Indústria química no Abrafati Show

Indústria química marca presença no Abrafati Show 2023

A indústria química fornece os insumos para a formulação das tintas e é uma das maiores interessadas no desempenho do setor e na sua atualização tecnológica. De solventes a pigmentos, de cargas a aditivos especiais, a pletora de ingredientes estará representada no Abrafati Show 2023 por meio de seus principais fornecedores, sejam fabricantes ou distribuidores.

“O mercado de tintas é resiliente, em 2023 não está crescendo tanto quanto o desejado por todos, mas está avançando, situação que se repete nos vários mercados em que atuamos”, avaliou Silmar Barrios, diretor de marketing e P&D para coatings e HPC na Indorama Ventures (empresa internacional que comprou a Oxiteno).

Ele comentou que os resultados da companhia estão sendo bons depois da pandemia, embora os preços internacionais dos produtos tenham caído e a sua oferta tenha sido regularizada e até ampliada. “Houve um desaquecimento da economia chinesa e isso redundou no aumento da oferta de produtos químicos no mercado global”, explicou.

Por segmentos, Barrios confirma o setor de tintas industriais está em expansão, enquanto o setor automotivo original cresce, porém ainda fica abaixo do desejado, pois os anos anteriores ficaram muito abaixo da média histórica. A construção civil contribui com boas perspectivas, mas ainda está em compasso de espera, como avaliou.

As oscilações de mercado são consideradas normais e não afetam o ritmo dos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento da Indorama Ventures.

Indústria química marca presença - Abrafati Show ©QD Foto: iStockPhoto
Barrios: meta é criar insumos mais eficientes e sustentáveis

“Temos uma estratégia de longo prazo para P&D, as variações de mercado são conjunturais, 2024 pode ser muito diferente deste ano”, comentou.

Pioneira nos debates sobre sustentabilidade no setor de tintas, a companhia promove avanços a cada ano. “Ainda buscamos oferecer a possibilidade de formular com cada vez menos VOC, mas a agenda ESG precisa ir além, já se fala na pegada de carbono do produto com mais ênfase do que no VOC e nos aspectos toxicológicos”, salientou.

Um tema ainda muito controverso, mas que começa a chamar a atenção, é o dos microplásticos e seus efeitos ambientais e na saúde humana. “As embalagens são pintadas; esse filme seco pode chegar ao meio ambiente com o descarte incorreto das embalagens e pode ter algum efeito ambiental negativo, mas isso ainda precisa ser discutido e comprovado”, explicou Barrios. Dessa preocupação surge a necessidade de garantir a biodegradabilidade de todos os insumos utilizados nas formulações. “Nosso portfólio já é biodegradável, mas é preciso estudar o caso dos solventes e das resinas, entre outros insumos”, considerou.

A companhia vai divulgar o termo innovability, formado por partes das palavras inovação e sustentabilidade. Segundo Barrios, esse termo condensa a meta da empresa de oferecer produtos mais eficientes, de maior desempenho, durabilidade e competitividade, porém com as tecnologias mais sustentáveis.

A maior novidade da feira será, porém, o próprio nome da companhia. “Pela primeira vez estaremos presentes com a denominação de Indorama Ventures, marcando o sucesso da integração com a matriz e as subsidiárias internacionais nos Estados Unidos, México, Índia, China e Austrália, que também a atuam com especialidades químicas”, salientou.

Barrios comentou que a Oxiteno já contava com uma unidade de produção nos EUA e tudo isso foi integrado aos negócios de óxidos e intermediários da Indorama Ventures, que já havia adquirido a divisão da Huntsman nesse setor. “Já integramos nosso portfólio e unidades de produção à estrutura global da companhia, o que nos permite acesso a insumos e tecnologias adicionais para dispersar e umectar pigmentos, além de compartilhar com toda a companhia os nossos conhecimentos, pois temos uma governança global para inovação que facilita os trabalhos e acelera processos”, comentou.

A companhia também divulgará em seu estande a nova edição do Manual Descomplicado de Tecnologia de Tintas, agora também em inglês. Para reforçar a pegada tecnológica, a Indorama Ventures apresentará seis palestras durante o Congresso Internacional de Tintas, todas elas com foco em desempenho e sustentabilidade.

