Meio Ambiente (água, ar e solo)

Atuação Responsável – Indústria adota a política da boa vizinhança

Marcelo Furtado
15 de maio de 2000
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    Desenvolvimento sustentável – Outros indicadores menos mensuráveis, aliás, chamam mais a atenção no Brasil. Para se aproximar da comunidade, e executar as práticas do programa voltadas para aumentar a confiança da população pela indústria (código do diálogo com a comunidade), muitas companhias perceberam que uma boa alternativa seria tentar ajudá-las com ações sociais.

    Química e Derivados, Indicadores de gerenciamento de produto - 1999

    Indicadores de gerenciamento de produto – 1999

    Nada poderia ser mais inteligente, visto que as prioridades no País são bem diferentes das do Primeiro Mundo. Com muitas carências básicas, e sem o mesmo nível de consciência ambiental que europeus e americanos, a vizinhança local tende a melhorar sua imagem da indústria química caso esta se mostre solidária. Deixar apenas de poluir pode não ter o mesmo efeito.

    Os exemplos são vários e já fizeram inclusive a Abiquim elevar a discussão ao nível internacional, junto à ICCA. “O bem-estar social, um dos princípios do chamado desenvolvimento sustentável, é prioritário em países subdesenvolvidos e as companhias devem ter consciência disso”, diz Marcelo Kós. No seu entendimento, isso pode levar a no futuro haver práticas sociais específicas dentro do Atuação Responsável, sobretudo para países em desenvolvimento, mas também para os desenvolvidos, dependendo da localização das unidades.

    A Basf, para começar, acostumou-se a agir dessa forma. Em Guaratinguetá, foi criado um conselho comunitário consultivo com moradores e autoridades locais para a empresa poder ouvir as principais preocupações da população. De acordo com Odilon Ern, também diretor geral da unidade, através desse diálogo, a Basf resolveu financiar a construção da sede própria do corpo de bombeiros da cidade.

    Outra iniciativa foi a criação de um programa de coleta seletiva nos bairros próximos da unidade. Além de oferecer treinamento, financiar a compra de equipamentos necessários e agregar o lixo reciclável coletado ao das fábricas, a Basf também premia as comunidades quando estas atingem metas de coleta. A forma de premiação normalmente é atender a pedidos dos bairros, reformando parques, escolas, creches, entre outras medidas.

    A Dow Química, empresa que já adotou por completo cinco códigos e 90% do de gerenciamento de produto, também está bem adiantada nessa tendência de ajudar a comunidade em questões sociais. Em sua unidade do Guarujá-SP possui um painel comunitário, em que vizinhos e representantes de ONGs reúnem-se todo o mês para discutir questões de interesse da comunidade.

    A partir dessa interação com a vizinhança a Dow resolveu construir e manter no Guarujá desde 1998 a escola Herbert Dow (em homenagem ao fundador da empresa), de ensino de primeiro grau e com 1.300 alunos matriculados.

    Na unidade de Aratu-BA, também há exemplos. Em Caboto, uma comunidade pequena próxima à fábrica, a empresa instalou fossas assépticas nas casas para suprir a falta de saneamento básico e também construiu uma creche. Em outro vilarejo, denominado Madeira, promoveu sessões gratuitas de oftamologia nas crianças da escola local, financiando também os óculos.

    Química e Derivados, Fioranti: aproximação pela via social

    Fioranti: aproximação pela via social

    “Mesmo priorizando o lado social no contato com a vizinhança carente, também não esquecemos da educação ambiental”, diz Claudio Fioranti, gerente de segurança, saúde e meio ambiente da Dow. Nessa comunidade de Caboto, diz, foi possível convencer os pescadores a parar de usar bombas para pescar, deixando assim de poluir o rio local.

    Há vários outros exemplos. Para citar mais um, a DuPont, também muito avançada no Atuação Responsável, já que o implanta desde 1990 por determinação da matriz, promove programas de saúde e higiene em escolas rurais no interior paranaense.

    Além disso, em cooperação com a Fundação Santa Genoveva, participa de programa de recuperação da mata ciliar de Paulínia-SP, no qual criou um viveiro de mudas para serem utilizadas no reflorestamento. Também em Uberaba-MG a empresa de origem americana cede madeiras de pallets para uma marcenaria existente em instituição de caridade.

    A se guiar por essas ações das mais adiantadas no programa e pela intenção da Abiquim de tornar esse processo de aproximação pela via social como medida oficializada nos códigos, o caminho deve ser trilhado pelos demais signatários. Aliás, talvez esteja aí uma forma mais eficaz do que as práticas técnicas do Atuação Reponsável para fazer a opinião pública brasileira diminuir seu preconceito contra a indústria química.



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