Meio Ambiente (água, ar e solo)

Indústria quer reúso na matriz hídrica nacional – Meio Ambiente

Marcelo Furtado
16 de maio de 2019
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    Química e Derivados, Ramalho: Aquapolo evitou parada das operações na seca de 2014

    Ramalho: Aquapolo evitou parada das operações na seca de 2014

    De acordo com o especialista de sustentabilidade da Braskem, André Ramalho, os ganhos com o abastecimento da água de reúso têm sido vários desde que o fornecimento começou em 2012, principalmente ao se comparar com a solução anterior, que era a captação da água do muito poluído Rio Tamanduateí pela Recap-Petrobras, que fornecia a água tratada para as empresas. Além do rio sofrer com estiagens, a baixa qualidade encarecia o tratamento e comprometia os equipamentos industriais.

    Para começar, a segurança hídrica tem destaque na lista de vantagens. Na época da grave crise hídrica que afetou São Paulo, entre 2014 e 2015, a Braskem calculou que evitou um prejuízo superior a R$ 200 milhões, levando em conta o corte de 30% imposto na época na captação industrial, como parte das ações emergenciais. “Com esse corte, precisaríamos parar a produção por um período, já que uma planta petroquímica não pode operar sem ter atendida totalmente a sua demanda por água”, diz Ramalho. Com o Aquapolo, cuja fonte de suprimento é o esgoto doméstico tratado pela ETE ABC, não há risco de desabastecimento.

    Outro ganho que a Braskem mensurou foi a redução de gastos com manutenção de equipamentos, principalmente os trocadores de calor, cuja vida útil pelo menos duplicou por conta da alta qualidade da água de reúso, chegando a R$ 10 milhões. Não custa lembrar que o tratamento do Aquapolo é muito eficiente: começa com o recebimento do esgoto secundário tratado por gravidade da ETE ABC, passa por unidade de tratamento preliminar com filtros de discos que retêm sólidos com dimensões iguais ou superiores a 400 micrômetros. Depois isso, o efluente segue para o TMBR (Tertiary Membrane Bio-Reactor), com reator e membranas de ultrafiltração.

    O tratamento biológico do TMBR remove nitrogênio, fósforo e matéria orgânica dos efluentes, através de processos anóxicos e aeróbicos. Em seguida, é bombeado para os módulos de membranas de ultrafiltração, com poros de 0,05 micrômetros, que retêm sólidos e bactérias. O líquido permeado tem a qualidade monitorada e, quando não atinge o padrão, segue para a osmose reversa. No final, há a desinfecção por dióxido de cloro e, a partir daí, a água de reúso segue para a adutora. O Aquapolo conta com reservatórios com capacidade total para armazenar 70 mil m3. O investimento total no projeto foi de R$ 364 milhões.

    A Braskem trabalha agora para calcular outras externalidades do abastecimento da água do Aquapolo, a fim de criar um estudo de caso inédito e aprofundado. Serão gerados dados, segundo Ramalho, referentes ao benefício social do polo quase não usar água da concessionária, de reduzir o volume de efluentes descartados no rio, já que 70% da água consumida no polo é evaporada, e do esgoto secundário que deixa de ser descartado pela Sabesp. Há até como calcular a menor demanda de oxigênio do rio, que deixou de receber os esgotos.

    Além de querer entender melhor os ganhos totais, a Braskem também estuda a replicação da solução em outras operações no Brasil, adotando uma série de análises e contratando consultorias especializadas para estudar a viabilidade técnico-econômica. Segundo André Ramalho, haveria a possibilidade de construção de estações do tipo onde há criticidade no fornecimento, casos da região de Duque de Caxias-RJ e Alagoas. O mesmo não ocorreria em Camaçari-BA, onde há disponibilidade de água subterrânea, e em Triunfo-RS, com água superficial abundante. “São estudos que entendemos como estratégicos, porque novas estiagens vão ocorrer e a experiência com o Aquapolo mostra que é melhor se prevenir para evitar prejuízos”, explica Ramalho.

    De acordo com o especialista, entre 2002 e 2017, a Braskem investiu cerca de R$ 280 milhões em projetos de melhoria de eficiência hídrica, que resultaram em economia acumulada superior a R$ 188 milhões em redução de custos com tratamento de efluentes líquidos e custos operacionais com consumo de água. Neste período, o índice de consumo de água melhorou cerca de 4%, enquanto o índice de geração de efluentes líquidos melhorou 45%. O percentual de reúso melhorou 39% entre 2011 e 2017 e atingiu 25,7%. Desde 2014, foram utilizados 30 milhões de m³ de água de reúso, por meio do Aquapolo.

    Para 2019 e 2020, a meta é manter o índice de consumo de água (m³/t) abaixo da média do consumo da indústria química mundial, ou seja, 26,64 m³/t (dados de 2014). Além disso, a Braskem quer aumentar gradativamente o percentual de reúso de água, em 2020, para 25%; em 2025 para 30%; e em 2030 para 50%.

    Dentro de casa – Além de ações da magnitude das estações de reúso a partir de esgotos domésticos, solução para polos industriais próximos de ETEs (no máximo 13 km, segundo a CNI), a outra alternativa do reúso para a indústria é realizar o projeto internamente. Um caso emblemático ocorre com a Solvay Fibras, em Santo André-SP, que desde 2005 fechou o circuito de água na fábrica.

    Com uma meta iniciada na década de 1990 para chegar ao reúso total, a indústria criou um plano diretor para tratar seus efluentes para reutilizá-los e abandonar o descarte. Segundo o engenheiro de utilidades, Edison Batista, a primeira ação foi reduzir a geração e, logo na sequência, começaram os investimentos de tecnologia.



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    Um Comentário


    1. Francisco Souza

      Entre as aplicações dessa água de reúso está a geração de vapor a alta pressão (pressão maior q 50 kgf/cm2)?



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