Inovações em tanques geram vantagens

As vantagens são em automação, segurança e eficiência

Expansão da economia, novas regulamentações e desenvolvimento da infraestrutura são alguns dos fatores que vêm puxando a demanda de produtos destinados a dar suporte para a logística interna de empresas do setor químico. A base dessa infraestrutura é composta por silos, armazéns e tanques, dentre outros equipamentos, cujo desenvolvimento e procura são impactados também pela evolução tecnológica do segmento de armazenagem.

A tendência de crescimento dos negócios registrada por fornecedores como Fimaco, Tecniplas e Stringal Hurner aponta ainda que o atendimento das necessidades específicas de armazéns e tanques para a indústria química exige uma série de pré-requisitos.

Com destaque para níveis de inovação, segurança, sustentabilidade, flexibilidade e eficiência compatíveis com a evolução da transformação industrial nas empresas do ramo.

No dia a dia, os negócios desses fornecedores vêm sendo sustentados por uma espécie de efeito cascata, resultante do crescimento da agricultura, indústria farmacêutica, automotiva e eletrônica sobre outras cadeias produtivas.

Martins: há demanda crescente por sensores incorporados ©QD Foto: Divulgação
Martins: há demanda crescente por sensores incorporados

“À medida que esses setores evoluem, a demanda por produtos químicos também aumenta e, em consequência, impulsiona a necessidade de equipamentos confiáveis e eficientes na produção, armazenamento e manipulação de produtos acabados”, avalia Luan Martins, engenheiro comercial da Fimaco.

A migração de parte das empresas do setor químico para o uso de equipamentos à base de materiais compósitos em sua infraestrutura logística, ao invés dos metálico, também representa um fator impulsionador dos negócios dos fornecedores, acrescenta Luís Gustavo Rossi, diretor comercial da Tecniplas.

Devido às condições de operação severas no setor químico, o material compósito sempre foi o mais adequado para essas aplicações, justifica Rossi, lembrando que “ao longo dos anos, vimos muitas empresas vislumbrarem esta vantagem”.

Por conta dessa percepção, segundo ele, os equipamentos metálicos revestidos em PRFV (plástico reforçado com fibra de vidro) vêm sendo substituídos por equipamentos totalmente feitos de compósito.

Rossi: cliente deve exigir normas e inspeções finais ©QD Foto: Divulgação
Rossi: cliente deve exigir normas e inspeções finais

“Desta forma o mercado doméstico tem crescido e deve continuar em ascensão com o passar dos anos, seguindo mercados mais avançados, tais como o americano e o europeu”, afirma Rossi.

O executivo acrescenta que vê os cuidados contra a corrosão como uma grande oportunidade para o material compósito se destacar perante os demais concorrentes.

Contudo, o ciclo de vida dos equipamentos PRFV acaba sendo um fator competitivo que beneficia os negócios dos fornecedores que ainda operam nesse segmento. Ao mesmo tempo, se constitui num agregador de valor às operações de seus clientes, pois se mantêm disponíveis para atividades de armazenagem e adiam, temporariamente, a necessidade de investimentos em novos ativos.

Esse cenário sintetiza o raciocínio de Eduardo Scotton, gerente de vendas da Stringal Hurner, sobre o significado econômico da longevidade de seus produtos – tanques e tubulações em PRFV. O executivo considera que “tanto na fabricante como nos clientes das indústrias químicas, a vantagem de possuir tanques em PRFV seria a sua durabilidade e, principalmente, a estocagem do volume das carretas”.

Scotton: vida longa dos itens feitos de PRFV gera lucros ©QD Foto: Divulgação
Scotton: vida longa dos itens feitos de PRFV gera lucros

“Tanques em PRFV possuem uma vida útil muito longa; temos históricos de tanques do nosso portfólio com mais de 30 anos em uso”, pondera Scotton. Essa vantagem reduz custos e viabiliza transporte, segundo ele.

Há outro tipo de conscientização de clientes de grandes grupos econômicos que reflete positivamente em novos investimentos, diz Rossi, da Tecniplas. Essas empresas vêm acompanhando mais atentamente a relação custo-benefício e estão concluindo que um desembolso maior no “Capex” pode ser compensado pela durabilidade dos ativos. Ou seja: quanto mais longo o ciclo de vida do equipamento, menos custos serão contabilizados com paradas da produção ou gastos com substituição, resultando em ganhos de produtividade.

Essa conta tem sido feita cada vez mais, razão pela qual as empresas tendem a se conscientizar de que um equipamento mais caro, no momento do investimento, pode reduzir custos na operação. Com isso, proporcionam uma economia real ao final de sua vida útil em operação, justifica Rossi.

Equipamentos que incorporam sensores inteligentes, automação e sistemas de gestão de dados, também atraem o mercado. Por meio dessas tecnologias, eles podem melhorar a precisão, eficiência e a segurança das operações de armazenamento e manipulação de produtos químicos, acrescenta Luan Martins, da Fimaco.