Indústria química no Abrafati Show: Solventes em evolução

Os solventes oxigenados continuam aumentando o portfólio de produtos mais eficientes e sustentáveis.

Indústria química marca presença - Abrafati Show ©QD Foto: iStockPhoto
Andrea: clientes querem mais desempenho com menor custo

“Todos querem mais performance com o mesmo custo, pois o mercado de tintas migrou das linhas premium para standard, ou seja, a inovação não pode ser mais cara que a opção existente”, comentou Andrea Jara, diretora comercial da unidade global de negócios Coatis da Rhodia, empresa do Grupo Solvay.

“Oferecemos soluções de alto desempenho com biodegradabilidade, com custo/benefício muito favorável.”

Andrea avaliou que o mercado varia conforme o segmento estudado. As atividades ligadas à flexografia, por exemplo, caminham muito bem, especialmente depois de agosto. “A impressão de embalagens já está sendo preparada para produzir materiais para a Páscoa de 2024, um bom volume”, ressaltou. Da mesma forma, as linhas que são direcionadas para repintura automotiva e indústria geral registram um ano com resultados auspiciosos.

Por sua vez, as tintas automotivas OEM passam por situação mais difícil. “São tintas especiais, de alta qualidade e com tecnologia mais moderna, as vendas de carros novos estão fracas, infelizmente”, comentou.

A diretora comentou que é grande a entrada de produtos químicos importados no Brasil, especialmente provenientes da China, país que teve uma queda significativa de consumo. “Isso afetou nosso market share, afinal, dependendo da localização geográfica do importador, ele pode ficar isento de ICMS, uma vantagem nada desprezível contra os produtos locais”, criticou. “Os clientes deveriam valorizar mais a produção nacional, isso lhes permite operar com estoques mais baixos, reduz a dependência de portos e sistemas logísticos, além de reduzir custos de importação e o risco de desabastecimento.”

Andrea comentou que a maior concorrência está nos derivados fenólicos, que não são ingredientes do setor de tintas. “Usamos acetona para produzir algumas linhas e ela é obtida pelo processamento do cumeno, originando também o fenol”, explicou.

Neste ano, a unidade Coatis apresentará na feira o Solsys Coat IBA, solvente de alto desempenho totalmente biodegradável que substitui um produto hoje importado dos Estados Unidos na formulação de revestimentos para madeira, repintura automotiva e tintas industriais. Também apresentará o Solsys Coat MA, com desempenho um pouco inferior ao IBA, porém com excelente custo/benefício, para atender aos formuladores de tintas automotivas (OEM e repintura), industrial e de madeira. “Também lançaremos o hexilenoglicol biodegradável e de baixo odor que pode ser usado também em tintas imobiliárias, um mercado que não atendíamos com esse ingrediente”, ressaltou.

A Coatis apresentará o ácido adípico neutro em carbono, produzido em Paulínia-SP, sítio que abate 94% de suas emissões. Os 6% restantes são compensado mediante um projeto na Amazônia, devidamente certificado, que gera créditos de carbono. “Existe uma demanda grande por esse tipo de produto aqui no Brasil, já o estamos comercializando com sucesso, geralmente para subsidiárias locais de companhias internacionais; ele é muito utilizado na Europa”, explicou.

A partir de 8 de dezembro, o Grupo Solvay efetivará a cisão de seus negócios em duas empresas distintas, processo que não afetará as suas marcas comerciais. “A Coatis ficará na empresa voltada aos produtos de performance industrial e a maior unidade de produção fica no Brasil, em Paulínia, com grande importância estratégica, pois seremos o braço verde da companhia”, salientou Andrea.

Para os próximos dois anos, a companhia pretende instalar uma caldeira alimentada por biomassa, equipada com todos os sistemas de controle de emissões, de modo a reduzir o consumo de gás natural e sua pegada ambiental. “Também usaremos a amônia verde que a Yara vai fornecer nos nossos processos produtivos, além de termos projetos para produzir hidrogênio verde, deslocando mais uma vez o uso de hidrocarbonetos de origem fóssil”, disse.

