Corantes e Pigmentos

Infraestrutura – Volume de investimentos previstos é elevado, mas sua execução sofre longos atrasos

Hamilton Almeida
1 de abril de 2015
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    A América Latina (34,1%), os Estados Unidos (28,7%) e a Europa (19,4%) foram os principais destinos das mercadorias brasileiras. As vendas para a América Latina, incluindo o Mercosul, apresentam, porém, uma queda relativa “preocupante” a partir de 2011.

    O segmento que mais contribuiu para o crescimento total foi o de máquinas para infraestrutura e indústria de base, com uma expansão de 20,6% (23% das exportações totais). O maior percentual de crescimento ficou, no entanto, com as máquinas para petróleo e energia renovável – 53,5%; 9,5% das vendas externas totais. As máquinas para a indústria de transformação ostentaram um recuo de 1,6%; 6% das exportações totais. Segundo Bernardini, as máquinas para a indústria de óleo e gás tiveram um “péssimo ano” em 2014. Já as máquinas para as indústrias do setor plástico enfrentaram dificuldades, mas “sofreram menos” do que outras áreas, auxiliadas pelas operações Finame.

    Química e Derivados, Ocupação da capacidade (NUCI) % / Carteira de pedidos (em meses para o atendimento)

    As importações, por outro lado, tiveram desempenho negativo, reproduzindo o contexto geral. Alcançaram o montante de US$ 28,67 bilhões de janeiro a dezembro de 2014, ou 12,1% inferior ao apurado no mesmo período de 2013. Observou-se queda nas importações de todos os tipos de máquinas, confirmando o baixo investimento no país no ano passado. Os Estados Unidos responderam pela maior parte do volume importado (25,5% do total em 2014). A China ocupa a segunda posição (18%) e mantém ritmo de crescimento anual – a sua participação era de apenas 8,2% em 2007. A balança comercial no período fechou, portanto, com déficit de US$ 15,276 bilhões, registrando uma redução de 24,2%, comparativamente.

    “A taxa de câmbio a R$ 2,50 não é competitiva para a indústria nacional”, afirmou Bernardini. “Com o câmbio a R$ 3,00 dá para competir lá fora.” Os produtos made in China estão presentes no setor há quase 15 anos e custam, em média, 50% menos que o similar nacional. “É uma vantagem comparativa pesada. O Brasil precisa de taxas de juros civilizadas (ele acha que a Selic ficará acima de 12%, em 2015) e de um ambiente favorável aos investimentos para poder competir melhor. A competição começa com a taxa de câmbio”, acrescentou. Produzir no Brasil custa, em média, 37% mais do que fabricar o mesmo produto nos principais países desenvolvidos, revela estudo da Abimaq usando como referência a Alemanha e os Estados Unidos.

    A indústria de máquinas e equipamentos mecânicos utilizou cerca de 75,4% da sua capacidade instalada, em 2014. A Abimaq calcula que 13.098 empregos foram cortados ao longo do ano, que encerrou com 242.238 pessoas empregadas. Este é menor quadro desde maio de 2010. “O nível de emprego vai continuar piorando porque as empresas farão ajustes”, previu Bernardini.

    Abimei – Após 2013 ter sido um ano ruim e 2014 pior ainda, os empresários da área de importação de bens de capital estão repletos de incertezas com relação a 2015. Para começo de conversa, não se espera nada melhor no primeiro semestre do novo ano, que coincide com o início do segundo mandato da presidente Dilma. O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei), Ennio Crispino, acredita que o governo terá pela frente a missão de recuperar a sua credibilidade e, ao mesmo tempo, tentar reverter a tendência recessiva da economia.

    Crispino é a favor de uma reforma tributária que considere a desoneração dos investimentos em bens de capital: o fim da cobrança do ICMS e o retorno do Imposto de Importação, que chega a 25% em alguns tipos de máquinas e equipamentos industriais, para o patamar anterior, de 14%. “O Brasil é um dos poucos países do mundo que tributam investimentos em meios de produção. Não há como pensar em aumentar a produtividade e a capacidade competitiva do produto manufaturado brasileiro no mercado internacional com uma carga tributária como esta.” A Abimei trabalha com um cenário de que o PIB poderá não crescer além de 1%, em 2015 (desempenho semelhante ao de 2014). Isso se o Governo não promover as reformas econômicas necessárias.

    Química e Derivados, Balança comercial - US$ Bilhões FOB



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