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3 de dezembro de 2017

Indústria: Solvay vende negócio de PA 6.6 em escala global para a BASF

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    A Solvay acertou, em setembro, a venda de seus negócios de poliamida 6.6 para a Basf, em âmbito mundial por € 1,6 bilhão. O negócio ainda depende de aprovação por parte dos órgãos regulatórios dos países envolvidos e tem previsão de ser completado até o terceiro trimestre de 2018. Até lá, não haverá alterações em ambos os lados.

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    Matias: produção brasileira de intermediários não foi incluída

    “Ao integrar os negócios da Solvay e Rhodia com os da recém-adquirida Cytec, surgiu a necessidade de acertar o portfólio e também o aspecto financeiro, já que a companhia é muito ciosa de seu investment grade”, explicou José Matias, presidente do Grupo Solvay na América Latina. Nesse sentido, a Solvay (que atua com a marca Rhodia no Brasil) decidiu alienar produtos mais maduros, sujeitos a grandes variações de preços e margens. Assim, saiu do ramo de PVC e compostos (Indupa e Dacarto), filter tow (filtros para cigarros) e, agora, da poliamida 6.6.

    “O plano do Grupo Solvay consiste em acompanhar as megatendências mundiais, mantendo o foco no futuro, especialmente na fibra de carbono, tecnologia mineral, biotecnologia, home e personal care”, comentou. A companhia está inaugurando a primeira unidade de geração de peróxido de hidrogênio (H2O2) on site, localizada na fábrica de celulose da Suzano no Maranhão. Além de atender à demanda do cliente, a unidade terá excedentes para suprir a região Norte e Nordeste, locais onde os custos de atendimento são elevados, partindo da produção instalada no Paraná.

    A transação com a Basf envolve marcas, estoques, clientes e processos de poliamida 6.6 em todo o mundo, mas principalmente na Europa e no Brasil, onde estão situadas as unidades produtoras desse plástico de engenharia. Como explicou Matias, o acordo é diferente em cada região.

    A PA 6.6 é obtida pela polimerização do sal N (ou sal de náilon), formado pela reação entre ácido adípico (obtido a partir do ciclohexano) e hexametileno diamina (HMD). Há anos, a Rhodia fabrica sua HMD com base na adiponitrila (ADP) fornecida por uma joint venture situada na Europa, formada entre ela e a sua concorrente Invista. Essa adiponitrila é derivada de butadieno.

    Na Europa, a Solvay se comprometeu a transferir para a Basf sua participação nessa joint venture, bem como a fabricação de HMD, ácido adípico, sal N e a polimerização de plásticos de engenharia. “Não temos produção de fibras têxteis na Europa”, salientou Matias.

    No caso brasileiro, no qual a produção de fibras têxteis de poliamida 6.6 é muito relevante, o acordo tem alcance diferente do europeu. “Manteremos nossa presença nos intermediários de poliamida, como ciclohexano, ácido adípico, HMD (com ADP importada) e sal N, tudo isso instalado em Paulínia-SP, bem como na polimerização têxtil de Santo André-SP”, informou. Mas a Solvay transferirá para a Basf a unidade de plásticos de São Bernardo do Campo-SP.

    Com isso, fica garantida a permanência da produção local dos derivados de fenol e acetona, entre os quais o bisfenol A, ácido salicílico e solventes especiais. Matias comentou que a metade da produção brasileira de ácido adípico é consumida internamente pela companhia e o restante se destina à fabricação de poliuretano para calçados, área na qual firmou acordo de suprimento com a Basf em julho deste ano. Em relação ao sal N, metade é encaminhada para a área têxtil e o restante para os plásticos de engenharia (marcas Technyl e Stabamid).

    A Solvay não sairá do negócio de plásticos de engenharia, embora fique sem suas instalações atuais. “Temos atuação forte em polímeros fluorados usados para impressão 3D, revestimentos para tubos no setor de óleo e gás, e peças e partes aeronáuticas”, informou. Esses materiais são importados e negociados em volumes menores do que a PA 6.6.

    Matias considerou que a saída do PA 6.6 não terá impacto muito grande na região, limitando-se entre 5% e 10% do faturamento. “Perderemos vendas de resinas, mas ganharemos com as vendas de sal N para a Basf, isso era transferência intracompany”, explicou. No mundo, o negócio vendido teve faturamento de € 1,3 bilhão em 2016, para vendas líquidas totais do Grupo Solvay de € 10,9 bilhões, dos quais € 1,1 bilhão obtidos na América Latina.

    A Basf comemorou a negociação por reforçar sua atuação em poliamidas, tanto por aumentar sua capacidade de polimerização de PA 6.6, quanto pelo acesso mais amplo à adiponitrila na Europa. A companhia alemã também atua em PA 6 (de caprolactama). No Brasil, a Basf adquiriu há alguns anos a divisão de polímeros de PA 6 Mazzaferro, em São Bernardo do Campo-SP, unidade desativada, substituída por importações.



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