A grande visitação é o maior atrativo do Abrafati Show deste ano para a indústria. “Haverá grande participação de visitantes da América Latina, pois a exposição será realizada logo depois da reunião da Apla, também em São Paulo”, disse.

Surfactantes e monômeros

A unidade de negócios Novecare do Grupo Solvay levará para a feira sua linha de surfactantes e de monômeros especiais de alto desempenho, além de aditivos, como informou Leandro Alves, gerente de desenvolvimento de negócios da Solvay Novecare na América Latina.

Indústria química marca presença - Abrafati Show ©QD Foto: iStockPhoto
Alves: insumos biodegradáveis começam a ser demandados

“Somos líderes em surfactantes para polimerização em emulsão, usados nas tintas base água, conferindo propriedades superiores de resistência à água na película seca”, comentou.

A novidade nesse segmento que será apresentada no Abrafati Show é o Reactsurf 2490, que atua como emulsificante em sistemas látex acrílico e estireno-acrílico. A Novecare também oferece um surfactante específico para formulações de epóxi em base água. “Esse surfactantes são vendidos para os produtores de resinas de tintas e também de adesivos, conforme as propriedades desejadas pelos clientes”, explicou Alves.

Além disso, ainda no campo dos surfactantes, a companhia oferece produtos específicos para a dispersão de pigmentos com baixa emissão de VOC ou isentos disso. Essa característica é muito desejada nas linhas premium e superpremium, cujas normas de fabricação impõe essa restrição. “Além disso, nossos produtos são isentos de nonilfenol etoxilado, acompanhando a tendência do setor, liderada pela Europa e China, que já eliminaram ou restringiram o seu uso”, comentou. “O Brasil está mais avançado nisso que os Estados Unidos.” Como informou, a Solvay não terá nenhum produto em seu portfólio que contenha nonilfenol etoxilado a partir de 2025. Destaque nesse sentido será dado ao Rhodapex BSA 300, produzido em Itatiba-SP, que oferece alta versatilidade para os formuladores.

Entre as pressões de desenvolvimento de produtos, Alves aponta a origem em fontes naturais (biobased) como muito recente, tendo maior receptividade entre os clientes dos setores de defensivos agrícolas e de cuidados pessoais (HPC), nos quais o tema é crucial. “Não há grandes exigências por biobased no setor de tintas”, afirmou. Por sua vez, a busca por insumos biodegradáveis já é percebida, embora seja pequena.

Sobre o encontro setorial, Alves criticou a repetição de temas ambientais como foco principal, deixando de lado outros temas que seriam mais oportunos. “No ano passado, o maior problema do setor era a cadeia de suprimentos”, apontou.

Na sua visão, o mercado de tintas ficou menor em relação a 2022, mas esse ano não serve de referência por ter sido afetado pelo fim das restrições de oferta criadas pela Covid-19. “Vejo 2023 mais parecido com 2019, porém com altos e baixos se alternando mês a mês”, afirmou. As vendas de insumos para polimerização em emulsão são menos sujeitas às flutuações. “Os clientes fazem suas programações com antecedência e não pedem alterações, há uma estabilidade maior; além disso, também atendemos o mercado do México e isso nos ajuda a estabilizar a produção.”

As previsões para 2024 estão enevoadas. “As incertezas estão muito elevadas, mas nós seguimos com a expectativa de um ligeiro aumento de vendas em 2024, tanto pela via orgânica, quanto pela conquista de clientes atendidos pela concorrência”, afirmou.

Qualidade nacionalizada

A Basf atua em vários tipos de produtos para tintas, desde solventes, monômeros e resinas, até surfactantes e aditivos. Pedro Blanco, diretor de negócios petroquímicos da Basf para a América do Sul, salienta que é fundamental oferecer ao setor produtos que sejam eficientes e também promovam a saúde humana e o cuidado com o meio ambiente.

A busca contínua pela otimização do custo-benefício, por meio da seleção criteriosa de matérias-primas, permanece como uma demanda sólida entre os fabricantes de tintas; é fundamental assegurar a qualidade e o desempenho dos produtos sem que isso se traduza em um aumento de preços para os consumidores”, afirmou.

