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Meio Ambiente (água, ar e solo)

Indústria quer reúso na matriz hídrica nacional – Meio Ambiente

Marcelo Furtado
16 de maio de 2019
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    No caso cearense, as maiores demandas não estão próximas de ETEs existentes ou em planejamento. Isso porque as outorgas principais para captação industrial estão entre os municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia, sem estações de importância. Apesar disso, o estudo criou cenários para auxiliar no planejamento da oferta de água de reúso no estado, levando em conta a possibilidade de investimentos no lado da oferta e da demanda.

    Para começar, foram detectadas a existência de ETEs com baixas vazões e altas demandas industriais no entorno, o que indica a necessidade de ampliação da capacidade das plantas, o que levaria a uma possível priorização no plano de investimentos da companhia de saneamento (Cagece) ou das cidades envolvidas, que poderiam realizar concessões ou elas próprias assumirem os projetos. Nesses casos, o estudo identificou oportunidades em ETEs de São Gonçalo do Amarante (Pecém), Fortaleza, Maracanaú, Pacatuba e Maranguape.

    Já pelo lado da demanda, o estudo constatou que há ETEs com vazões maiores, mas com baixa demanda industrial, nas cidades de Juazeiro do Norte, Caucaia, Itapipoca e Limoeiro do Norte. Isso indica a oportunidade de se incentivar a instalação de polos industriais no local, que poderiam ser abastecidos por futuras plantas de reúso que seriam acrescidas nas ETEs existentes, aproveitando os volumes de efluentes secundários para polimento em estações com membranas de ultrafiltração.

    No estudo, a alternativa tecnológica mais considerada, com estimativas de capex bem estruturadas, foi de adaptação das estações de tratamento de lodos ativados convencional a sistemas de biomembranas (MBR, membrane bio-reactor), com vazões de 8,7 l/s até 438 l/s. Além disso, foram elaboradas simulações de custos para todas as demais obras (reservatórios, sistemas elevatórios) e para a operação, levando em conta energia e mão de obra. A conclusão é a de que há oito diferentes cenários, todos eles atrativos, para suprir o setor industrial com água de reúso.

    Pleitos – Segundo estudo do Programa de Desenvolvimento do Setor Água, o Interáguas, de 2017, para aumentar a disponibilidade hídrica do país seria preciso aumentar o reúso planejado para pelo menos 10 m3/s até 2030, o equivalente a um aumento de 8,4 m3/, levando em conta que atualmente o reúso seja estimado em 1,6 m3/s.

    A indústria seria a grande beneficiária, tendo em vista que atualmente a legislação de reúso limita o uso dessas correntes oriundas de esgoto/efluentes, não permitindo que elas tenham contato humano (irrigação, banheiros) em nenhuma hipótese. Isso, aliás, é considerado um desestímulo, principalmente porque as tecnologias atuais têm condições de transformar o esgoto em água potável, o que se faz em muitos países onde a regulamentação é mais moderna nesse ponto. Por esse motivo, aliás, a CNI apoia o Projeto de Lei 10108/2018, do senador Cássio Cunha Lima, que permite o fornecimento de água potável por fontes alternativas, com reúso, água de chuva e residuais, desvinculando o reúso do esgotamento sanitário.

    Além de também defender a recuperação dos 38% de água tratada desperdiçados por falhas na distribuição, que no entender da CNI seriam suficientes para abastecer toda a indústria nacional, outra reivindicação é facilitar a importação de membranas filtrantes, hoje tributadas em 14%. Segundo Davi Bomtempo, como o país não produz membranas, nada mais justo do que zerar a alíquota de tão importante insumo para o reúso.

    A confederação também considera importante para o desenvolvimento do reúso no país, segundo o gerente de meio ambiente, a aprovação da MP 868. Por ter entre seus principais objetivos a facilitação da participação privada no setor, Bomtempo explica que a segurança jurídica para investidores privados é fundamental para estimular projetos de grande porte de reúso, como os vislumbrados pelos estudos da CNI. “Damos total apoio à medida provisória e confiamos na sua aprovação”, diz.

    No polo – O caso do polo petroquímico de Capuava, no ABC Paulista, como o Aquapolo, é considerado o maior da América Latina e o quinto do mundo no gênero, com capacidade para 1.000 litros (suficiente para atender 500 mil habitantes) por segundo e que atualmente fornece 650 l/s para as empresas do polo e outras no seu caminho. Concebido originalmente pela Odebrecht e pela Sabesp, a parte da empreiteira (51%) foi vendida para a canadense Brookfield (BRK Ambiental) em 2016, como um dos ativos que a construtora precisou se desfazer depois de suas complicações com a Operação Lava Jato.

    O principal cliente do Aquapolo, aliás, é a Braskem, da Odebrecht, que além da unidade de insumos básicos também conta com as operações de polietileno e polipropileno. Mas também se abastecem com a água de reúso a Cabot, Oxiteno, Oxicap, White Martins e a Arconic, Bridgestone e Paranapanema (estas três últimas no caminho da adutora de 17 km, antes de chegar ao polo)



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    Um Comentário


    1. Francisco Souza

      Entre as aplicações dessa água de reúso está a geração de vapor a alta pressão (pressão maior q 50 kgf/cm2)?



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