Biossegurança: Indústria química trabalha para criar ambiente mais competitivo no Brasil

ABIQUIM

Abiquim ressalta ao governo a importância dos produtos químicos na biossegurança nacional

Abiquim mantém diálogo com os governos federal, estaduais, municipais, ministérios e secretarias sobre a importância dos produtos químicos na prevenção ao coronavírus e no suporte à vida, desde o início da pandemia gerada pela Covid-19. A associação tem destacado em reuniões, realizadas por videoconferência, a necessidade da manutenção da estrutura de transporte no meio urbano para o deslocamento dos trabalhadores, dos portos e dos serviços de suporte aos caminhoneiros, responsáveis pelo transporte das cargas químicas para a manutenção das plantas industriais.

Os insumos químicos estão presentes em 96% dos produtos manufaturados produzidos no mundo, incluindo itens essenciais no combate à Covid-19, como desinfetantes, policarbonato e polipropileno usados para a produção de máscaras e protetores faciais, produtos de higiene pessoal, na produção de alimentos, medicamentos, entre outros. Prova da essencialidade da indústria química é a elevação no uso da capacidade instalada que chegou a 90% nas empresas que atendem esses segmentos, segundo pesquisa qualitativa realizada pela Abiquim, em abril.

Entre as ações realizadas pela Abiquim para a manutenção das plantas industriais está a participação no desenvolvimento do posicionamento global do Conselho Internacional de Associações Químicas (International Council of Chemical Associations – ICCA) entregue, em abril, aos países membros do G20 e pela própria Abiquim à Presidência da República, Ministérios da Defesa, Infraestrutura, Economia e Casa Civil.

O posicionamento da indústria química mundial afirma a necessidade dos países trabalharem em prol de ações globais e regionais para a manutenção da logística de produtos químicos entre eles. O ICCA ainda ressalta a importância dos governos considerarem a indústria química setor essencial de forma clara e específica, para que as indústrias possam continuar a abastecer os setores industriais que produzem itens necessários no combate à pandemia.

Química e Derivados - “Outro ponto defendido pela indústria química mundial e em consonância com o trabalho realizado no Brasil pelo setor químico e outros segmentos industriais é a necessidade do desenvolvimento de políticas de apoio às pequenas e médias empresas fabricantes de produtos essenciais no combate à Covid-19”, afirma o presidente-executivo da Abiquim, Ciro Marino.

A Associação também tem atuado para tornar o trabalho dos profissionais do setor mais seguro e apresentou pleito à Coordenação-Geral de Administração Aduaneira (Coana) da Receita Federal do Brasil solicitando que os documentos originais instrutivos do despacho aduaneiro de importação que forem digitalizados passem a ter os mesmos efeitos legais, sendo dispensada a sua apresentação em meio físico para fins de despacho de importação, o que reduz o contato físico entre representantes das empresas e da aduana na importação de insumos que podem atender a todos os segmentos industriais, facilitando a manutenção da cadeia produtiva.

A Abiquim ainda elaborou em conjunto com a empresa Ambipar dicas de prevenção ao coronavírus para os trabalhadores responsáveis pelo transporte de cargas e para os profissionais que precisaram adotar o trabalho remoto. Além de ter desenvolvido o guia “Covid-19: Recomendações para motoristas e destinatários no transporte de produtos químicos”, com informações para aumentar a segurança de motoristas, transportadores rodoviários, embarcadores e destinatários. Ambos os materiais disponibilizados de forma gratuita no site da associação.

Muitas indústrias químicas também promoveram, em parceria com empresas das cadeias adjacentes, doações de insumos como álcool em gel, desinfetantes, protetores faciais, máscaras, cestas básicas, entre outros para hospitais e à sociedade em geral. A Abiquim e suas comissões também desenvolveram um guia orientativo para a retomada das atividades de forma segura nas áreas administrativas e outras que adotaram o trabalho remoto.

Retomada na produção – Apesar de parte do setor ter alcançado um elevado uso da capacidade instalada, 50% das empresas que participaram da pesquisa realizada pela Abiquim tiveram uma elevação da ociosidade em abril e chegaram a níveis de utilização da capacidade instalada entre 40 e 50%.

Segundo o presidente-executivo da Abiquim, Ciro Marino, a indústria química precisa olhar para frente, na retomada da produção pós quarentena e pandemia. “As reuniões realizadas com todas as esferas do governo também têm o objetivo de construir um ambiente de maior segurança e competitividade para o setor, com reflexos positivos em toda a cadeia produtiva”.

Marino, explica que as situações geradas pela pandemia estão fazendo com o que o governo repense a estratégia de País e a necessidade de biossegurança. “Tenho visto um movimento crescendo no governo federal nesta questão. O Brasil precisa importar fertilizantes, essenciais para a produção agrícola, sendo que eles poderiam ser fabricados no País, nosso trabalho tem sido apontar as dificuldades enfrentadas pela indústria e como é possível solucionar essas questões”.

A Associação tem defendido, em parceria com outros segmentos industriais, a necessidade do Brasil trabalhar em políticas que tornem o País menos dependente do mercado externo e mais atrativo aos investimentos internacionais. “A promoção da retomada da indústria brasileira está ligada às reformas estruturantes, que estavam em um ritmo bom e não podem ser paralisadas. A reforma tributária é importante, pois além de reduzir os custos das empresas no pagamento dos impostos aumenta a segurança jurídica”, explica Marino.

Outra pauta de trabalho que se intensificou no diálogo com o governo é o preço do gás natural, usado pelo setor como matéria-prima e energia. As empresas brasileiras ainda pagam muito mais por esse recurso do que seus concorrentes em outros países e a Abiquim tem alertado o governo sobre a importância de viabilizar as ações propostas no programa Novo Mercado de Gás, que devem gerar um ambiente mais disputado e transparente aos consumidores do insumo. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e os impactos na produção com o encarecimento deste encargo também estão na pauta das reuniões realizadas entre indústria e governo.

A indústria química brasileira tem capacidade instalada e profissionais aptos a atender à demanda de insumos químicos para a produção dos itens necessários neste momento crítico, mas que também deverão ser demandados a partir dos novos hábitos de etiqueta pessoal gerados pela Covid-19. “A Abiquim continuará trabalhando junto a todas as esferas de governo para promover um ambiente mais competitivo à indústria química, que neste momento de dificuldade pelo qual o País passa têm atuado para garantir a produção de insumos essenciais no combate à Covid-19 e na sustentação da vida”, finaliza Marino.

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