Ele identifica uma pressão para o desenvolvimento de produtos finais mais adequados a uma vida saudável. “Estamos testemunhando um aumento no fornecimento de tintas que contribuem para a redução dos impactos no meio ambiente e na saúde das pessoas, traduzido em tintas com propriedades que melhoram a qualidade do ar, além da redução da pegada de carbono associada aos processos de produção e à escolha de matérias-primas; um exemplo notável são as tintas baseadas em materiais de origem biológica (bio-based), que estão se tornando cada vez mais populares”, relatou.

A companhia acompanha essa tendência oferecendo soluções que cumprem requisitos importantes de sustentabilidade, como o baixo VOC, ausência de alquilfenóis etoxilados, alta eficiência, maior durabilidade, estabilidade, mantendo a qualidade das tintas sem afetar significativamente o custo, segundo Blanco. “A sustentabilidade é um pilar estratégico da Basf, um dos requisitos importantes para direcionar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Um ganho muito importante com a produção local é reduzir de forma expressiva a pegada de carbono pela redução de complexidade do transporte. A sustentabilidade também é diretriz nas nossas fábricas, que têm iniciativas ambientais com o objetivo de reduzir o consumo de água, a diminuir a geração de resíduos, promover a economia circular e a redução das emissões de CO2.”

O diretor aponta oportunidades de desenvolvimento de negócios em tintas no Brasil ainda 2023 e 2024, com base nos investimentos em construção e numa retomada da indústria automotiva. Porém, do ponto de vista de insumos, a cadeia de valor de tintas é global e enfrentou questões importantes, como os desafios logísticos, impacto na cadeia de insumos, variação nos custos de vários produtos, principalmente reflexo da pandemia. “Neste ponto, nossa estratégia sempre foi a de estar o mais próximo possível do cliente, tê-lo no centro das nossas decisões para resolver cada um dos desafios”, salientou. “Nos últimos anos, temos feito o movimento de nacionalizar algumas linhas, trazendo para o Brasil a produção de tecnologias disponíveis na Europa para reduzir a complexidade de fornecimento, dar mais flexibilidade aos clientes e evitar impactos logísticos que a cadeia global pode trazer”, finalizou Blanco.

Pigmentos sustentáveis

Há muito tempo se sabe que os óxidos de ferro são pigmentos seguros e amigáveis ao meio ambiente. A Lanxess foi buscar uma certificação capaz de medir, com precisão, a pegada ambiental dos seus produtos.

Indústria química marca presença - Abrafati Show ©QD Foto: iStockPhoto
Ferreira: EPD mede pegada de carbono com alta precisão

“Mostraremos aos nossos clientes os avanços nas certificações EPD (environmental product declarations), emitidas por um instituto alemão independente que avalia todo o ciclo de vida dos pigmentos”, explicou Givanildo Ferreira, gerente de vendas e marketing dos pigmentos orgânicos para a América Latina da Lanxess.

Os óxidos de ferro fabricados pela companhia na Alemanha já estão devidamente certificados em 90% dos casos. Agora, a meta é certificar os produtos fabricados na China e também no Brasil. “Cada processo de produção de um pigmento inorgânico pode emitir quantidades de carbono diferentes, essa avaliação precisa ser bem feita”, salientou, apontando que clientes e investidores valorizam muito os selos o tipo Green Building ou Leed, de sustentabilidade. “Eles querem ter certeza e que os insumos que utilizam nas construções são sustentáveis”, disse.

Ferreira comentou que contar com uma métrica adequada é fundamental para ir além dos discursos sobre sustentabilidade. “Hoje o assunto principal é a pegada de carbono, por meio dela se pode separar o joio do trigo, ou seja, ver quem fala em sustentabilidade, mas atua de forma inadequada”, criticou. Ele mencionou que os óxidos de ferro certificados da Lanxess apresentam uma pegada de carbono entre 1,5 e 2 kg de CO2 por tonelada produzida, enquanto a média de mercado chega a 6 kg de CO2/t.

