Inovação – Dentista inovou em biomateriais

Israel Cabrera teve seu primeiro negócio aos seis anos de idade: uma criação de peixes ornamentais que vendia com lucro para lojas e pet shops. Fazia cruzamentos genéticos e criava novas cores e características. Prosperou e manteve o negócio até entrar na faculdade de odontologia. Lá, especializou-se em cirurgia bucomaxilofacial.

Foi nessa prática que Israel conheceu as dificuldades de quem sofre traumas e deformidades faciais: “Eu queria desenvolver algo para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deformações esqueléticas, para reintegrá-las na sociedade.” O desafio era criar um biomaterial sintético que estimulasse a rápida formação óssea e fosse “100% biocompatível, 100% biodegradável, não produzisse rejeição e estimulasse a regeneração celular”. Um mestrado, um doutorado e um pós-doutorado depois, ele conseguiu. “Normalmente, o osso demora um ano para ficar totalmente consolidado. Com esse novo biomaterial, os processos de formação óssea caem para um ou dois meses”, afirma Israel.

Revista Química e Derivados, Israel Cabrera, Bioactive Cietec, biomaterial sintético
Cabrera criou osso injetável e tridimensional

Sua empresa de biotecnologia, a Bioactive, começou na incubadora do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), com dinheiro do próprio bolso. “Entrei arriscando muito, mas acreditando no projeto.” Passou muito sufoco e quase quebrou. Foram dois anos até receber o primeiro recurso de subvenção. “O primeiro projeto para a Fapesp foi negado, e o segundo também. O terceiro, um Pipe 1 de R$ 45 mil, foi aprovado, mas demorou dois anos para ser liberado. Nesse tempo, ultrapassei sozinho o desenvolvimento tecnológico que estava pleiteando.” Para Israel, o relacionamento com a Fapesp foi um osso duro de roer: “Chegaram até a perder o meu projeto.”

A Bioactive contou com recursos do Prime (programa da Finep para empresas nascentes), que forneceu R$ 120 mil para a contratação de consultorias e de um gestor para o negócio. Também conseguiu pesquisadores para a empresa, por meio de bolsas do CNPq.

Em 2010, pleiteou subvenção da Finep para um projeto de R$ 3 milhões, que foi aprovado. No começo deste ano, recebeu a primeira parcela, de R$ 500 mil, que demorou um ano e meio para ser liberada. Apesar da burocracia, lentidão e entraves, Israel é categórico ao afirmar que “para quem não tem nada, o apoio financeiro, mesmo que atrasado, é muito importante”.

Hoje, a Bioactive conta com nove funcionários e um portfólio de três produtos totalmente inovadores, com foco no mercado odontológico: uma membrana bioativa flexível que acelera a formação óssea; um osso injetável para preencher fraturas em implantes; e um osso tridimensional para reconstruir estruturas perdidas. A empresa acaba de assinar com uma venture capital (fundo de investidores privados) e sua primeira fábrica será construída ainda em 2012.

 

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