além das membranas, também demonstraram estar em ascensão. Um exemplo pode ser visto no estande da italiana De Nora, tradicional fornecedora de sistemas eletroquímicos e cuja divisão de tratamento de águas e efluentes destacava na Fenasan seus geradores de hipoclorito de sódio.

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    Braga: geração de cloro in situ reduz custos e riscos

    Segundo o gerente de vendas da De Nora, Diógenes Braga Carvalho, os geradores in situ, que utilizam solução de salmoura a 30% de cloreto de sódio para gerar o hipoclorito de sódio a 0.8% por eletrólise, têm sido cada vez mais requisitados por companhias de saneamento, com destaque as privadas, por conta principalmente da questão de segurança. De acordo com ele, há geradores da De Nora em concessões, por exemplo, da BRK Ambiental, Aegea e GS Inima.

    A opção pelos geradores, em primeiro lugar, tem a ver com a questão de segurança e praticidade operacional. Isso porque evita o transporte e armazenamento do perigoso gás cloro a 100%, cujo vazamento é de extremo risco, por ser asfixiante. E também tem vantagem sobre o hipoclorito de sódio a 12%, também perigoso para os operadores.



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