Garantir a baixa pegada de carbono exige investimentos constantes nas fábricas. A unidade de Porto Feliz-SP, por exemplo, conta com sistema de cogeração que aproveita a energia liberada pela produção do pigmento, além de uma instalação para gerar energia solar. “A Lanxess assumiu o compromisso global de ser carbono neutra até 2040, há iniciativas interessantes, como o uso de soda cáustica verde, na Alemanha, que consome 60% a menos de energia na sua obtenção”, comentou.

Na linha de produtos, a grande novidade são os óxidos de ferro produzidos em Ningbo, na China, mediante um processo exclusivo, com baixo impacto ambiental e capaz de gerar produtos que alcançam um range muito especial de vermelhos limpos e saturados. Ferreira comentou que a linha produzida em Ningbo não é muito demandada no Brasil, mais ligado aos tradicionais tipos Bayferrox feitos na Alemanha ou em Porto Feliz.

“Alguns clientes estão desenvolvendo formulações de pigmentos que sejam capazes de substituir os pigmentos de chumbo, ainda usados em algumas tintas industriais e de demarcação viária, embora já tenham sido banidos de outras famílias de tintas, como a imobiliária”, disse. Ele explicou que os óxidos de ferro podem contribuir para aumentar a resistência à luz dessas formulações. “Os pigmentos de chumbo são baratos, oferecem alta resistência e cores firmes, mas são perigosos para a saúde humana e ao meio ambiente; sua eliminação dependerá de regulamentação rigorosa”, ponderou.

Ferreira avaliou o mercado de tintas em 2023 como prejudicado pelo baixo desempenho da construção civil e das vendas dos varejistas. “Os consumidores estão inseguros para gastar um pouco mais, as taxas de juros seguem elevadas, há muita incerteza sobre a economia toda”, apontou. Os mesmo motivos que deprimem a venda de tintas imobiliárias afetam a comercialização de automóveis.

Ele apontou que 2022 começou com boa demanda, a cadeia produtiva toda tinha medo de desabastecimento e isso levou a formar o “inventário do medo”. O último trimestre do ano passado mostrou que a demanda mundial tinha arrefecido e as cadeias logísticas voltaram à normalidade. Assim, 2023 começou com estoques elevados em todos os níveis da cadeia de tintas. “Os dois primeiros trimestres deste ano serviram para consumir os estoques elevados; depois de julho, os clientes voltaram a comprar, porém em nível abaixo da média histórica”, relatou. “E está andando assim até agora, não há expectativa de que isso vá mudar até dezembro.”

O prognóstico para 2024 reflete esse comportamento da demanda. “Está difícil fazer previsões, mas ninguém espera uma retomada espetacular da economia e do mercado no primeiro trimestre”, comentou, considerando que aproximadamente 70% dos insumos consumidos pela indústria de tintas no Brasil são importados. “Qualquer variação na taxa cambial afeta muito o setor”, disse.

Depois de abril, a tendência será iniciar uma aceleração de vendas, com base na grande quantidade de insumos disponíveis no mercado global com preços baixos. “Talvez, o segundo semestre de 2024 apresente resultados mais animadores”, considerou.

Resinas especiais

Ao se posicionar como fornecedor de resinas diferenciadas pela alta qualidade, destinadas a clientes de vários segmentos de mercado, a Galstaff Multiresine tem obtido crescimento constante de negócios.

Sistemas tintométricos reduzem custos na cadeia produtiva e conquistam novos mercados ©QD Foto: Divulgação
Mario Fernando de Souza, diretor comercial da Galstaff Multiresine

“Para nós, que temos mais de 200 clientes ativos, não há problema algum, seguimos em crescimento e teremos ainda uma posição mais forte com o laboratório de formulação para clientes que inauguramos em Guarulhos-SP, o que nos aproximará ainda mais do mercado, permitindo oferecer melhores alternativas para ele”, salientou o gerente comercial Mário Fernando de Souza.

No Brasil, a empresa vem atuando mais forte nos insumos para a produção de sistemas poliuretânicos, tanto alifáticos, quanto aromáticos, mono ou bicomponentes, e encontra também ampla receptividade junto aos formuladores de coil coatings e de massas poliéster para reparação automotiva. “Também somos fortes em poliésteres saturados e insaturados de alta qualidade, com versões isentas de óleo”, afirmou, salientando que o setor de madeira sempre foi um bom cliente, mas foi superado em volume pelo automotivo.