Quanto às novas regulamentações, a preocupação se situa nos cuidados que os equipamentos podem proporcionar em relação ao meio ambiente. O atendimento dos padrões desejados pode levar as empresas a buscar tecnologias que contribuam para o tratamento adequado de resíduos, a prevenção da poluição do ar e da água, e o cumprimento de limites de emissões estabelecidos pelas autoridades ambientais.

“Especialmente para equipamentos que queimam combustíveis, como caldeiras e fornos, o controle de emissões de poluentes atmosféricos é crucial para cumprir as regulamentações ambientais. Isso pode envolver a instalação de tecnologias de controle de poluição, como filtros de ar e sistemas de limpeza de gases de combustão”, afirma Martins.

Portfólios variados trazem tanques e outras opções

Tanques, caldeiras, tubulações e lavadores de gases estão entre os itens que compõem o portfólio dos fornecedores de equipamentos de armazenagem para a indústria química. Em geral, as soluções variam de acordo com a matéria-prima que compõe sua estrutura, tamanho, aplicação, especificação normativa e técnica. São disponibilizados também alguns equipamentos especiais desenvolvidos sob medida, conforme a necessidade dos clientes.

O grupo Fimaco atende diversas necessidades do mercado de armazenamento e geração de energia, disponibilizando uma combinação de soluções que varia desde tanques de grande capacidade até caldeiras que podem operar com diferentes tipos de combustível. O carro-chefe da companhia são as caldeiras destinadas à geração de vapor, informa o engenheiro comercial Luan Martins.

Os tanques têm capacidade para até 1.500 milhões de litros e são fabricados em conformidade com padrões de qualidade estabelecidos pelas normas Asme (American Society of Mechanical Engineers) e API (American Petroleum Institute).

As caldeiras são subdividas em dois grupos, biomax e boilermax. A primeira equipada com grelhas fixas e móveis é projetada para utilizar biomassa como combustível, uma fonte de energia renovável e sustentável. São subprodutos derivados de materiais orgânicos como resíduos agrícolas, madeira, resíduos florestais etc. Representam uma opção ambientalmente amigável para indústrias que buscam reduzir sua pegada de carbono e depender menos de combustíveis fósseis, observa Martins.

Estas caldeiras são ofertadas em duas configurações. As que dispõem de sistemas tubulares de fumaça podem gerar de 3 a 30 toneladas por hora de vapor, com pressões de trabalho de até 25 bar. Já as caldeiras aquatubulares produzem até 80 t/h de vapor superaquecido, com pressões de até 68 bar.

As caldeiras boilermax são destinadas à armazenagem tanto de combustíveis gasosos quanto líquidos. De acordo com a empresa, oferecem aos clientes a capacidade de produzir calor na forma de água quente, vapor saturado e/ou vapor superaquecido. Esta linha é amplamente utilizada na América do Sul e Central, atendendo diversas demandas de vapor, variando de 400 a 30 mil kg/h, com pressões que podem alcançar até 25 bar, informa Martins.

O portfólio da Tecniplas abrange tanques de pequena e alta capacidade de armazenamento, tanques de processo, lavadores de gases, tubulações e equipamentos especiais desenvolvidos sob medida conforme necessidade de determinados clientes, descreve o diretor comercial Luís Gustavo Rossi

Tecniplas ©QD Foto: Divlgação
Tanques prontos são transportados em carreta

O executivo acrescenta que os tanques representam a maior participação da companhia no mercado, principalmente os que se destinam a condições especiais. Essa modalidade de tanques exige controles de qualidade mais críticos, contribuindo para diferenciar a atuação da empresa em relação aos concorrentes.

“Todos os nossos equipamentos são fabricados conforme normas internacionais, principalmente Asme RTP-1, que fornece parâmetros com relação as propriedades dos materiais, conferindo resistências específicas para cada aplicação. Dessa forma, entregamos um produto dimensionado às condições de operação demandadas pelos nossos clientes mais exigentes”, observa Rossi, lembrando que a empresa também realiza inspeções de qualidade, validadas por empresas externas, às vezes, contratadas por clientes.

A atuação mercadológica da Stringal Hurner voltada para o setor químico está focalizada no fornecimento de tanques e reatores em PRFV com capacidade de mil a um milhão de litros. São disponibilizados em diversos modelos, com ou sem isolamento térmico, informa o gerente de vendas Eduardo Scotton.

Stringal Hurner ©QD Foto: Divulgação
Tanque da Stringal Hurner opera nas instalações de cliente

A empresa é considerada uma das líderes em tanques e equipamentos especiais de compósitos, no mercado brasileiro, incluindo megatanques, sistemas de exaustão e peças especiais de compósitos ou plástico reforçado com fibras de vidro (PRFV), segundo informações divulgadas pela sua área de marketing. As soluções são desenvolvidas de acordo com as normas ABNT, ASTM e Asme, entre outras, utilizando ferramentas CAD e softwares de simulação FEA.

A companhia também se dispõe a atender a necessidades específicas de cada instalação, conforme padrões nacionais e internacionais dos clientes. Nesse caso, leva em conta temperaturas, velocidade dos ventos, condições sísmicas, carregamentos concentrados e/ou distribuídos, estáticos e/ou dinâmicos, dentre outras solicitações a que estão sujeitos estes equipamentos em material compósito. O objetivo é superar as expectativas de resistência, confiabilidade e segurança, segundo a companhia.

Cresce a demanda por tanques e reatores feitos de PRFV em grandes dimensões ©QD Foto: Divlgação
Cresce a demanda por tanques e reatores feitos de PRFV em grandes dimensões

Garantia da qualidade

Mesmo não sendo obrigados legalmente a seguir certas padronizações inovadoras, os fornecedores vêm adaptando seus produtos à evolução tecnológica da indústria, proporcionada pela digitalização. A justificativa se baseia na constatação de que os recursos avançados no portfólio contribuem para melhorar os níveis de desempenho dos equipamentos e elevar a competividade dos próprios fornecedores.

Para Luan Martins, engenheiro comercial da Fimaco, garantir que os equipamentos acompanhem a evolução é fundamental para elevar a confiabilidade e a conformidade com os padrões de segurança. Adicionalmente, contribuem para a melhoria da qualidade na indústria, segundo ele.

“Para prever com precisão o desempenho real dos nossos produtos, utilizamos ferramentas de simulação que registram os elementos físicos que influenciarão seu funcionamento ao longo da vida útil, incluindo aqueles que ultrapassam os limites das disciplinas tradicionais de engenharia. Assim, conseguimos prever como o desempenho varia em resposta a várias mudanças no design paramétrico”, explicou Martins.

O executivo citou como exemplo o uso pela Fimaco do Simcenter Star-CCM+, uma solução multifásica completa para a simulação de produtos e projetos que opera em condições reais. Excepcionalmente, ela adiciona dados ao kit de ferramentas de simulação de qualquer engenheiro de processo, visando a otimização de projetos automatizados. Dessa forma, a ferramenta facilita explorar com maior eficiência o potencial inovador de produtos disponibilizados ao mercado.

“A construção de novas instalações industriais, parques químicos e centros de distribuição requer equipamentos modernos e eficientes para garantir operações seguras e eficazes. Isso pode envolver a adoção de tecnologias avançadas de automação e gerenciamento de dados para otimizar processos e logística” afirmou Martins.

Para acompanhar essa evolução, segundo ele, a empresa desenvolveu uma série de ações práticas, visando melhoria contínua. Dentre elas, destaca-se o uso de novos materiais, garantir maior eficiência operacional dos equipamentos, e priorizar soluções sustentáveis.

A Tecniplas, por sua vez, tem recorrido ao uso de novos softwares de cálculos e simulações em elementos finitos para garantir o bom desempenho dos produtos disponibilizados ao mercado de armazenagem. Esses sistemas facilitam a realização de cálculos estruturais mecânicos dos equipamentos, propiciando maior precisão e definição da forma de fabricá-los, atendendo rigorosamente as normas aplicáveis, explica o diretor comercial Luís Gustavo Rossi.

Cálculos precisos permitem construir tanques grandes e seguros ©QD Foto: Divlgação
Cálculos precisos permitem construir tanques grandes e seguros

Além disso, a empresa vem procurando disseminar cada vez mais o conhecimento sobre o uso de material compósito como matéria-prima na fabricação de equipamentos, bem como suas vantagens competitivas agregadas ao processo de produção. Rossi reiterou que é essencial tornar públicas as exigências de normas e inspeções finais, garantindo que o equipamento fabricado esteja de fato dimensionado para as características de operação desejada.

Infelizmente, segundo ele, não há legislação específica para o setor, o que ocasiona inclusive brechas para que muitos fornecedores se abstenham de observar as normas técnicas aplicáveis e não sofram sanções por esse tipo de conduta. Da mesma forma, acrescenta Rossi, não há obrigação legal para o atendimento de normas. Existem apenas critérios comerciais que as partes devem acordar.

Se uma empresa adquirir, inadvertidamente, um equipamento fabricado completamente fora de padrões normativos, em tese, o fornecedor não é responsabilizado legalmente pela desconformidade. O cliente só teria algum direito a ser reparado se houvesse falha catastrófica comprovada do equipamento.

Mesmo assim, teria que provar de alguma maneira que a referida falha foi causada pela inobservância de critérios técnicos na fabricação do equipamento. Nesse caso, o cliente poderia acionar o fornecedor com base na legislação consumerista e cível vigente, explica Rossi.

De certa forma, a comunicação institucional da Stringal Hurner se alinha à preocupação de Rossi com a garantia da qualidade, ao informar em catálogo de produtos, que a empresa dispõe de estrutura laboratorial própria para atendimento a diversas normas, como ABNT 15536, ASTM D 638 e ASTM D790. O documento afirma que “são realizados os ensaios de rigidez, tração axial e circunferencial, flexão, estudos químicos e de compostos, entre outros”.

Acrescenta também que a empresa efetua internamente testes hidrostáticos, com pressão positiva e atmosférica, para validação da estanqueidade de seus equipamentos. Esses cuidados se somam à certificação de qualidade ISO 9001:2015 e ao controle de processos por meio do sistema de gestão SAP, finaliza a empresa.

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