Todos os produtos aqui comercializados pela Galstaff Multiresine são produzidos na Itália, segundo regulamentos estritos da Comunidade Europeia, não admitindo monômeros livres, nem insumos perigosos ao meio ambiente e à saúde humana. Mas isso exige um cuidado maior nas operações logísticas. “Houve algum estresse na pandemia, mas atualmente o preço dos fretes e o câmbio já voltaram ao normal, não há maiores dificuldades”, comentou.

Com bons resultados em 2023, tanto em volume, quanto em valor, a empresa se prepara para 2024, ano que ainda está encoberto por incertezas. “É preciso considerar o impacto da guerra na Ucrânia e também a de Israel, isso exige um esforço maior no planejamento dos negócios e investimentos”, salientou. Souza informou que está ampliando seus estoques no Brasil para garantir o suprimento aos clientes mesmo em situações críticas. “Não deixamos de atender ninguém na pandemia, não vamos fazer diferente agora”, disse.

No quadro atual, Souza verifica a demanda global caindo e puxando para baixo os preços, especialmente das commodities. “Tem muito produto vindo do Oriente Médio, além da Ásia, mas isso afeta menos quem opera com insumos especiais”, avaliou.

Na região, ele aponta a redução de atividade no Equador e no Chile, com taxas de inflação em alta. “México e Colômbia estão em situação um pouco melhor, mas as disputas políticas geram muita turbulência na região, inclusive no Brasil”, afirmou. “Mesmo assim, estamos otimistas com os resultados dos próximos anos.”

A participação no Abrafati Show é considerada muito importante pela empresa, pelos resultados que proporciona. “Esperamos uma visitação de pelo menos 700 pessoas qualificadas em nosso estande, isso gera um volume muito grande de negócios”, comentou.

Indústria química no Abrafati Show: Aditivos em nanoescala

A Gerdau Grapehene volta ao Abrafati Show, agora com estande próprio – em edições anteriores, esteve presente na área da Polystell, seu parceiro industrializador. “Decidimos participar este ano com espaço próprio para ter um contato mais direto com os nossos clientes”, explicou Alexandre Corrêa, CEO da Gerdau Graphene. “Estamos há quase dois anos no mercado, precisamos reforçar nossa imagem e divulgar mais a nossa marca.”

O acordo com a Polystell segue firme, ela produz as dispersões do aditivo a partir da tecnologia fornecida pela Gerdau Graphene. “Nós importamos o grafeno de cinco fornecedores internacionais, mas nossa expertise está no acabamento ou funcionalização do grafeno, bem como na forma como o aditivo é entregue ao cliente, na diluição correta para cada caso, seja em tintas ou polímeros, a fim de que se obtenha o resultado pretendido”, salientou. Ele comentou que atualmente há um excesso de capacidade de produção de grafeno no mundo, mas que essa situação pode mudar a partir de 2025, com o aumento da demanda.

Corrêa avalia que o mercado de tintas em 2023 não foi bem, embora a Gerdau Graphene tenha obtido sólido crescimento. “Já temos consolidados em três clientes dois aditivos para o setor imobiliário, NanoLav (para titnas econômicas) e NanoDur (para pisos de alta resistência), e há vários clientes em fase de avaliação e aprovação”, afirmou. Neste ano, aproveitará o Abrafati Show para lançar um aditivo anticorrosivo, o NanoCorr, para base água e solvente. “Esse aditivo permite reduzir a espessura da película seca sem perder a proteção, dispensando a aplicação de metais pesados, sendo indicado apra tintas industriais de alto desempenho”, explicou. Esse aditivo não mexe com as demais características da tinta, apenas com a capacidade de proteção contra a corrosão.

Além dos aditivos, a companhia lançou uma tinta especial para pisos, a C-Fix, formulada sob encomenda pela Grafitex. “Era para ser um produto de demonstração, que foi usado nas instalações da Gerdau, com excelentes resultados e, por isso, houve procura pela tinta”, comentou. Corrêa mencionou que o sistema de pintura com a tinta usada habitualmente pela Gerdau exigia três demãos a cada quatro meses. “Nossa tinta consegue suportar a movimentação com duas demãos a cada oito meses, é um resultado impressionante”, ressaltou, explicando se tratar de uma tinta acrílica aditivada – a empresa vai desenvolver uma formulação com epóxi.

Segundo Corrêa, o uso do aditivo não elevou demais o custo da tinta e isso garante que possa ser incorporado também às tintas de parede.

Aditivos nanotecnológicos são sempre lembrados em aplicações especiais, como baterias elétricas e satélites de telecomunicação. Corrêa disse que essas opções foram também avaliadas, mas se chegou á conclusão de que são mercados muito restritos e que o ramo de construção civil teria melhores condições de oferecer resposta mais rápida ao investimento.

Novas cores

A Sintequímica vai ao Abrafati Show com grandes expectativas por estar trazendo ao mercado grandes lançamentos na linha pigmentos.

Indústria química marca presença - Abrafati Show ©QD Foto: iStockPhoto
Macedo: investimento em P&D acelerou processo de inovação

“Nos últimos dois anos, investimos fortemente em pesquisa e desenvolvimento, na modernização de nossa planta e laboratórios, bem como na capacidade produtiva; todo esse investimento resultou em novas linhas de produtos que estaremos apresentando agora: Sintepol e Sintetint TT”, informou Marcelo Macedo, diretor comercial da Sintequímica.

Além delas, será apresentada também a linha Sintecoat para encapsulamento de cargas minerais (veja detalhes adiante).

Ele avalia o mercado de tintas em 2023 um pouco estagnado frente aos resultados de 2022. “Apesar disso, nossa empresa conquistou uma importante participação, ampliando seu market share, e vamos fechar o ano com um bom crescimento. Estamos bastante empolgados para, com nossos novos lançamentos, poder crescer ainda mais em 2024”, afirmou.

Indústria química no Abrafati Show: Silicones e silanos

Reconhecida fabricante de resinas e aditivos de silicone e silanos, a Momentive lançará dois novos produtos, o CoatOSil Clean (emulsão de silicone que facilita a limpeza, indicado para melhorar a resistência a riscos, hidrofobicidade, redução de lixiviação e facilidade em limpeza nas tintas imobiliárias); e o CoatOSil Protec (resina monocomponente base solvente terminada em silano, de alta performance e cura pela umidade do ar). A linha completa da companhia estará à disposição dos visitantes.

Indústria química marca presença - Abrafati Show ©QD Foto: iStockPhoto
Rosemeire: aditivos de silicone melhoram resistência de tintas

Rosemeire Ciro, gerente técnica para a América Latina da Momentive avalia que “o mercado, em 2023, teve um balanço positivo para tintas arquitetônicas, porém ao longo do ano sentimos a indústria como um todo muito preocupada com os aspectos internos e externos; acreditamos que o Abrafati Show será um ponto inicial para o maior desenvolvimento do mercado como todo para o próximo ano”.

Ela comentou que o Brasil é um dos cinco maiores mercados mundiais de tintas e aqui há uma infinidade de empresas fabricantes e, consequentemente, oportunidades para o portfolio de produtos da Momentive. “Temos uma grande expectativa a partir desse encontro que movimenta a cadeia de tintas no Brasil”, concluiu.

Equipamentos ativos

A Netzsch do Brasil, com sede em Pomerode-SC, vem com força total para o Abrafati Show 2023, com a expectativa de realizar negócios e reafirmar sua presença no mercado de tintas.

Indústria química marca presença - Abrafati Show ©QD Foto: iStockPhoto
Malaquias: seleção de moinhos requer conhecimento específico

“Todo o nosso corpo técnico e comercial estará presente, de modo a atender bem os visitantes”, comentou Bruno Malaquias, diretor de negócios para a área química.

Malaquias avaliou o comportamento da demanda por equipamentos em 2023 com altos e baixos. “Em alguns meses fomos mais procurados por clientes de grande porte, em outros a procura foi maior pelos pequenos e médios produtores, houve muita variação”, relatou, considerando favorável o resultado final.

Ele explicou que o timing da venda de equipamentos é bem diferente da venda de tintas, esta com uma sazonalidade definida, com elevação típica no segundo semestre. “Nós vendemos equipamentos engenheirados, existe todo um processo de seleção e projeto, além de testes e procedimentos de montagem e partida que tomam tempo”, disse.

Contar com linha ampla e diversificada de moinhos e dispersores exige esforço maior de seleção. “Nosso centro de aplicação precisa entender o que o cliente deseja para poder escolher a melhor alternativa técnica e a mais economicamente viável”, explicou.

A característica atual de mercado favorece a venda de dispersores, uma vez que a venda de pigmentos pré-dispersos ganhou força. Como explicou, os pequenos e médios fabricantes preferem os pré-dispersos. Os grandes compram pigmentos em pó e fazem a moagem. Mas quando precisam de um pigmento em baixo volume, eles o compram na forma pré-dispersa. “Quando um cliente começa a crescer, busca comprar pigmentos em pó e aí nos procura para comprar o moinho mais adequado”, salientou. “Estudamos também a viabilidade econômica do investimento, geralmente é melhor fazer essa mudança aos poucos”.

Em geral, as tintas decorativas base água usam apenas dispersores, enquanto as linhas base solvente requerem moagem e dispersão. Malaquias ressalta que moinhos para base solvente são diferentes dos moinhos base água. “Solventes orgânicos atacam as vedações e exigem materiais construtivos adequados, além disso, a presença de solventes exige cuidados adicionais, é uma área classificada, exige que o equipamento tenha detalhes importantes, como o isolamento da câmara de moagem”, explicou.

Também por questão de segurança, todos os produtos fabricados pela Neztsch são entregues aos clientes com a documentação e os manuais no idioma deles. “No Brasil, tudo é entregue em português, no restante da América Latina, segue em espanhol, o cliente precisa entender as instruções de operação e manutenção”, ressaltou. Equipamentos importados nem sempre tem esse cuidado.

Segundo Malaquias, os equipamentos vendidos pela companhia no Brasil são quase totalmente fabricados em Pomerode. “Não digo 100%, porque às vezes é preciso incluir uma câmara cerâmica ou algum item específico que só é feito em outras unidades do grupo”, comentou. Ele explicou que as câmaras cerâmicas de moagem apresentam maior resistência ao desgaste e apresentam melhor troca térmica, ou seja, ficam frias durante um tempo maior e isso resulta em menor emissão de VOC.

A companhia divide seus negócios nas áreas de mineração (entra na moagem fina dos minerais), alimentos, farmacêutica e química. A divisão química abrange vários segmentos de mercado, atualmente está sendo muito demandada pela indústria de tintas e de agroquímicos, neste caso, para a produção de fertilizantes líquidos para aplicação foliar. “Atendemos a todos os tipos de tintas, inclusive para impressão digital de tecidos, que exige pigmentos em escala nanométrica, que não é um problema para nós”, comentou. A empresa oferece a linha Neos de moinhos para nanomoagem com alto rendimento e que também podem operar na faixa da micronização. “Estamos sempre atualizando nossos produtos, já oferecemos soluções para indústria 4.0 há três anos e a equipe brasileira é referência mundial nesse tema dentro da companhia”, ressaltou.

Além de equipamentos isolados, a Netzsch possui ampla expertise no projeto e montagem de fábricas completas, até mesmo no regime turn key. “Acabamos de fechar um contrato para construir uma fábrica completa de tintas no Brasil, com alta tecnologia; entregamos há 8 anos uma instalação completa no Rio de Janeiro, em turn key, com grande sucesso”, informou Malaquias. “Nos agroquímicos, vendemos uma planta completa para a unidade da Yara em Sumaré-SP, e fizemos negócio semelhante com a Yara da Inglaterra; também temos clientes na produção de chocolates.”

Leia Mais:

Não deixe de consultar o Guia QD, maior plataforma eletrônica de compras e vendas do setor, com mais de 300 mil consultas mensais por produtos e mais de 400 anunciantes ativos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.